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Arquivo da Categoria ‘Literatura’

Inscrições abertas para o Prêmio Paraná de Literatura 2014

Por Toda Letra em 1 de maio de 2014

Em sua terceira edição, o concurso da BPP vai selecionar livros inéditos de autores de todo o País nas categorias Romance, Contos e Poesia

A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) lançou em abril o Prêmio Paraná de Literatura 2014. Como nas edições anteriores, realizadas em 2012 e 2013, o concurso da Secretaria da Cultura do Paraná vai selecionar livros inéditos em três categorias que homenageiam escritores importantes da literatura paranaense: Romance (prêmio Manoel Carlos Karam), Contos (prêmio Newton Sampaio) e Poesia (prêmio Helena Kolody). No ano passado, mais de 800 obras foram inscritas por autores de todo o Brasil.

O vencedor de cada categoria receberá R$ 40 mil e terá sua obra publicada pela BPP, com tiragem de mil exemplares. Os premiados também receberão 100 cópias de seus livros e poderão, mais tarde, reeditar os trabalhos por outras editoras. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 30 de junho. As obras concorrentes serão avaliadas por uma comissão julgadora formada por um presidente e nove membros (três em cada categoria). O resultado será divulgado na primeira quinzena de dezembro.

Em 2013, os vencedores foram Jaci Palma (Meu primeiro morto, romance), Caetano Galindo (Ensaio sobre o entendimento humano, contos) e Adriane Garcia (Fábulas para adulto perder o sono, poesia). Os livros foram lançados e distribuídos pelo selo Biblioteca Paraná, que também edita autores paranaenses e resgata títulos relevantes que estejam esgotados ou fora de catálogo. No momento, os três autores negociam a reedição de suas obras por editoras comerciais.

“Após duas edições muito bem sucedidas, o Prêmio Paraná de Literatura se consolidou como uma das principais premiações do Brasil. Tenho certeza de que este ótimo início é fundamental para a permanência do concurso no calendário da literatura brasileira. Leitores e escritores só têm a ganhar com o fortalecimento dos prêmios em todo o País”, afirma Rogério Pereira, diretor da BPP e presidente do júri.

O edital do concurso pode ser visto aqui.
A ficha de inscrição está disponível aqui.

Sobre o fim da Bravo!, o perfil do leitor contemporâneo e coisas que devemos relembrar

Por Toda Letra em 5 de agosto de 2013

Na semana passada, a Editora Abril anunciou o fim de algumas de suas publicações impressas. Entre elas, a Revista Bravo!, que desde 1997 se dedicava às pautas sobre produção artística – sobretudo literatura.

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Folheando seus exemplares ou navegando pelo seu site, fica clara a sua identidade. Há uma série de textos longos, analíticos e muitas vezes críticos, características que nem sempre vão de encontro às exigências da massa de leitores contemporâneos, que procura pelo conciso e objetivo, conforme orienta a academia.

Tal argumento poderia justificar sua extinção. Talvez não haja espaço para publicações tão densas no mercado editorial brasileiro dos anos 2000. Contudo, não podemos ignorar a ironia que cerca essa afirmação.

A classe artística e amantes da arte em geral reclamam com frequência da ausência de crítica de arte na grande imprensa. A Bravo!, uma das poucas publicações que dedicou sua vida a este exercício, teve seu prazo de validade expirado.

Com isso, aumenta ainda mais essa carência no segmento – e também os questionamentos. Será que a procura existe, mas é insuficiente? Será que vivemos na cultura do desinteresse?

Existem centenas de variáveis e nenhuma delas se mostra conclusiva neste momento.

Como fato, podemos dizer que boas críticas e reportagens estamparam as páginas da Bravo! ao longo desses dezesseis anos.

Relembremos quatro delas:

1. Em 2008, a Bravo! conversou com Millôr Fernandes, cuja personalidade dispensa apresentações. Na entrevista, que foi conduzida com maestria por Sérgio Rodrigues, o escritor fez afirmações polêmicas, dignas de releitura.

Bravo!: A cultura escrita está perdendo prestígio no mundo inteiro. Isso é ruim?

Millôr: O volume de escritos está numericamente maior e percentualmente menor. Com a internet, cada um tem seu blog, e, quando há um volume muito grande de gente praticando, tudo se abastarda. Quando se deliberou que não haveria mais métrica e rima na poesia, toda senhora de 50 anos começou a fazer poesia. Hoje o marketing é violento. Quando o cara consegue explodir, como o Paulo Coelho, está feito: nada faz mais sucesso que o sucesso. Eu só li um livro dele, um com nome árabe [O Zahir]. Outro dia ele disse que não liga para o que os tradutores fazem com seus livros. Pô, o tradutor só pode melhorar aquilo! Mas vai melhorar o Guimarães Rosa…

Leia mais aqui.

2. Em 2010, João Barile conversou com Ferreira Gullar, que tinha acabado de ganhar um Prêmio Camões por Em Alguma Parte Alguma, livro que marcou o fim dos 10 anos que passou sem publicar. Durante a entrevista, o escritor falou sobre os momentos de sua vida que inspiraram seus poemas.

“Enquanto te enterravam no cemitério judeu
De S. Francisco Xavier
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção de Botafogo
E as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós.”

- “Na Vertigem do Dia”, do livro “Toda Poesia”, de 1980

Ferreira Gullar: ”Esse poema foi escrito no em dia que Clarice [Lispector] morreu. Estava em casa, me preparando para viajar para São Paulo, quando tocou o telefone, dizendo que ela tinha acabado de morrer. Fiquei chocado porque tinha tentado ir visitá-la no hospital. E ela me mandara um recado para que eu aguardasse e voltasse depois. Achei estranho porque a informação era a de que era duvidoso que ela voltasse para casa, já que seu estado era grave. Pouco depois, recebi a notícia de sua morte. O carro que me pegou para levar ao aeroporto foi pela lagoa Rodrigo de Freitas. Estava um dia lindo: sol e árvores balançando com a brisa. Achei chocante, um contraste. Eu triste com a morte dela e a natureza pouco ligando. (ri) O poema é isto: enquanto morremos, a natureza não tem nada a ver conosco. Ela está na dela.”

Leia mais aqui.

3. De Homero a Machado de Assis. De García Marquez a Shakespeare. Um pouco mais de Shakespeare, mas também Pirandello. Para a Bravo!, é assim que se faz uma lista com os 100 livros essenciais da literatura mundial.

Confira a lista completa.

 4. Em 2009, no novembro em que O Seminarista chegaria às livrarias, Tiago Petrik, Malu Porto e João Gabriel de Lima assinaram em conjunto o perfil que estampou a capa da Bravo! daquele mês. Na ocasião, falaram sobre um Rubem Fonseca pouco conhecido: o da vida real.

Trecho do texto: “Será que tudo o que um escritor tem a dizer sobre si próprio está em sua obra, como costuma dizer José Rubem quando quer se esquivar de uma entrevista? Trata-se de uma boa frase de efeito – que, como toda frase de efeito, é apenas meia verdade. Conhecer a biografia do autor é, sim, importante para compreender o que ele escreve. Não as fofocas e os mexericos, mas as experiências que contribuíram para a formação de seu universo literário. De acordo com os críticos, a obra de José Rubem se destaca no panorama da literatura brasileira justamente por conta desse universo.”

Saiba mais sobre a história de Rubem Fonseca.

Programe-se para a Flip!

Por Toda Letra em 2 de julho de 2013

Em 2013, a Festa Literária de Paraty (Flip) chega a sua 11ª edição. O evento, que neste ano tem Graciliano Ramos como homenageado, será realizado de 3 a 7 de julho e sua programação principal poderá ser acompanhada em tempo real pelo site oficial da Flip.

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Confira o programa principal atualizado:

3 de julho – quarta-feira

19h30 – Conferência de abertura “Graciliano Ramos: aspereza do mundo, concisão da linguagem”, com Milton Hatoum
21h30 – Show de abertura, com Gilberto Gil

4 de julho – quinta-feira

10h – Mesa 1: “O dia-a-dia debaixo d’água”, com Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques e Bruna Beber; mediação de Noemi Jaffe
12h – Mesa 2: “As medidas da história”, com Paul Goldberger e Eduardo Souto de Moura; mediação de Ángel Gurría-Quintana
14h30 – “Mesa Zé Kleber – Culturas locais e globais”, com Marina de Mello e Souza e Gilberto Gil; mediação de Alexandre Pimentel
17h15 – Mesa 3: “Formas da derrota”, com José Luiz Passos e Paulo Scott; mediação de João Gabriel de Lima
19h30 – Mesa 4: “Olhando de novo para Guernica, de Picasso”, com T. J. Clark; mediação de Paulo Sérgio Duarte

5 de julho – sexta-feira

10h – Mesa 5 : “Graciliano Ramos: ficha política”, com Randal Johnson, Sergio Miceli e Dênis de Moraes; mediação de José Luiz Passos
12h – Mesa 6: “O prazer do texto”, com Lila Azam Zanganeh e Francisco Bosco; mediação de Cassiano Elek Machado
15h – Mesa 7: “A vida moderna em Kafka e Baudelaire”, com Roberto Calasso e Jeanne-Marie Gagnebin; mediação de Manuel da Costa Pinto
17h15 – Mesa 8: “Ficção e confissão”, com Tobias Wolff e Karl Ove Knausgård; mediação de Ángel Gurría-Quintana
19h30 – Mesa 9: “Lendo Pessoa à beira-mar”, com Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli
21h30 – Mesa 10: “Uma vida no cinema”, com Nelson Pereira dos Santos e Miúcha; medição de Claudiney Ferreira

6 de julho – sábado

10h – Mesa 11: “Maus hábitos”, com Nicolas Behr e Zuca Sardan
12h – Mesa 12: “Encontro com Eduardo Coutinho”, mediação Eduardo Escorel
15h – Mesa 13: “O espelho da história”, com Aleksandar Hemon e Laurent Binet; mediação de Ángel Gurría-Quintana
17h15 – Mesa 14: “Os limites da prosa”, John Banville e Lydia Davis; mediação Samuel Titan Jr
19h30 – Mesa 15: “Da arquibancada à passeata, espetáculo e utopia”, com T. J. Clark, Tales Ab’Sáber e Vladimir Safatle

7 de julho – domingo

11h – Mesa 16: “Graciliano Ramos: políticas da escrita”, com Wander Melo Miranda, Lourival Holanda e Erwin Torralbo Gimenez; mediação de José Luiz Passos
13h – Mesa 17: “Tragédias no microscópio”, com Daniel Galera e Jérôme Ferrari
15h – Mesa 18: “Literatura e revolução”, com Tamim Al Barghoutti e Mamede Mustafa Jarouche; mediação de Arthur Dapieve
17h – Mesa 19: “A arte do ensaio”, com Geoff Dyer e John Jeremiah Sullivan; mediação de Paulo Roberto Pires
18h45 – Mesa 20: “Livro de cabeceira – Convidados da Flip leem e comentam trechos de seus autores favoritos”; mediação de Liz Calder

Inscrições para oficina de literatura infantojuvenil terminam semana que vem

Por Toda Letra em 29 de maio de 2013

As inscrições para a oficina de literatura infantojuvenil com o escritor gaúcho Ernani Ssó vão até quarta-feira (5) da semana que vem. Para se inscrever, é preciso enviar breve currículo e texto de ficção que recrie a história João e Maria, com no máximo duas laudas. O material deve ser enviado para o endereço oficina@bpp.pr.gov.br. Serão selecionados pelo autor 20 participantes para o curso de 12 a 14 de junho, na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba.

Esta é a terceira Oficina BPP de Criação Literária de 2013. Este ano, os escritores José Castello (Romance) e Fabrício Corsaletti (Poesia) já ministraram oficinas. Até novembro, estão programadas outras cinco edições do projeto.

Nascido em 1953, em Bom Jesus (RS), Ernani Ssó é autor dos romances Diabo a quatro e O emblema da sombra. Nos últimos anos, sua produção tem se concentrado na literatura infantojuvenil, escrevendo as séries “No escuro”, da editora Paulinas, e, mais recentemente, a série de livros “Histórias do tempo em que os bichos falavam — Narrativas do folclore”, da Companhia das Letras. Ssó também tem importante trabalho como tradutor da língua espanhola, sendo o responsável pela mais recente tradução para o português do clássico Dom Quixote.

PROJETO – As oficinas de criação literária promovidas pela BPP acontecem mensalmente e buscam aliar teoria e prática, colocando o público em contato com diversos gêneros. Esta é a terceira Oficina BPP de Criação Literária de 2013. Este ano, os escritores José Castello (Romance) e Fabrício Corsaletti (Poesia) já ministraram oficinas. Até novembro, outros cinco cursos irão acontecer.

Confira a programação:

Crítica Literária, com Luis Augusto Fischer (10 a 12 de julho)

Crônica, com Antônio Torres (13 a 15 de agosto)

Narrativa experimental, com Marcelino Freire (10 a 12 de setembro)

Jornalismo Cultural, com Marcos Flamínio (9 a 11 de outubro)

Conto, com Antonio Carlos Viana (12 a 14 novembro)

Serviço:

Oficina BPP de Criação Literária – Infantojuvenil com Ernani Ssó

De 12 a 14 de junho

Inscrições abertas até 31 de maio pelo e-mail oficina@bpp.pr.gov.br

Informações: (41) 3221-4974

Saiba mais sobre o trabalho do governo do Estado em: www.facebook.com/governopr ewww.pr.gov.br

Flip inaugura década com homenagem a Graciliano Ramos

Por Toda Letra em 24 de maio de 2013

Início de uma nova década para a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty –, a 11ª edição do evento traz Graciliano Ramos como o autor homenageado. Mais atual do que nunca, e de indiscutível relevância na história cultural do país, o trabalho do escritor alagoano inspira os temas das mesas, que serão abordados pelos convidados nacionais e internacionais.

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A Flip 2013 reúne escritores contemporâneos cujo modo de criação, mais livre, se reafirma. A poesia surge em meio à prosa, o ensaio reaparece como gênero literário e microrrelatos em obras de ficção dão o tom ao estilo singular de cada autor. “Contra o dogmatismo que pretende estabelecer um modelo único de escrita, a Festa Literária Internacional de Paraty aposta numa multiplicação de escritas possíveis, pressupondo que a literatura estará sempre ligada ao próprio tempo, mas de maneiras tão diversas quanto as experiências de seus criadores”, afirma Miguel Conde, curador da Flip.

Foi pensando na multiplicidade de abordagens que o curador definiu nomes que vão do poeta Tamim Al-Barghouti, figura central na primavera árabe, ao romancista Michel Houellebecq. Narrador ácido e observador crítico do mundo contemporâneo e suas relações, Houellebecq venceu o Goncourt em 2010 com o romance Partículas Elementares e é considerado um dos grandes nomes da atual prosa francesa.

Especialista em contos e narrativas concisas, a norte-americana Lydia Davis, finalista do Man Booker International Prize 2013, falará de obras de sua autoria que não raro transitam entre ficção, ensaio e poesia. Já a franco-iraniana Lila Azam Zanganeh trará para o palco da Flip sua leitura original da obra de Vladimir Nabokov, tido por ela como o “grande escritor da felicidade”.

O escritor norte-americano Tobias Wolff e o norueguês Karl Ove Knausgård se encontram em debate sobre a relação entre ficção e confissão, ou criação literária e experiência pessoal. Enquanto Wolff é conhecido especialmente como contista e memorialista, Karl Ove ganhou projeção internacional após a publicação de Minha Luta, narrativa autobiográfica em seis volumes.

Especialmente expressiva nesta edição, a relação da literatura com o cinema, a música e arquitetura ajuda a quebrar a linha divisória entre as artes. Vai nesse sentido a presença do historiador da arte T.J. Clark, dos cineastas Eduardo Coutinho e Nelson Pereira dos Santos, da cantora Miúcha, do arquiteto Eduardo Souto de Moura e do célebre crítico de arquitetura da New Yorker Paul Goldberger. Num dos encontros mais aguardados da festa, Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli, professora emérita da UFRJ e da PUC-Rio, se encontram em mesa sobre Fernando Pessoa.

Outro dos grandes nomes internacionais convidados, o francês Jérôme Ferrari se junta ao brasileiro Daniel Galera para refletir sobre um elemento em comum das obras de ambos: a atualização de temas ligados à tragédia clássica, como o conflito entre ação humana e predestinação.

O cotidiano habita o trabalho das três jovens poetas Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques e Bruna Berber, que se reunirão na primeira mesa da Flip para falar sobre o lado ora cômico, ora melancólico, ora sublime dos dias comuns quando estes se tornam matéria de sua poesia. Zuca Sardan e Nicolas Behr, dois grandes satiristas brasileiros das últimas décadas, discutirão um estilo que ironiza consensos e costumes de forma igualmente poética e caricata, utilizando os recursos próprios da poesia, marcada pela invenção verbal e gráfica.

O autor e jornalista inglês Geoff Dyer e o escritor e editor norte-americano John Jeremiah Sullivan se juntarão em uma mesa da Flip para discutir o ensaio como gênero literário. Em torno do tema será também estruturada a Oficina Literária da 11ª Flip, coordenada pelo escritor e editor da revista serrote Paulo Roberto Pires (inscrições já encerradas).

Programação

Clique na imagem para visualizar em tamanho maior.

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Flip confirma presença de Tamim Al-Barghouti

Por Toda Letra em 15 de maio de 2013

A Flip confirmou a presença do escritor e cientista político palestino nascido no Egito Tamim Al-Barghouti. Apelidado de “o poeta da revolução” – depois que um poema de sua autoria foi declamado na praça Tahrir, no Cairo, durante os protestos contra o ditador egípcio Hosni Mubarak –, ele virá para a 11ª edição da Flip. Exilado do Egito em 2003, Tamim vive hoje em Washington e trabalha como professor convidado da Universidade de Georgetown.

Inspirado na Primavera Árabe, o pequeno poema Oh Egypt, it’s close foi publicado por Tamim em um jornal egípcio para o qual ele trabalha como colunista, justamente após o governo de Mubarak bloquear o acesso à internet no país. Os versos foram declamados por milhares de pessoas em meio às manifestações.

Apesar de ter obtido projeção internacional no ápice dos protestos, o poeta de 35 anos já era consagrado no meio literário do mundo árabe por suas poesias de cunho político e social. Tamim estudou política na Universidade do Cairo e na Universidade de Boston, onde alcançou o título de PhD em ciência política. Com dois livros publicados sobre história e política, além das coleções de poesia, ele é considerado um mestre da língua e história árabes.

Filho do poeta palestino Mourid Al-Barghouti e da romancista egípcia Radwa Ashour, Tamim nasceu na região de Deir Ghassanah, próximo a Ramallah, em 1977, ano em que o governo egípcio havia iniciado um processo de paz com Israel e tinha expulsado a maioria dos palestinos de destaque, incluindo o pai de Tamim. Im

erso na realidade do mundo árabe desde a infância, ele descobriu na literatura um meio de expressar os sentimentos de quem nasceu e cresceu em uma zona de conflito. Publicou o seu primeiro poema aos 18 anos.

Em 1999, aos 22 anos, Tamim retornou à Palestina pela primeira vez. Lá, ele lançou sua primeira coleção de poemas, intitulada Mijana. No Cairo, o poeta escreveu sua segunda coleção, Al Manzar. Em 2003, na véspera da invasão norte-americana ao Iraque, Tamim deixou o Egito em protesto contra o apoio do governo à guerra. Essa experiência resultou em dois trabalhos que, bem recebidos, deram fama a Tamim no mundo árabe. O primeiro foi Aluli-Bethebbe-Masr (They Ask: Do You Love Egypt?). O segundo, Maqam Iraq, foi descrito pela crítica como “algo que remete a uma clássica obra de arte árabe”.

Em 2007, seu trabalho Em Jerusalém tornou-se uma espécie de poema de rua, impresso em cartazes pendurados nas cidades palestinas, e Tamim foi chamado de “o poeta de Jerusalém“ pelos jornais palestinos. A obra, que descreve uma viagem abortada à cidade, tornou-se o mote de uma série de apresentações em Nablus, Ramallah, Hebron, Belém, Jericó, Amã, Beirute, Haia, Viena, entre outros lugares.

Hatoum de volta

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a Flip também confirmou a volta de Milton Hatoum a Paraty. Ele fará a conferência de abertura sobre o Graciliano Ramos, homenageado desta edição –em 27 de outubro, completam-se 120 anos do nascimento do escritor alagoano.

O autor de “Dois Irmãos” e “Cinzas do Norte” discorrerá sobre a importância da obra de Graciliano Ramos em várias áreas da cultura brasileira, incluindo o cinema e a política.

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Biblioteca Pública do Paraná promove bate-papo e exposição em homenagem a Jamil Snege

Por Toda Letra em 14 de maio de 2013

Um dos mais festejados escritores do Paraná, Jamil Snege (1939-2003) transitou por diversos gêneros, publicou 11 livros e, após uma década de sua morte, continua relevante. Para lembrar os dez anos sem o autor, a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) promove no dia 16 de maio, a partir das 19h, um bate-papo com escritores que foram amigos de Snege. Cristovão Tezza e Miguel Sanches Neto vão conversar a respeito da vida e da obra do autor de Como se fiz por si mesmo. A entrada é franca. Após o bate-papo, no hall térreo da BPP, será aberta uma exposição com fotos de Daniel Snege, filho mais velho de Jamil.

Premiado no Brasil e com obras traduzidas em diversos idiomas, Cristovão Tezza conviveu com Snege entre o final da década de 1960 e início dos anos 1970, período em que era um escritor iniciante. Já Miguel Sanches Neto editou alguns livros do Turco e acompanhou o autor em seus últimos anos de vida. Além de contarem epis

Inscrições abertas para o Prêmio Paraná de Literatura 2013

Por Toda Letra em 2 de maio de 2013

A Biblioteca Pública do Paraná lançou nesta segunda-feira (29) o Prêmio Paraná de Literatura 2013. Como na primeira edição, realizada no ano passado, o concurso da Secretaria da Cultura do Paraná vai selecionar livros inéditos em três categorias que homenageiam escritores importantes da literatura paranaense: Romance (prêmio Manoel Carlos Karam), Contos (prêmio Newton Sampaio) e Poesia (prêmio Helena Kolody)Em 2012, quase 900 obras foram inscritas por autores de todo o Brasil.


O vencedor de cada categoria receberá R$ 40 mil e terá sua obra publicada pela BPP, com tiragem de mil exemplares. Os premiados também receberão 100 cópias de seus livros e poderão, mais tarde, reeditar seus trabalhos por outras editoras. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 31 de julho (o edital com as regras e instruções está disponível nos sites bpp.pr.gov.br e seec.pr.gov.br). O resultado será divulgado na primeira quinzena de dezembro. O edital e a ficha de inscrição você encontra aqui.

Em 2012, os vencedores foram Alexandre Vidal Porto (com o romance Sergio Y vai à América), José Roberto Torero (Papis et circensis, contos) e Lila Maia (As maçãs de antes, poesia). Os três livros foram lançados e distribuídos pelo selo Biblioteca Paraná, que também edita autores paranaenses e resgata títulos relevantes que estejam esgotados ou fora de catálogo. Vidal Porto e Torero já confirmaram a reedição de suas obras pelas editoras Companhia da Letras e Alfaguara, respectivamente, enquanto Lila Maia promete para breve uma segunda impressão de seu trabalho.

“A publicação dos livros ganhadores também por gra

ndes editoras mostra a força do Prêmio Paraná de Literatura e a seriedade com que os jurados trabalharam na escolha dos vencedores”, afirma Rogério Pereira, diretor da BPP e presidente do júri — que em 2012 contou com nomes como José Castello, Luiz Ruffato, Marçal Aquino e Heloisa Buarque de Hollanda, entre outros. “A comissão julgadora é um dos pilares do Prêmio. Teremos um cuidado muito especial na escolha dos nove integrantes do novo júri”, completa Pereira.

Para o diretor da BPP, a preocupação central da organização do Prêmio Paraná é fortalecê-lo como um dos principais concursos literários do País. Para isso, foram mantidas a premiação em dinheiro apenas para os três primeiros colocados de cada categoria e a exigência de total ineditismo dos livros inscritos. “Os ganhadores com certeza serão reconhecidos como autores de qualidade, pois a disputa será sempre acirrada, levando em consideração o valor expressivo a ser pago. Além disso, um prêmio como este precisa surpreender o meio literário, despertar a curiosidade sobre a obra ganhadora. Daí a opção por trabalhos 100% inéditos”, explica.

“Quem ganha é o texto”

Vencedor na categoria Romance em 2012, Alexandre Vidal Porto diz que a premiação significou um impulso em sua carreira como escritor e o apresentou a outros públicos. “Como Sergio Y vai à América foi distribuído em bibliotecas e escolas, tenho recebido várias mensagens de leitores desse universo comentando algum aspecto da história.”

Praticamente desconhecida antes do concurso, Lila Maia conta que As maçãs de antes já recebeu críticas positivas de autores importantes como Affonso Romano de Sant’Anna, Marcelino Freire e Suzana Vargas. “O Prêmio Paraná tem essa característica muito importante de abrir portas para escritores que estão fora do circuito literário”, afirma.

José Roberto Torero, vencedor do Jabuti em 1995 por O Chalaça, destaca o fato de que a comissão julgadora do Prêmio Paraná avalia as obras inscritas sem saber quem são os participantes. “É muito melhor assim. Em outros prêmios, o nome do autor, da editora, os amigos e inimigos do autor e a cobertura da imprensa podem acabar influindo, para o bem ou para o mal. Aqui, não. Aqui quem ganha é o texto. E só ele é que importa

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Nova edição do Cândido discute hegemonia do Romance entre os gêneros literários no século XXI

Por Toda Letra em 23 de abril de 2013

Gênero que teve seu ápice no século XIX, o romance atravessou os últimos 100 anos sob constante ameaça, primeiro com o advento do cinema, depois da TV, mas, após ter sua morte decretada inúmeras vezes, por críticos e escritores, o gênero chega ao século XXI mantendo seu status de mais popular estilo narrativo.


Em sua 21ª edição, o jornal Cândido ouviu leitores, acadêmicos e editores, que explicam essa aparente contradição do gênero que deu ao mundo obras-primas como Dom Quixote e Memórias póstumas de Brás Cubas.

Em ensaio sobre as origens do Romance, a professora de literatura da PUC- Rio, Daniela Beccaccia Versiani, fala sobre a importância de Dom Quixote, um dos marcos do gênero, e traça as principais mudanças que a longa narrativa adquiriu até a publicação de Ulisses, o livro escrito pelo irlandês James Joyce que provocou uma verdadeira cisão na literatura mundial. A relevância do Romance no atual cenário literário é discutida em uma longa reportagem feita por Marcio Renato dos Santos, que ouviu editores como Ivan Pinheiro Machado, da L&PM , e Vanessa Ferrari, da Companhia das Letras, além de escritores como Raimundo Carrero,

Na seção “Perfil do Leitor”, um dos mais importantes produtores musicais da cena curitibana, Cyro Ridal, revela suas preferências literárias, que vão de clássicos como Rainer Maria Rilke e Rimbaud a escritores mais próximos da contracultura, como Sam Shepard e Jack Kerouac. A controversa obra do escritor francês, Louis Ferdinand Céline,Viagem ao fim da noite é recontada  na seção “Making Of”.

Entre os inéditos, Luiz Andrioli vai “Em Busca de Curitiba” com o conto “Passagem marcada”, André de Leones publica trecho de seu romance Terra de casas vazias, previsto para ser lançado ainda neste mês. A 21ª edição do Cândido ainda traz o conto “Samba em dor maior”, do londrinense Rogério Ivano, e poemas do ex-crítico musical e vocalista da banda Maria Angélica não mora mais aqui, Fernando Naporano, que faz sua estreia literária.

Serviço:

Cândido tem tiragem mensal de dez mil exemplares e é distribuído gratuitamente na Biblioteca Pública do Paraná e em diversos pontos de cultura de Curitiba. Também é enviado, via correio, a diversas partes do Brasil. É possível ler a versão online do jornal no seguinte endereço: www.candido.bpp.pr.gov.br . O site também traz conteúdo exclusivo, como entrevistas e inéditos.

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Gibiteca da Biblioteca Pública do Paraná passa por reestruturação

Por Toda Letra em 22 de abril de 2013

Referência para os fãs de histórias quadrinhos em Curitiba, a Gibiteca da Biblioteca Pública do Paraná passa por um processo de reestruturação. Desde julho de 2012, a BPP iniciou uma parceria com o estúdio de quadrinhos UCM Comics, que trabalha na renovação e organização do acervo, para oferecer um espaço mais completo, dinâmico e agradável ao público.

(Foto: Divulgação/BPP).

O primeiro passo do projeto foi a catalogação do acervo, que facilitou o acesso e a visualização de todo o material disponível na Gibiteca, cujo espaço físico também vem sendo repensado. “Depois de organizarmos as prateleiras, começamos a catalogação, um trabalho bastante extenso. Antes de concluirmos essa parte, mais exemplares surgiram: alguns de origem da reserva técnica e outros seis mil que vieram de uma doação anônima”, explica Fernando Rubel, um dos responsáveis pelo trabalho.

Segundo Rubel, a parceria entre a UCM Comics e a BPP também busca transformar a Gibiteca em um espaço que disponibilize produções paranaenses. “A ideia é que, quando se falar em quadrinhos locais, os interessados sempre pensem primeiro na Biblioteca Pública”, explica.

Eventos

Outro objetivo do projeto é fazer da Gibiteca um espaço de convivência. Em 2012, foram realizados dois eventos para aproximar artistas e o público: um encontro entre a cartunista Priscila Vieira e a Coordenadora da Gibiteca de Curitiba, Maristela Garcia, e um bate-papo com o quadrinista Denilson Santtos e o escritor André Vianco., que falaram sobre a adaptação para os quadrinhos o livro O turno da noite, de Vianco.

Em 2013, acontece o projeto mensal “RPG na BPP”, uma tarde dedicada aos fãs do jogo. A primeira edição aconteceu em 16 de março e a segunda está marcada para o próximo dia 20 de abril. Para participar, os interessados devem imprimir um “passe livre”, disponível no site www.uccomics.com, que deve ser apresentado na portaria da BPP. Não é necessário saber jogar.

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