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Arquivo da Categoria ‘Língua Portuguesa’

Sexta Sem Dúvida: currículo x curriculum

Por Toda Letra em 30 de agosto de 2013

A dúvida desta sexta-feira é da Fernanda Reigota. Ela conta: “Dou aula de empregabilidade e nesta semana um aluno me fez uma pergunta que me deixou confusa: o correto é escrever ‘curriculum’ ou ‘currículo’? Existe uma regra?”.

Creio que todos já se depararam com os dois termos e se fizeram a mesma pergunta em algum momento. “Currículo”, no entanto, nada mais é do que a forma aportuguesada da palavra em latim “curriculum”.

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Sendo assim, dá pra usar as duas, mas atenção: nada de misturas! Ou escreve “currículo” ou “curriculum vitae”. ;)

Esclarecido?

Se tiver alguma dúvida, mande pra gente no Facebook.

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, Diretora Geral da Toda Letra e Consultora de Língua Portuguesa.

Sexta Sem Dúvida: que x quê

Por Toda Letra em 16 de agosto de 2013

Hoje, esclareço a segunda dúvida da Jéssica Carvalho. Agora, ela questiona o acento na palavra QUE.

A palavra QUE, na língua portuguesa, pode, algumas vezes, aparecer acentuada. Isso acontece quando está no fim do texto. A explicação para isso se deve ao fato de que a nossa fala tem tonicidade na parte final de nossas frases, ou seja, o acento, o ritmo da nossa fala é mais evidente no final de nossas sentenças. É por isso que o QUE e também o POR QUÊ aparecem acentuados nessas condições.

Veja os exemplos:

Perguntei o motivo da briga mas ele não explicou por quê.
Ele apenas se questionou: brigara para quê?

E aí, esclarecido?Então, já sabe: se tiver alguma dúvida, manda pra gente no Facebook!

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, Diretora Geral da Toda Letra e Consultora de Língua Portuguesa.

O óculos x os óculos

Por Toda Letra em 2 de agosto de 2013

Há alguns dias, recebemos o seguinte recado da Carla Del Valle no Facebook: “Ultimamente tenho visto muito o uso ‘o óculos’ e, quando eu estive na escola, a regra culta mandava tratarmos ‘óculos’ como um plural. Quem está certo – eu ou o resto do mundo?”.

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Boa observação, não acham? Trata-se de um erro bastante frequente. Quem nunca ouviu alguém dizendo “pega o meu óculos”, por exemplo? É comum.

No entanto, quem está certa é a Carla. Óculos devem estar no plural, porque, apesar de a palavra semanticamente indicar singular, morfologicamente ela é considerada plural. E o que vale para o uso do artigo é a questão morfológica.

Ou seja, não se esqueçam: OS óculos. Sempre.

Mais alguma dúvida? Contem com a gente! Mandem suas perguntas por mensagem lá no Facebook!

Estado ou estado?

Por Toda Letra em 26 de julho de 2013

O jornalista Jeferson Nunes nos perguntou, via Facebook, quando a palavra “estado” deve ser escrita com inicial maiúscula. Confira a resposta da Ana Paula Mira, Consultora de Língua Portuguesa e Diretora Geral da Toda Letra:

“A grafia de Estado e estado não segue uma lógica unânime entre as gramáticas, especialmente depois dos Manuais de Redação elaborados por grandes jornais, como Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, O Globo etc.

Na gramática normativa, deve haver diferença na grafia. Quando Estado se refere a nação, deve ser grafado em letra maiúscula. “É dever do Estado garantir educação à população”. Algumas gramáticas também trazem como obrigatório quando se referem a unidades da federação, como na frase “Visitei o Estado da Bahia”. No entanto, em muitos manuais e na concepção mais moderna da escrita, que leva em consideração o uso mais difundido da língua, esta última explicação não cabe, por isso é comum vermos “O prefeito do estado da Bahia declarou estado de emergência”.

O que vale, então, é estar atento ao que ditam as normas do lugar onde se trabalha ou seguir a gramática nua e crua. Há justificativas para os dois usos.”

E aí, tem alguma dúvida? Manda pra gente lá no Facebook!

 

Sexta Sem Dúvida: “proibido a entrada” x “proibida a entrada”

Por Toda Letra em 28 de junho de 2013

Um dia desses, o Jeferson Nunes enviou uma charge curiosa para a nossa página no Facebook. Nela, o Benett (chargista da Gazeta do Povo) coloca uma placa que diz: “Proibido a entrada de estranhos”. O questionamento era: será que ele cometeu algum erro de português? Nós respondemos que, sim, ele errou.

Justificativa:

Com a expressão “é proibido”, a concordância pode ser feita de duas maneiras: “É proibido entrada” ou “É proibida a entrada”. Isso porque a palavra “proibido” só concordará com o substantivo quando tiver artigo na frente, ou seja, se estiver definido. Na charge do Benett, a palavra “entrada” tem esse artigo na frente, portanto o correto seria “proibida”.

E aí, resta alguma dúvida? Mande para a nossa página no Facebook.

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, Diretora Geral da Toda Letra e Consultora de Língua Portuguesa. 

Redações do ENEM apresentam erros de Língua Portuguesa, mas garantem notas altas

Por Toda Letra em 20 de março de 2013

As notícias de que redações do Exame Nacional do Ensino Médio com erros de Língua Portuguesa teriam garantido nota alta suscitaram polêmicas e discussões nas redes sociais nesta semana. Em um dos exemplos compartilhados pelos internautas, estava a indignação com a nota de um aluno que escreveu uma receita de como preparar macarrão instantâneo em três minutos no corpo do texto. Em outro, o hino do Palmeiras garantiu uma nota de 500 pontos. Por fim, reportagem publicada no jornal O Globo mostrou que redações que atingiram a nota máxima – 1.000 pontos – tinham erros graves de Língua Portuguesa. Segundo O Globo, havia erros como ‘enchergar’ e ‘trousse’.  Também foram percebidos problemas de concordância em algumas redações.

Em entrevista à Toda Letra, um corretor das provas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio comentou as recentes notícias e o critério de avaliação do Exame.

Em nota, o Ministério da Educação explicou que o texto é analisado como um todo, e o que importa mesmo é que candidato tenha um excelente domínio do português, mesmo que ele cometa pequenos desvios gramaticais.

Procuramos corretores das regiões Sul e Sudeste para comentar as últimas notícias do ENEM. Na opinião de um corretor ouvido pela Toda Letra, que não pode ser identificado por ter assinado termo de sigilo ao aceitar fazer o trabalho para o INEP, “os erros comprometem, mas, infelizmente, os critérios são permissivos demais”.  Segundo ele, há cinco competências analisadas, e a fuga ao tema é indicada apenas quando o candidato não faz nenhuma referência ao que foi pedido. “É fácil uma redação ganhar alguma nota, mesmo que contenha absurdos no meio do texto. Se a redação com a receita do miojo fosse zerada, com certeza o texto seria analisado por uma equipe que criticaria a anulação e cobraria isso do corretor responsável”, afirma.

Texto, conteúdo, erros

Perguntamos a um dos corretores o que importa mais nestes casos: a essência do texto, o conteúdo, ou os próprios erros? “É um misto de fatores”, explica um dos corretores ouvido pela Toda Letra. “Não dá para ignorar erros absurdos de ortografia, ainda que o texto seja claro e com boa argumentação. É claro que os erros por si só não devem anular a redação, mas a penalidade deveria ser maior. Ao não dar a devida importância a esses erros, estamos formando uma legião de jovens que acham que o mercado de trabalho também reage assim”, explica.  O corretor lembra que já ouviu muitas histórias de candidatos a vagas de trabalho que não passaram em testes de seleção devido a erros como os mostrados nas redações do ENEM.

O sistema de avaliação por competência do Exame Nacional do Ensino Médio, na opinião do corretor, é “muito tolerante”. “A pressão para não ‘pesar’ a mão na hora da correção é muito grande, tanto para corretores quanto para supervisores”, encerra.

 

 

Sexta sem Dúvida: S com som de Z!

Por Toda Letra em 15 de março de 2013

Ana Paula Mira*

A Aline Lima nos perguntou via Facebook: Existe uma regra específica para as palavras em que o S não está entre duas vogais e mesmo assim faz som de Z? Por exemplo: Trânsito, transa, transação…

Oi, Aline! O S terá som de Z quando estiver entre duas vogais (asa, fase) ou quando for seguido de uma consoante chamada “vozeada“. Essas consoantes, em português, são “b, d, g, v, m, n, r, l” (mesmo, Israel, resvalar). Apesar dessas duas regras, não signfica que não há exceções, tanto que há várias palavras em que o S não está entre duas vogais e, mesmo assim, apresentam o som de Z, como as palavras “trânsito” e “transa”, por exemplo.

Se você tiver alguma dúvida de Língua Portuguesa, mande para nós! :)

*Ana Paula Mira é consultora de Língua Portuguesa, diretora geral da Toda Letra, jornalista, mestre em administração e marketing e professora de jornalismo. 

Samba enredo: Língua Portuguesa

Por Toda Letra em 12 de fevereiro de 2013

Você sabia que em 2007 a Flor do Lácio foi tema de um samba enredo no carnaval carioca? A Estação Primeira de Mangueira homenageou a nossa bela Língua Portuguesa.

Quem sou eu?
Tenho a mais bela maneira de expressar
Sou Mangueira… uma poesia singular
Fui ao Lácio e nos meus versos canto a última flor
Que espalhou por vários continentes
Um manancial de amor
Caravelas ao mar partiram
Por destino encontraram o Brasil…
Nos trazendo a maior riqueza
A nossa Língua Portuguesa
Se misturou com tupi tupinambrasileirou
Mais tarde o canto do negro ec

oou
Assim a língua se modificou

Eu vou nos versos de Camões
Às folhas secas caídas de Mangueira bis
É chama eterna dom da criação
Que fala ao pulsar do coração

Cantando eu vou
Do Oiapoque ao Chuí ouvir
A minha pátria é minha língua
Idolatrada obra-prima te faço imortal
Salve… poetas e compositores
Salve também os escritores
Que enriqueceram a tua história
Ó meu Brasil…
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Hoje a herança portuguesa nos conduz
A Estação da Luz!

Vem no vira da Mangueira vem sambar
Meu idioma tem o dom de transformar bis
Faz do palácio do samba uma Casa Portuguesa
É uma Casa Portuguesa com certeza

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Adiamento da nova ortografia causa confusão e debates

Por Toda Letra em 8 de janeiro de 2013

O Governo Federal decidiu adiar a implementação do Acordo Ortográfico no Brasil. Em decreto publicado no Diário Oficial no dia 28 de dezembro, a Presidente Dilma Rousseff estende o prazo de adaptação para 31 de dezembro de 2015. Até lá, coexistirão as duas ortografias. Anteriormente, o Acordo deveria ser colocado em prática já a partir de 1º de janeiro de 2013, mas por sugestão dos senadores Cyro Miranda (PSDB-GO) e a senadora Ana Amélia (PP-RS), o projeto de lei que pedia o adiamento das novas regras, foi apresentado no Senado no fim do ano passado.

Ana Paula Mira é diretora geral da Toda Letra, consultora de Língua Portuguesa, jornalista e professora universitária.

Para a consultora de Língua Portuguesa, Ana Paula Mira, não havia a necessidade de postergar o acordo. “O adiamento do novo acordo apenas atrasa algo que já está certo. Alguns países, como Brasil e Portugal, têm esperança de alterar alguns pontos do acordo, mas isso é bem complicado, tendo em vista que é necessária a aprovação de todos os países da Comunidade dos Países Falantes de Língua Portuguesa”, afirma Ana Mira, que também é professora universitária de Língua Portuguesa.

Adaptação
O período para adaptação em Portugal começou somente no ano passado e se estenderá até 2015, enquanto que os brasileiros tiveram, inicialmente, de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012 como prazo de adaptação. Segundo Ana Paula Mira, nenhum período apontado será “suficiente”. “Acredito que nenhum prazo que deem será suficiente para adaptação total, já que é muito difícil reaprender algo que já está tão intrínseco a cada um de nós. Mas é preciso estabelecer uma data e acredito que os quatro anos iniciais eram satisfatórios. No entanto, a extensão do prazo trouxe o assunto à tona novamente, o que faz as pessoas irem atrás dessa qualificação”, acredita Ana Mira.

Para saber mais sobre as mudanças do Acordo na ortografia brasileira, é possível acessar as postagens especiais da Toda Letra aquiEm 2013,  a Toda Letra irá ofertar novos cursos para quem quiser aprender (ou reaprender) as regras do Acordo Ortográfico.

 

 

Sexta Sem Dúvida: Esta/Essa

Por Toda Letra em 28 de setembro de 2012

Hoje, vamos responder a dúvida do Jefferson Nunes enviada pelo nosso Facebook, sobre o uso de esta/essa.

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Para utilizar esse pronome, temos três regras principais: em relação ao espaço, ao tempo e ao discurso.

Quando temos situação de espaço, usamos em relação ao falante, ouvinte e alguém distante do falante e do ouvinte. Por exemplo, dizemos “este lápis é meu“, “esse lápis é seu” e “aquele lápis é dele“. No entanto, quase nunca aparece essa situação quando estamos escrevendo. As mais comuns na escrita são as regras referentes ao tempo e ao discurso.

Em uma relação de tempo, usamos “este” para o tempo presente ou futuro: “Neste ano, devo passar as férias estudando”. Para nos referirmos ao tempo passado, mas não tão afastado, usamos “esse”: “Viajamos em janeiro e esses dias foram agradáveis”. Quando o tempo está bastante afastado, utilizamos “aquele”: “A ditadura militar calou muitas pessoas; naqueles anos, muitos sumiram ou foram mortos por serem contra o regime”.

Por fim, temos a regra que se remete ao próprio discurso – diga-se de passagem, a regra mais utilizada! Ela é colocada em prática quando usamos “este” para algo que ainda vai ser citado (Esta é minha decisão final: não iremos viajar!) e “esse” para termos já referenciados (Não iremos viajar; essa é minha opinião final!). Ainda há a opção do uso do “aquele” nessa situação, quando nos referimos a três termos distintos na frase. Veja o exemplo: “Nosso estado é formado por várias etnias, entre elas a polonesa e a alemã. Esta foi responsável por colonizar áreas centrais do estado e aquela por chegar ao oeste da região”.

As três regras apresentadas também se aplicam ao uso de nesta/nessa/desta/dessa e todas as contrações de preposições com os pronomes.

E você tem alguma dúvida? Mande pra gente através dos comentários, da nossa página no Facebook ou pelo nosso Twitter.