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Arquivo da Categoria ‘Dúvidas’

Sexta Sem Dúvida: “proibido a entrada” x “proibida a entrada”

Por Toda Letra em 28 de junho de 2013

Um dia desses, o Jeferson Nunes enviou uma charge curiosa para a nossa página no Facebook. Nela, o Benett (chargista da Gazeta do Povo) coloca uma placa que diz: “Proibido a entrada de estranhos”. O questionamento era: será que ele cometeu algum erro de português? Nós respondemos que, sim, ele errou.

Justificativa:

Com a expressão “é proibido”, a concordância pode ser feita de duas maneiras: “É proibido entrada” ou “É proibida a entrada”. Isso porque a palavra “proibido” só concordará com o substantivo quando tiver artigo na frente, ou seja, se estiver definido. Na charge do Benett, a palavra “entrada” tem esse artigo na frente, portanto o correto seria “proibida”.

E aí, resta alguma dúvida? Mande para a nossa página no Facebook.

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, Diretora Geral da Toda Letra e Consultora de Língua Portuguesa. 

A crase da novela Amor à Vida”

Por Toda Letra em 27 de maio de 2013

por Ana Paula Mira*

Amor à vida é uma novela craseada, como diria o hilário José Simão. A chamada de atenção do colunista da Folha não é à toa – é muito difícil utilizar crase em títulos, muitas vezes, porque muita gente vai esquecer de colocar ou porque não vai saber mesmo! Para não fazer parte dessa estatística, veja por que o A de AMOR À VIDA é craseado.
No caso, quem tem amor, tem amor A algo ou POR algo; poderíamos dizer Amor à vida ou Amor pela vida. Tanto em um quanto em outro caso, o uso da preposição é obrigatório. Como a palavra VIDA admite o uso do artigo A, temos as duas condições para haver crase: artigo + preposição. Agora, esperamos que curta a novela ciente da grafia do título!

*Ana Paula Mira é diretora geral da Toda Letra, jornalista e consultora de Língua Portuguesa. 

Sexta Sem Dúvida: Casal de gêmeos e tudo a ver

Por Toda Letra em 16 de maio de 2013

Mais uma sexta-feira! Mais uma sexta-feira para tirar as suas dúvidas! Hoje a Lis Augusta e a Bianca Camargo mandaram perguntas para nós. Vamos lá!

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A Lis Augusta diz: “Então… quando queremos nos referir a um menino e uma menina que são gêmeos, normalmente eu digo “casal de gêmeos”, mas já vi pessoas dizerem “casal de gêmeos” para gêmeos do mesmo sexo e me alegaram “mas há casal de homossexuais”, até aí OK, entramos na sociolinguística?” A dúvida mesmo é num texto, por exemplo, devo aceitar se alguém escrever “casal de gêmeos” para pessoas de mesmo sexo?

Lis, não, casal de gêmeos só deve se referir a um men

ino e uma menina. Quando a pessoa tem dois meninos ou duas meninas, ela diz simplesmente que tem gêmeos.

A pergunta da Bianca é: “Segue minha dúvida: tudo a ver ou tudo haver?
“Eu sempre achei que 'haver' fazia todo sentido, mas vejo escrito por aí, 'tudo a ver'… então, nada melhor do que falar com quem entende”.

Oi Bianca! O certo é “tudo a ver”. A ideia da expressão é “tudo para ver”. E a ideia do verbo “haver” é a mesma de “existir”. Pense na substituição para perceber como não faz sentido usar haver: Eu não tenho nada a ver com isso (eu não tenho “nada para ver” em relação a isso). Eu não tenho nada haver (eu não tenho nada “a existir” – estranho, né?). Esperamos ter respondido sua dúvida!

E você, tem dúvidas de Língua Portuguesa? Mande para nós! :)  

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, diretora geral da Toda Letra e consultora de Língua Portuguesa. 

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Sexta Sem Dúvida

Por Toda Letra em 3 de maio de 2013

Olá!

Hoje respondemos três dúvidas! Vamos por partes!

A primeira delas foi enviada pela Fernanda Rios. Ela diz: “Olá gente, pesquisei em várias fontes (Manual de Redação e Estilo do Estadão, Dicionário Michaelis, Priberam…) o uso correto de “à la carte”, mas ainda não estou totalmente convencida se o uso é assim mesmo”.

Oi Fernanda! A expressão à la é francesa e e tem o mesmo sentido do nosso “à”, no sentido de “ao estilo de”, “à moda de”, “nos termos de”. Quando se usa à la carte, é como se falássemos “nos termos da carta”, isto é, nos termos do cardápio. É um aviso de que não há comida pronta, de que é preciso encomendar “nos termos da carta”

A segunda dúvida é da Ivana Soletti: ”Atrasada …. mas….. por favor, qual é a regra para utilizar as preposições antes de estados? Dig

o em São Paulo, em Rondônia, em Santa Catarina, na Bahia, no Amapá, no Piauí….. qual a regra?”

Ivana, quanto ao uso de artigos, não há nenhuma regra específica. Na verdade, a explicação está muitas vezes na origem da palavra, mas é mais rápido e mais fácil guardar os topônimos (nomes de lugares) que admitem artigo.

A pergunta da Clarissa é se o correto é feito a mão ou feito à mão. A crase, nesse caso, é facultativa, já que você pode dizer que algo foi feito “com mão” ou “com A mão”. Veja que, ao substituir o A craseado por “COM A” ou apenas por “COM”, você continua dando a ideia de que aquele produto é artesanal, ou seja, feito a mão ou feito à mão.

E você? Tem alguma dúvida de Língua Portuguesa? Mande para o nosso perfil no Facebook.

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, diretora geral da Toda Letra e consultora de Língua Portuguesa. 

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Sexta sem Dúvida: S com som de Z!

Por Toda Letra em 15 de março de 2013

Ana Paula Mira*

A Aline Lima nos perguntou via Facebook: Existe uma regra específica para as palavras em que o S não está entre duas vogais e mesmo assim faz som de Z? Por exemplo: Trânsito, transa, transação…

Oi, Aline! O S terá som de Z quando estiver entre duas vogais (asa, fase) ou quando for seguido de uma consoante chamada “vozeada“. Essas consoantes, em português, são “b, d, g, v, m, n, r, l” (mesmo, Israel, resvalar). Apesar dessas duas regras, não signfica que não há exceções, tanto que há várias palavras em que o S não está entre duas vogais e, mesmo assim, apresentam o som de Z, como as palavras “trânsito” e “transa”, por exemplo.

Se você tiver alguma dúvida de Língua Portuguesa, mande para nós! :)

*Ana Paula Mira é consultora de Língua Portuguesa, diretora geral da Toda Letra, jornalista, mestre em administração e marketing e professora de jornalismo. 

Sexta Sem Dúvida: Uso dos porquês

Por Toda Letra em 22 de fevereiro de 2013

Ana Paula Mira*

Esta semana, no Big Brother Brasil, as sisters Anamara e Fani mostraram conhecimentos de gramáticas e discutiram os usos dos porquês, além da relação malxbem e mauxbom. A explicação dada por Fani foi mais simplista, por isso, nós vamos ajudá-las aqui!

Vamos ajudar os brothers!

 

O uso dos porquês na língua portuguesa não tem segredo. Basta entender quais palavras formam as expressões. Mais do que decorar que um é para pergunta e outro é para resposta, é essencial saber que PORQUE é uma conjunção explicativa, ou seja, serve para explicar ou responder algo e pode ser substituído por POIS. Toda vez que a substituição for possível, é sinal de que a palavra PORQUE (tudo junto) deve ser usada. Veja o exemplo:

Não fui à aula porque (=pois) perdi a hora.

Quando essa mesma palavra for usada com acento (PORQUÊ), ela é um substantivo, o que significa que pode ser também substituída por outro substantivo com mesmo significado, como RAZÃO, MOTIVO ou CAUSA. Veja:

O governo não explicou o porquê (=motivo/ razão/ causa) de tanta corrupção.

Já na palavra separada, temos uma expressão formada por uma preposição (POR) e por um pronome (QUE). Ou seja, POR QUE será usado quando a sentença exigir essas duas classes. Uma forma bem fácil de fazer isso é, de novo, a substituição, pelas expressões pelo qual/pela qual/ por qual/ por quais etc. Ainda poderá ser substituído pelas expressões por qual razão/ por qual motivo, vai depender da frase! Atente para os exemplos:

Os bombeiros não sabem explicar por que (=por qual razão/ por qual motivo) o incêndio começou.

Ninguém disse por que (=por qual) razão a Defesa Civil liberou os alvarás.

O processo corre em segredo de justiça, motivo por que (=pelo qual) a imprensa não tem divulgado informações.

Quando utilizado no fim das frases, o POR QUÊ deverá ser utilizado. A explicação para seu uso no início, meio ou fim da frase é a mesma! A única diferença é o acento que surge quando a palavra estiver no fim da sentença.

Por que as aulas foram suspensas?

Ninguém explicou por quê (=por qual razão/ por qual motivo).

Quanto ao uso do MAL/MAU, a tal da Maroca está certa! MAL é advérbio e antônimo de BEM; MAU é adjetivo e antônimo de BOM.

Ele é um mau ( ≠ bom) aluno, por isso foi mal ( ≠ bem) avaliado.

*Ana Paula Mira é consultora de Língua Portuguesa, diretora geral da Toda Letra, jornalista, mestre em administração e marketing e professora de jornalismo. 

Sexta Sem Dúvida 2013: Gentílico e separação silábica

Por Toda Letra em 1 de fevereiro de 2013

Depois das merecidas férias, retornamos com a Sexta Sem Dúvida! Que em 2013 você possa tirar muitas dúvidas com a gente! Vamos às de hoje:

A primeira foi enviada pelo Cleber Otaviano pelo nosso Facebook.

Olá, preciso recorrer mais uma vez ao Toda Letra para uma nova questão. Nasci e moro em Santa Rita do Passa Quatro (SP) portanto sou santarritense ou santa-ritense? Em pesquisa rápida pelo Google, encontrei esta resposta, ela se confirma?? Obrigado.

Cleber, deve ser santa-ritense mesmo, senão descaracteriza o nome da cidade.Se fosse escrito tudo junto (santarritense) é como se você morasse em uma cidade chamada Santarrita… A nova regra de hífen não vale para esse caso.

A outra dúvida de hoje foi enviada tamb

Quarta do Erro: Crase

Por Toda Letra em 9 de janeiro de 2013

A crase sempre é a principal estrela no que diz respeito aos erros de Língua Portuguesa. Desta vez, não foi diferente. Encontramos no Shopping Curitiba uma loja que caprichou nos descontos para li

mpar os estoques, mas que errou feio na hora de escrever…

Por conta disso, resolvemos reunir os melhores posts sobre crase, escritos pela consultora de Língua Portuguesa, Ana Paula Mira. Vamos rever os nossos conhecimentos?

Origem

Muitos confundem a crase com o nome do acento. No entanto, a crase, que vem do grego krasis, significa junção, fusão de sons iguais. Portanto, uma regra de ouro para aprender crase é guardar, já de início, que para haver o acento agudo indicativo da crase, é preciso que existam dois sons iguais. Veja a frase: “Ele se referiu à mãe como se ela fosse uma santa!”. O verbo “referir-se” (que deve ser usado com pronome, sempre!) precisa de preposição A; “mãe” é uma palavra que admite o uso do artigo “A”. Portanto, existem as duas condições para haver crase, ou seja, o processo da fusão.

A todos

O pronome indefinido “todos” não aceita uso de artigo feminino. Por isso, o A que vai antes dele é apenas preposição.

A partir e datas

É o uso ou não da crase na expressão A PARTIR ou quando usamos o A no meio de uma data (de 12 a 15 de outubro, por exemplo). Não há acento da crase em nenhum dos dois casos, pelo fato de que o A da expressão A PARTIR é apenas preposição, ou seja, não existe ali o artigo também, que é condição báica para existir crase. A mesma explicação cabe para o exemplo “DE 12 A 15 DE SETEMBRO”. Entre os números, existe apenas A preposição, por isso nunca haverá acento nesse tipo de exemplo.

Sexta Sem Dúvida: Esta/Essa

Por Toda Letra em 28 de setembro de 2012

Hoje, vamos responder a dúvida do Jefferson Nunes enviada pelo nosso Facebook, sobre o uso de esta/essa.

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Para utilizar esse pronome, temos três regras principais: em relação ao espaço, ao tempo e ao discurso.

Quando temos situação de espaço, usamos em relação ao falante, ouvinte e alguém distante do falante e do ouvinte. Por exemplo, dizemos “este lápis é meu“, “esse lápis é seu” e “aquele lápis é dele“. No entanto, quase nunca aparece essa situação quando estamos escrevendo. As mais comuns na escrita são as regras referentes ao tempo e ao discurso.

Em uma relação de tempo, usamos “este” para o tempo presente ou futuro: “Neste ano, devo passar as férias estudando”. Para nos referirmos ao tempo passado, mas não tão afastado, usamos “esse”: “Viajamos em janeiro e esses dias foram agradáveis”. Quando o tempo está bastante afastado, utilizamos “aquele”: “A ditadura militar calou muitas pessoas; naqueles anos, muitos sumiram ou foram mortos por serem contra o regime”.

Por fim, temos a regra que se remete ao próprio discurso – diga-se de passagem, a regra mais utilizada! Ela é colocada em prática quando usamos “este” para algo que ainda vai ser citado (Esta é minha decisão final: não iremos viajar!) e “esse” para termos já referenciados (Não iremos viajar; essa é minha opinião final!). Ainda há a opção do uso do “aquele” nessa situação, quando nos referimos a três termos distintos na frase. Veja o exemplo: “Nosso estado é formado por várias etnias, entre elas a polonesa e a alemã. Esta foi responsável por colonizar áreas centrais do estado e aquela por chegar ao oeste da região”.

As três regras apresentadas também se aplicam ao uso de nesta/nessa/desta/dessa e todas as contrações de preposições com os pronomes.

E você tem alguma dúvida? Mande pra gente através dos comentários, da nossa página no Facebook ou pelo nosso Twitter.

Sexta Sem Dúvida: Algumas pessoas nascem com o dom de irritar as outras

Por Toda Letra em 14 de setembro de 2012

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Hoje recebemos uma dúvida do Flavio, enviada pelo nosso site. Pergunta o nosso leitor:

“Olá, tenho uma dúvida que causou divergência até entre quem estuda a língua portuguesa. É sobre a seguinte frase.

Algumas pessoas nascem com o dom de irritar às outras.

O uso da crase nesta frase é:
a) impróprio
b) facultativo
c) obrigatório

Para essa questão as divergências ocorreram por conta da análise da regência do verbo irritar. Consultamos o Dicionário Priberam e outros. Há também a dúvida do emprego, pois “outras” pode atuar como pronome. Se analisarmos detalhadamente a frase a qual conclusão se chega?”

Resposta:

Oi Flavio, tudo bem?
Vamos à sua dúvida: o verbo irritar pode ter três regências diferentes. Pode ser Verbo Transitivo Direto e Indireto, quando tiver um complemento com a preposição CONTRA, como no exemplo: Ele conseguiu irritá-lo contra o pai. Também pode ser Transitivo Direto Pronomial (com pronome oblíquo), e daí é usado com a preprosição COM:Ele irritou-se com o pai. E ainda pode ser só Transitivo Direto, como é o caso do seu exemplo, porque tem apenas um complemento sem preprosição. Portanto, o correto na sua frase é sem a crase, ela é imprópria, pois aquele AS é apenas artigo, não tem preposição: Algumas pessoas nascem com o dom de irritar AS outras.
Espero ter ajudado.
Ana