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Arquivo da Categoria ‘Educação’

Integrante da Comissão Nacional da Verdade deseja revisão da ditadura nos livros didáticos

Por Toda Letra em 20 de fevereiro de 2013

O ex-procurador Geral da República Cláudio Fonteles, um dos integrantes da Comissão Nacional da Verdade, quer que seja feita revisão da história do Brasil durante o governo militar, iniciado em 1964, nos livros didáticos usados em todas as escolas militares, assim como nas publicações usadas em escolas civis.

“Se você tem a lei que diz que o que aconteceu neste País foi um Estado que violou gravemente os direitos da pessoa humana, como é que isso se concilia com você ensinar aos jovens, aos escolares e mesmo àqueles jovens que devem fazer a carreira militar, que o papel deles é de interferir no processo político violentamente, torturar e matar? Não pode. É uma afronta ao quadro normativo”, disse Fonteles.

Por isso, prosseguiu o ex-chefe do Ministério Público Federal, “há que haver uma reformulação e dizer que o que aconteceu foi um golpe, foi uma ruptura do processo democrático”. “Temos uma Constituição para ser vivida e cumprida”, disse Fonteles, que já coordenou a comissão.

Militares são contra

As declarações de Fonteles incomodaram militares. O presidente do Clube Naval, almirante Veiga Cabral, disse que, assim, a comissão levará “distorções em relação à história do Brasil aos colégios”. Cabral queixou-se de que o grupo está “trabalhando de forma parcial” porque “não está ouvindo os militares”. “Quando se quer reconstituir, de fato, a verdade, é preciso ouvir os dois lados”, afirmou.

Rubens Paiva

No programa, Fonteles afirmou que todos os militares “convocados” a comparecer à comissão são obrigados a dar depoimento. Falando no caso da morte de Rubens Paiva, ele foi mais incisivo: “Se ela (a pessoa) não quiser depor, ela responde ao crime de desobediência. E se ela não quiser ir depor, ela pode ser conduzida coercitivamente. Não com violência, mas alguém a pegar pelo braço e a levar lá”.

Para o almirante, “esta é uma forma brutal de agir porque estamos em um estado democrático de direito e, neste caso, estão tratando de um assunto já julgado pelo Supremo Tribunal Federal”. “Você não pode arrastar o cara pelo braço para obrigá-lo a depor sobre um tema vencido. Não é assim que se reconstitui a história.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo 

Menos da metade dos professores de escolas públicas leem no tempo livre

Por Toda Letra em 7 de fevereiro de 2013

Um cabo de vassoura que era capaz de falar e sentir era o protagonista do primeiro livro lido pela então adolescente Denise Pazito. Hoje, professora e pedagoga no Espírito Santo, ela fala da experiência em seu blog. “O livro foi indicado pela escola. Provavelmente, eu estava no 4° ou 5° ano. Ele se chamava Memórias de um Cabo de Vassoura e o seu autor era Orígenes Lessa. Professora inspirada a minha. Acertou na mosca. Uma história encantadora. Me encantou pelo mundo das letras.”

Mas assim como são capazes de encantar, os professores têm em suas mãos o poder de desencantar, não por intenção, às vezes por desconhecimento. Uma pesquisa feita pelo QEdu: Aprendizado em Foco, uma parceria entre a Meritt e a Fundação Lemann., organização sem fins lucrativos voltada para educação, mostra que menos da metade dos professores das escolas públicas brasileiras tem o hábito de ler no tempo livre.

Baseado nas respostas dadas aos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e divulgados em agosto do ano passado, o levantamento do QEdu mostra que dos 225.348 professores que responderam à questão, 101.933 (45%) leem sempre ou quase sempre, 46.748 (21%) o fazem eventualmente e 76.667 (34%), nunca ou quase nunca.

No caso de Denise, a leitura levou essa prática para as salas de aula, no entanto, muitos brasileiros terminam o ensino básico sem ler um livro inteiro. Para além da falta do hábito de leitura, a questão pode estar ligada a infraestrutura.

“O número de professores que não leem é chocante, mas isso pode estar ligado ao acesso. É preciso lembrar que faltam bibliotecas e que um livro é caro. Um professor de educação básica ganha em média 40% menos que um profissional de ensino superior. Acho que faltam políticas de incentivo. Não acredito que seja apenas desinteresse”, diz a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Um levantamento divulgado em janeiro pelo movimento mostra que o Brasil precisa construir 128 mil bibliotecas escolares em s

ete anos para cumprir uma lei federal que vigora desde 2010. Segundo a pesquisa, faltam 128 mil bibliotecas no país. Para sanar esse déficit até 2020, deveriam ser erguidos 39 espaços por dia, em unidades de ensino públicas e particulares. Atualmente, a deficiência é maior nas escolas públicas (113.269), o que obrigaria a construção de 34 unidades por dia até 2020.

Para Priscila, uma possível solução seriam os livros digitais. O Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado) do Ministério da Educação distribui equipamentos tecnológicos nas escolas e oferece conteúdos e recursos multimídia.

Além disso, o governo facilita o acesso aos conteúdos por meio da distribuição de tablets, tanto para professores quanto para estudantes. No ano passado, o MEC transferiu R$ 117 milhões para 24 estados e o Distrito Federal para a compra de 382.317 tablets, destinados inicialmente a professores do ensino médio.

Sobre o acesso digital, os dados do levantamento do QEdu mostram que 68% dos professores (148.910) que responderam à pergunta usam computador em sala de aula. O estado com a maior porcentagem é Mato Grosso do Sul: 95% dos professores disseram que usam o equipamento. O Maranhão é o estado com a menor porcentagem (50,5%) de professores fazem o uso do computador. É lá também onde se constatou a maior porcentagem de escolas onde não há computadores: 38,3%. Estão no Sudeste, no entanto, as maiores porcentagens dos professores que acreditam não ser necessário o uso de computador nas salas: Minas Gerais (16%), Rio de Janeiro (15,4%) e São Paulo (15%).

O responsável pelo estudo, o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins, diz que o país ainda tem problemas estruturais que dificultam o acesso a tecnologias. “Existem muitos desafios no país ligados a problemas de infraestrutura. Não apenas de acesso às máquinas, mas de acesso à internet, à qualidade dos sinais”, disse.

Ao recepcionar o professor norte-americano, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ressaltou a importância dos meios digitais: “O conteúdo ao qual o filho dos mais ricos tem acesso pode ser dado aos menos servidos de educação. Queremos tornar a educação não algo escasso, mas um direito humano que todas as pessoas possam ter”, disse.

As informações são da Agência Brasil.
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Livro digital chega às escolas públicas em 2015

Por Toda Letra em 31 de janeiro de 2013

Estudantes do ensino médio vão usar livros digitais a partir de 2015. O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) abriu na segunda-feira (21) o período para inscrições de obras destinadas a alunos e professores da rede pública. A partir de agora, as editoras também poderão inscrever livros digitais – cujo acesso pode ser feito em computadores ou em tablets.

A outra novidade é a aquisição de livros de arte para os alunos do ensino médio da rede pública. Os demais livros a serem comprados pelo governo são os de português, matemática, geografia, história, física, química, biologia, inglês, espanhol, filosofia e sociologia.

Os títulos inscritos pelas editoras são avaliados pelo Ministério da Edu

cação que elabora o Guia do Livro Didático com resenhas de cada obra aprovada. Esse guia é disponibilizado às escolas que aderiram ao PNLD do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Cada escola escolhe, então, os livros que deseja utilizar.

De acordo com o Ministério da Educação, a previsão inicial de aquisição para 2015 é de aproximadamente 80 milhões de exemplares para atender mais de 7 milhões de alunos.

A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso, ter o mesmo conteúdo e incluir conteúdos educacionais digitais como vídeos, animações, simuladores, imagens e jogos para auxiliar na aprendizagem. Também continua permitida a apresentação de obras somente na versão impressa para viabilizar a participação das editoras que ainda não dominam as novas tecnologias.

As informações são da Agência Brasil.

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Inscrições abertas para Curso de Educação, Comunicação e Práticas de Ensino

Por Toda Letra em 24 de janeiro de 2013

A equipe do projeto Ler e Pensar, projeto do Instituto GRPCOM,  está selecionando estudantes a partir do 3º período de licenciatura e professores licenciados para participar de uma formação gratuita com certificação de 95 horas em atividades complementares, formativas ou estágio. O curso, ofertado na modalidade semipresencial, contempla uma formação teórica e prática que abrange as áreas de educação, comunicação e produção de material didático. Serão formadas turmas para o primeiro semestre e para o segundo semestre de 2013.

Depois de passar pela formação teórica a distância, os participantes frequen

tam oficinas nas quais escrevem sugestões de atividades pedagógicas com matérias da Gazeta do Povo. Essas atividades são publicadas em uma página no BOLO – Boletim de Leitura Orientada, enviado quinzenalmente a mais de 3.640 professores participantes do projeto Ler e Pensar em todo Paraná. As inscrições vão até 25 de fevereiro de 2013, unicamente on-line. Para fazer a sua, clique aqui.

Para conferir o edital, clique aqui. Se quiser conhecer o calendário dos dois semestres, clique aqui.

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Universidade Federal do Paraná (UFPR) comemora 100 anos com selo comemorativo

Por Toda Letra em 19 de dezembro de 2012

A primeira universidade do Brasil, Universidade Federal do Paraná (UFPR), completa 100 anos nesta quarta-feira (19). Para comemorar, os Correios lançam um selo comemorativo durante a sessão solene em comemoração ao aniversário da instituição de ensino no Teatro Guaíra, em Curitiba.

O selo mostra uma foto  com tonalidade cinza do Prédio Histórico da UFPR, que fica na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba. A arte da foto é de autoria de Ângelo José da Silva. O selo terá tiragem de 300 mil exemplares, com valor facial de R$ 1,20 a unidade, e pode ser adquirido nas agências dos Correios, loja virtual (www.correios.com.br/correiosonline) e na Central de Vendas a Distância (centralvendas@correios.com.br).

História

A história da UFPR começa em 1892, quando o político Rocha Pombo lança, na Praça Ouvidor Pardinho a pedra fundamental da Universidade do Paraná. Mas, devido à instabilidade gerada pela Revolução Federalista que ocorria no Sul do Brasil em função da divergência entre as elites federalistas e republicanas, o projeto não foi adiante.

Foi apenas em 1912, quando se avaliou que o Paraná precisava de mais intelectuais porque seu número era reduzido, que se iniciou novamente o movimento pró-Universidade do Paraná. Nessa época, as lideranças políticas também se mobilizaram em prol da criação da Universidade, pois o Paraná havia perdido a Região do Contestado para Santa Catarina.

No dia 19 de dezembro de 1912, Victor Ferreira do Amaral e Silva liderou a criação efetiva da Universidade do Paraná. Era uma época próspera da economia paranaense, devido à abundante produção e ao frutífero comércio da erva-mate. “O dia 19 de dezembro representava a emancipação política do Estado e deveria também representar sua emancipação intelectual”, proclamou Victor Ferreira do Amaral.

Prédio Histórico

Símbolo da cidade, o Prédio Histórico, localizado na Praça Santos Andrade,  começou a funcionar em 1913, inicialmente como instituição particular. Os primeiros cursos ofertados no prédio foram Direito, Ciências Sociais, Engenharia, Medicina e Cirurgia, Comércio, Odontologia, Farmácia e Obstetrícia. Hoje abriga os cursos de Direito e Psicologia.

O HC foi fundado em 1953, com a instituição já pública, e hoje é o hospital com maior número de pacientes do estado.

Último ano para a velha escrita

Por Toda Letra em 20 de março de 2012

Jônatas Dias Lima

Via Gazeta d0 Povo

A partir de 1.º de janeiro de 2013, quem escrever “idéia”, “vôo” ou “mini-saia” estará oficialmente cometendo um erro de ortografia. No Brasil, o prazo de adaptação às novas regras trazidas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa acaba neste ano e, embora apenas 0,5% do vocabulário usado pelos brasileiros tenha sido afetado, as mudanças ainda não foram completamente assimiladas por estudantes e professores.

O documento foi assinado em 1990 por Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Mo­­çambique e São Tomé e Prín­cipe, com adesão de Timor-Leste em 2004. Modificações posteriores e a falta de consenso entre os países adiaram a promulgação definitiva das mudanças em 17 anos. Quando a última versão do acordo foi finalmente aprovada, em 2008, o governo brasileiro estabeleceu o período de quatro anos para que a sociedade se habituasse à nova ortografia e todos os livros didáticos da rede pública de ensino fossem atualizados.

Reação europeia

“Abrasileiramento” gera críticas

Em Portugal, embora o prazo para adaptação à nova ortografia seja mais extenso – até 2015 –, as críticas ao acordo por parte de editoras e escritores são notoriamente mais intensas. A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros já manifestou publicamente sua preocupação quanto ao possível enfraquecimento das editoras portuguesas nos países africanos e acusa o Brasil de fazer pressão pela unificação.

Outra entidade relevante no setor, a Associação Portuguesa de Linguística, chegou a pedir por meio de nota a suspensão do acordo, alegando que o documento não foi “objeto de análise técnica rigorosa”.

Expressão

Articulistas contrários à mudança difundiram nos meios de comunicação a expressão “abrasileiramento da escrita” para se referir ao acordo ortográfico, argumentando que o número de vocábulos alterados em Portugal (1,6%) é maior do que no Brasil (0,5%), deixando o idioma unificado mais próximo da versão brasileira.

A modificação mais polêmica entre os portugueses foi a abolição das consoantes mudas em palavras como “óptimo” ou “facto”, usadas em grande quantidade de termos comuns ao vocabulário do cotidiano. (JDL)

Interatividade

Você já se adaptou às novas regras ortográficas? Qual a sua maior dificuldade?

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br

As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

Escolas de todo o país trabalham as mudanças ortográficas desde a promulgação, mas a falta do hábito de consultar dicionários e outras fontes gramaticais parece ser uma das causas do pouco domínio das novas regras. “A maior dificuldade dos meus alunos está no uso do hífen. Isso só se aprende checando a forma certa a cada vez que surge a dúvida”, diz a professora de Produção de Texto do Colégio Acesso Suzelei Carvalho Rosales. Ela conta que ainda vê a grafia de algumas palavras com estranheza e precisa ser cuida

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dosa ao corrigir redações. “Eu sinto falta do trema e do acento circunflexo para diferenciar palavras. Alguns detalhes ainda não são naturais para mim.”

O professor Élio Antunes, do Curso Expoente, reforça a tese de que o grande vilão do acordo ortográfico é o uso do hífen. “Num ditado, a cada cinco palavras que digo, meus alunos erram três por não saber se vai ou não hífen”, conta. Segundo Antunes, é mais comum os vestibulandos optarem por escrever outras palavras que não precisem de hífen do que se empenhar em aprender a norma de uso.

O impacto da mudança tem mais efeito sobre alunos do 5.º ao 9.º ano do ensino fundamental. Alfabetizados com a ortografia antiga, eles tiveram de deixar para trás as normas que haviam aprendido há pouco tempo e aderir às novidades ainda no tempo escolar, usando alguns livros atualizados e outros com edições anteriores ao acordo.

Rede pública

De acordo com a prefeitura de Curitiba, professores, educadores e secretários que trabalham na rede municipal de ensino recebem capacitação específica para as novas regras ortográficas há três anos. “Em 2009, promovemos cursos com carga horária [total] de 12 horas sobre ortografia, todos os dias da semana, nos três períodos do dia”, conta Simone Müller, coordenadora de Língua Portuguesa no Depar­­tamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Edu­cação. Em 2010 e 2011, os cursos continuaram em menor frequência. Neste ano, nenhum encontro ocorreu, mas oportunidades de­­vem ser abertas no segundo se­­mestre.

Na rede estadual, a Secretaria de Estado da Educação informou que o tema é tratado em todos os encontros de formação para professores desde 2009 e que equipes para orientação metodológica são mantidas nos Núcleos Regionais de Educação.

Serviço

No site www.portugues.seed.pr.gov.br há uma seção específica sobre o acordo ortográfico, com as principais mudanças e ferramentas para trabalhar o assunto em sala de aula.

Falta de prestígio da língua motivou o acordo

Embora defensores do acordo ortográfico listem uma série de benefícios que justificam a unificação do português usado em todos os países lusófonos, especialistas envolvidos no debate afirmam que a motivação principal seria o aumento do prestígio da língua portuguesa diante de instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas. Mesmo sendo a sexta língua com o maior número de falantes no mundo, as traduções de documentos internacionais frequentemente deixam a versão portuguesa em segundo plano, privilegiando idiomas como francês, alemão ou italiano – todas com número de falantes inferior ao português.

Duas grafias

Segundo a doutora em Estudos Linguísticos e professora do curso de Letras na Pontifícia Univer­sidade Católica do Paraná Angela Mari Gusso, essa discriminação ocorre porque a língua portuguesa é até hoje a única no mundo ocidental com duas grafias oficiais diferentes. “Isso gera uma série de problemas porque todo texto traduzido para o português, na verdade, precisa ser traduzido duas vezes: uma para o português europeu e outra para o português brasileiro”, considera.

A professora explica que o surgimento de duas versões distintas do mesmo idioma ocorreu porque, no passado, Brasil e Portugal fizeram modificações por conta própria, sem acordos que mantivessem a unidade linguística. “Quando o Brasil adotou o trema, por exemplo, Portugal não o fez. E os países africanos acompanharam a versão europeia”, conta. Na opinião de Angela, logo que a unificação for concluída, as traduções para o português tendem a se tornar mais frequentes.

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A falta de acento e o bico do príncipe

Por Toda Letra em 15 de março de 2012

Fernando Molica*

O príncipe Harry engarrafou o trânsito e, à sua revelia, ajudou a ressaltar um problema na língua portuguesa. Para noticiar a confusão gerada por sua ida do Tom Jobim à Zona Sul, um jornal registrou na Internet: “Harry para o trânsito”. A manchete era curta, informativa, correta. O problema é que nem todo mundo dá bola para a papagaiada daquela espécie de escola de samba britânica que apresenta sempre um enredo manjado, baseado em historinhas de príncipes e princesas. Muita gente se lixa para a Unidos da Rainha, não quer saber do desfile deste ou daquele coroado. Ao ler a tal manchete, uma dessas pessoas pode ter achado que um sujeito chamado Harry estaria cotado para assumir a presidência da CET-Rio: “Harry para o trânsito”.

A culpa é do acordo ortográfico que, sob a desculpa de uma unificação, criou uma versão do idioma português que comete o disparate de desassociar grafia e pronúncia, como na eliminação do acento agudo de “pára”. Há casos mais graves, como ressaltou outro dia um internauta. Quando lemos “Justiça para o Brasil”, não sabemos se se trata de uma campanha ou de uma constatação. O trema era a tradução da necessidade de fazermos bico para falar “consequência”. Foi-se o trema, ficaram o bico e a importância de ter alguém que explique a futuros falantes a obrigação

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de se emitir um som não explicitado na palavra escrita. Também foi jogado para o espaço o acento que indicava o som aberto em “paranoia”.

A unificação virou piada de brasileiro. Ontem, o jornal português ‘A Bola’ assim reproduziu a frase em que Romário relacionava a saída de Ricardo Teixeira da CBF à extirpação de um câncer: “Eliminámos um cancro” — repare no acento agudo. “Factos”, assim, com “c”, continuam a ser publicados no ‘Diário de Notícias’, que também não abre mão de chamar de “selecção” o time, digo, a equipa nacional.

Jornais têm a obrigação de apresentar fatos de maneira objetiva, não podem abrir mão do compromisso com a clareza, são obrigados a evitar a dubiedade. Em nome desses princípios, deveriam articular um pacto de desobediência civil e recuperar o uso, pelo menos, dos acentos diferenciais. Seria um bom começo, facilitaria a vida dos leitores e até a do Harry — vai que ele aceita o pedido de casamento feito por uma repórter de O DIA e seja obrigado a aprender português. Ficará feliz em saber o motivo de fazer biquinho quando, numa churrascaria rodízio, pedir mais uma linguiça.

Fernando Molica é jornalista e escritor. Reproduzido de O Dia.

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Marcos Bagno defende em livro a 'gramática do português brasileiro'

Por Toda Letra em 13 de fevereiro de 2012

Em “Gramática Pedagógica do Português Brasileiro”, o pesquisador em linguística Marcos Bagno compila o que os leitores de Caros Amigos conhecem de seu trabalho através da coluna que mantém na revista. Bagno defende a libertação da língua praticada no Brasil das regras seculares do português de Portugal e uma gramática que contemple os modos do falar brasileiro.

O livro, publicado pela editora Parábola, já está nas livrarias. Na entrevista abaixo, elaborada pela educadora Solange Americano, formada em letras pela USP e que atua no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), Bagno descreve um pouco o que está na obra.
Caros Amigos - O livro derruba  o  mito de que falamos todos a mesma língua no Brasil esclarecendo que monolinguismo e homogeneidade linguística são bem diferentes. O que  caracteriza o português brasileiro contemporâneo?

Marcos Bagno: O português brasileiro contemporâneo é como qualquer outra língua viva contemporânea: uma língua em constante mutação, instável, sempre em processo de se fazer e refazer. Toda e qualquer língua viva é sempre uma língua que “está”, nunca uma língua que “é”, porque nós falantes não paramos de modificar nossas línguas o tempo todo. Num país gigantesco como o nosso, com situações sociais tão diversificadas, climas, etnias, economias diferentes etc., a língua também é diversificada, heterogênea, variável e mutante.

CA – O que deve vir primeiro: o estudo da língua ou o domínio da escrita e leitura?
MB - Sem dúvida nenhuma, o domínio da leitura e da escrita, ou seja, o letramento. Saber ler e escrever com competência e criatividade é o conhecimento mais importante para a plena conquista da cidadania numa sociedade republicana e democrática. O estudo da língua, o estudo específico e técnico da língua, deve ser deixado para depois que a pessoa tiver um bom grau de letramento. Além disso, no processo de aprendizagem da leitura e da escrita é inevitável que a pessoa estude também o funcionamento da língua, reflita sobre ele, intua as regras. Mas isso pode ser feito sem análise sintática e sem decoreba de nomenclatura.

CA – O que seria uma política linguística para o Brasil?
MB – Seria uma política com dois focos, um para o interior e outro para o exterior. Para o interior do Brasil, ela deveria contemplar o ensino do português brasileiro urbano de prestígio, contemporâneo, tal como ele já vem sendo descrito pela pesquisa linguística brasileira nos últimos quarenta anos. É perfeitamente possível, hoje, elaborar material didático de boa qualidade usando o que já sabemos, e sabemos muito, da gramática real do português brasileiro. Temos de produzir, portanto, dicionários e gramáticas afinados com essa realidade do português brasileiro, reconhecendo o português brasileiro como uma língua independente do português europeu, com sua própria história e sua própria gramática e seu próprio léxico.

Ainda no plano interno, é preciso reconhecer o Brasil com uma das nações com maior multiplicidade linguística de todo o mundo: temos quase 200 línguas diferentes faladas em nosso território, mas durante toda a história fomos iludidos com o mito do monolinguismo, que justificava inclusive o extermínio dos povos falantes de línguas indígenas. Reconhecer as línguas como patrimônio cultural, simbólico e identitário de milhões de pessoas significa permitir que elas falem suas línguas, aprendam a ler e a escrever nelas, possam divulgar essas línguas por meio impresso, audiovisual, informatizado etc. É uma questão de direito, o direito linguístico.

No plano externo, o Brasil precisaria assumir o que ele de fato é, a nação mais importante de língua portuguesa, e empreender uma divulgação agressiva da nossa língua, por meio de leitorados no exterior, produção de material didático para o ensino do português brasileiro a estrangeiros etc. Nossa política linguística ainda é muito subserviente às decisões dos portugueses, que são minoritários em quantidade de falantes.

CA – Essa nova abordagem da língua, o português brasileiro, auxiliaria na crise da educação no Brasil?

MB - Não seria a única solução, mas certamente colaboraria muito para melhorar a qualidade do que se ensina e se aprende. Se nas escolas pararmos de ensinar regras que não fazem parte da gramática do português brasileiro, se pararmos de tentar convencer os alunos de coisas que não fazem nenhum sentido (como a concordância maluca de “vendem-se ovos”), se deixarmos de querer ensinar um estado de língua de 350 anos atrás (“vós poderíeis”), se nos preocuparmos mais com a leitura e com a escrita e menos com a obsessão classificatória… assim talvez possamos começar a destruir a antipatia secular que a escola implantou nas pessoas com relação ao estudo da língua.Marcosbagno

CA – Como a linguagem popular pode influenciar a versão culta do português falado no Brasil? Quais as influências no léxico, na construção sintática e modos de dizer?

MB - Já podemos começar questionando: o que é “linguagem popular”? O que é uma “versão culta” da língua? As antigas divisões muito rígidas entre “língua popular” e “língua culta” já perderam todo o sentido na sociedade brasileira contemporânea. A mobilidade social intensa, que cresceu ainda mais na última década graças aos programas de inclusão social que fizeram surgir a chamada “nova classe média”, tornou essas fronteiras muito mais instáveis, líquidas ou simplesmente acabou com elas. Hoje são mínimas as diferenças linguísticas entre a fala de um cidadão de classe alta e a de um cidadão de classe baixa. Além disso, as pesquisas mostram que os chamados “erros” cometidos na “linguagem popular” também ocorrem na “língua culta”, só que na boca dos privilegiados eles aparecem como “lapsos” ou “licenças”. O rico não erra, comete lapsos. O pobre não, erra feio. Essas diferenças de avaliação social são muito mais fundas e sérias do que as diferenças propriamente linguísticas.

CA - No livro você diz que a mudança linguística é inevitável e é impulsionada pelos próprios falantes.  As variantes linguísticas populares tão estigmatizadas, hoje, como “menas coisas”, podem vi

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r a ser futuramente gramaticalizadas e dicionarizadas?

MB - Perfeitamente. Costumo dar como exemplo o caso do particípio passado do verbo “pegar”. No dicionário Caldas Aulete, da década de 1950, a forma “pego” era atribuída a “pessoas ignorantes”. Hoje os dicionários registram a forma “pego” sem nenhum comentário, porque o uso acabou impondo a forma nova. E é assim que acontece desde sempre. Se hoje falamos português brasileiro e não latim, é porque, ao longo dos séculos, os falantes foram transformando a língua em todos os seus aspectos até ela ficar tão diferente do que era antes a ponto de receber outro nome. O português brasileiro é a continuação histórica do latim, algo como um “latim falado errado”, para usar a terminologia do senso comum…

CA – “Os linguistas têm se limitado a descrever as relações entre língua e sociedade: trata-se agora de transformá-las.” Como seria essa transformação?

MB – Os linguistas têm acumulado muito conhecimento sobre as línguas, mas muitas vezes não se dão conta de que esse conhecimento tem o poder de destruir velhos mitos culturais, desmentir preconceitos sociais e colaborar para uma efetiva democratização das relações sociolinguísticas. Podemos transformar essas relações levando a um público cada vez mais amplo as nossas descobertas, mostrando como é a língua de fato e não a língua idealizada das gramáticas normativas e do ensino tradicional. É o que tento fazer com a minha Gramática.

CA – Qual a verdadeira dimensão da gramática e a sua importância para o conhecimento da língua?

MB - O termo “gramática” encobre muitos sentidos diferentes. Para o linguista, “gramática” é o nome que se aplica a todas as regras que fazem uma língua funcionar. Assim, faz parte da gramática do português brasileiro a regra que nos leva a dizer coisas como “ainda não chegou os livros que eu pedi” ou “os menino tá tudo lá fora brincando”, junto com “ainda não chegaram os livros” ou “os meninos estão todos lá fora brincando”, porque todas essas construções seguem regras, não são frutos do acaso ou da “burrice” dos falantes. No entanto, por razões históricas e socioculturais, nem todas as regras de funcionamento da língua recebem a mesma avaliação social: algumas são tidas como “boas” e “bonitas”, enquanto outras são tidas como “ruins” ou “feias”. Essas avaliações são exclusivamente ideológicas, nada têm que ver com fenômenos propriamente linguísticos. Mas são essas regras seletivas e selecionadas que entram na descrição dos livros chamados “gramáticas”, que são tradicionalmente obras normativas, prescritivas, ou seja, que deixam de lado muita coisa que existe na língua para só incorporar o que uma certa tradição considera correto.

CA – Normalmente o professor de língua portuguesa ensina a norma padrão, pois o aluno vai à escola para aprender uma variedade de língua que ele desconhece. As outras variantes são apresentadas como algo exótico e pitoresco. Na realidade o professor  está ensinando a hegemonia do padrão culto da língua e a desqualificação e repressão do padrão popular.

MB - A coisa é mais complexa do que isso, porque hoje em dia nosso professorado provém majoritariamente das camadas sociais C, D e E. Grande parte dos que se formam docentes vêm de famílias com pais e mães pouco letrados ou mesmo analfabetos. Nossos docentes hoje são muito mais portadores das “normas populares” do que os de antigamente. Assim, é pouca a diferença entre o que fala um(a) professor(a) e o que fala um(a) aluno(a). Na escola, hoje, convivem sem problemas as muitas variedades do português. Com isso, a norma-padrão tradicional, que sempre foi muito artificial e anacrônica, perde totalmente o seu sentido na escola de hoje. Por isso, muitos docentes ficam espantados ao descobrir que determinadas construções que eles mesmos usam são consideradas “erradas” pela tradição. Assim, o mais importante, na formação docente, é antes de tudo o letramento desses mesmos docentes, que não têm bom domínio da leitura e da escrita porque vêm de ambientes sociais e culturais onde a leitura e a escrita não têm um peso significativo. Aí está o grande nó: como querer desenvolver o letramento dos alunos se os próprios professores não têm um letramento suficiente? Enquanto esse nó não for desfeito, dificilmente levaremos a educação a melhores patamares.

CA – Norma-padrão (culta ideal) e norma culta real (mais próxima da realidade do falante) podem conviver ou são excludentes?

MB - Não só podem como convivem. A atividade linguística de um povo independe das prescrições, das determinações de meia dúzia de supostos dirigentes dos assuntos linguísticos. A língua é parte integrante do próprio ser de cada indivíduo: nós somos a língua que falamos e ela nos constitui como seres sociais. Todo indivíduo falante é portador de uma ampla intuição linguística e de um repertório linguístico poderoso. A função da escola é ampliar ainda mais esse repertório, levando a pessoa a conhecer outros usos, sobretudo os que não fazem parte de sua vivência sociocultural. Daí a importância da leitura e da leitura de textos literários, da literatura consagrada, porque são atividades ausentes do ambiente familiar da grande maioria dos nossos aprendizes. Conforme já disse, as fronteiras entre as variedades linguísticas são cada vez mais fluidas, há uma forte e intensa mixagem de normas e variantes hoje no Brasil.

CA – O livro é destinado aos professores de língua portuguesa, o próximo passo seria construir a didática da gramática do português brasileiro? Como traduzir essa teoria para os alunos do ensino básico?

MB - Essa teoria não tem que ser traduzida para os alunos do ensino básico. Os alunos do ensino básico têm que aprender a ler, a reler, a re-reler, a escrever, a reescrever, a re-reescrever etc. Nesse processo de letramento eles vão se apoderando, intuitivamente, da gramática (do funcionamento) da língua. O professorado, no entanto, tem de conhecer muito bem, muito profundamente, com profundidade teórica e científica, o seu objeto de trabalho, não para “ensinar gramática”, para saber reconhecer os fenômenos linguísticos que vão surgindo em sua prática pedagógica.

Via Caros Amigos

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A maioria dos alunos de Manaus não possui conhecimento adequado em Língua Portuguesa

Por Toda Letra em 9 de fevereiro de 2012

Ana Carolina Barbosa*

Apenas 26,6% dos alunos do 5º ano do ensino fundamental possuem um nível de conhecimento adequado na disciplina de língua portuguesa para a série em questão em Manaus. Quando se trata de Matemática, este índice cai para 19,7%, apontam os dados do relatório ‘De Olho Nas Metas 2011’, divulgado, na última terça-feira (07/02), pela Organização Não Governamental (ONG) “Todos pela Educação”, em seu portal na internet. A análise foi feita com base em informações de 2009.

A pesquisa também mostra que, quando se trata do 8º ano, a situação se inverte. Os alunos apresentam melhor desempenho em matemática, com 23,7%, e pioram em português, com 8,1%. A capital está entre as 24 capitais que não atingiram a Meta 3 do movimento, a qual estabeleceu que 70% ou mais do corpo discente deve ter aprendizado adequado à série até 2

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022, e definiu metas intermediárias para alcançar esse objetivo.

O município com pior desempenho em língua portuguesa, no 5º ano, foi Maceió, com 17%. O com maior índice foi Belo Horizonte, com 49,2%.  Conforme informações da ONG, no 5º ano do Ensino Fundamental, 21,7% dos municípios não atingiram as metas para matemática, e 52,0% ficaram aquém em língua portuguesa.

No 9º ano, 56,1% dos municípios não alcançaram as metas em matemática, e 16,0% não as atingiram em língua portuguesa. A pesquisa foi realizada nas 27 capitais brasileiras.

*Via A Crítica

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Sete em cada dez candidatos são reprovados em entrevistas de emprego por mau uso da Língua Portuguesa

Por Toda Letra em 30 de novembro de 2011

Muito se fala sobre a importância de uma segunda língua na hora da procura de emprego. No entanto, o que muita gente não sabe é que os profissionais acabam por perder a chance de se classificar para uma vaga quando escrevem o próprio português.

Falta de acentos, vírgulas em locais incorretos e, até mesmo, péssima letra. Quando a entrevista implica escrever uma redação, muitos são eliminados de cara. Por isso, veja as dicas abaixo, para não perder oportunidades.

Para escrever bem, comece a ler

Somente quem tem o hábito de ler regularmente tem capacidade de escrever com clareza e perfeição. Muitos profissionais de comunicação dividem esta opinião, que deve passar de afirmação para conselho.

A leitura permite que as pessoas conheçam formações gramaticais. Além disso, com ela é possível ampliar o vocabulário e estudar a grafia das palavras. Quando vistas diversas vezes, se decora se haja escreve-se sem ou com a letra h, o que acontece com outras palavras.

A regra acima não é limitada apenas aos profissionais de comunicação, para os quais a leitura é básica, mas para médicos, advogados, engenheiros e outros. Crie o hábito de ler, o que poderá ser um diferencial em alguns momentos.

Na redação, simplicidade

Para quem pensa que um texto rebuscado demonstra conhecimento está muito enganado. Palavras difíceis, uso de figuras de linguagens e outros recursos a

penas atrapalham a conclusão da redação.

Por este motivo, o melhor a fazer é ser simples. Isso não significa que o texto está mal escrito, mas que as pessoas o compreenderão melhor. Veja a seguir outras dicas básicas que são dadas como instrução em cursos universitários de jornalismo e por profissionais da área:

  • Os textos devem ser compreendidos e, para isso, você deve organizar suas ideias e escrever com clareza. Isso significa ir direto ao assunto e não rodear sem chegar a nenhuma conclusão.
  • Logo depois de escrever, veja o resultado, ou seja, leia. O texto deve ter harmonia e a leitura dele deve ser prazerosa. Para que este objetivo seja alcançado, evite a repetição de palavras.
  • Por fim, um texto bem escrito é aquele que não apresenta erros de concordância, ortografia e regência. Para que você não cometa estes equívocos, o mais fácil é utilizar a ordem direta das frases: sujeito + ação + complemento.

Não há pesquisas, mas nas grandes agências há casos em que, numa mesma seleção, sete em cada dez candidatos não passaram no teste porque cometeram algum erro de português. Veja alguns erros mais comuns e exemplos:

  • concordância verbal: 'fazem cinco anos';
  • gerundismo: 'vamos estar fazendo';
  • gírias: 'dar uns toques';
  • lugares comuns: 'a nível de Brasil', 'fechar com chave de ouro';
  • pontuação e acentuação na hora de escrever.

Com informações dos sites Revisando Textos e IGF.

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