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Arquivo da Categoria ‘Acordo Ortográfico’

Adiamento da nova ortografia causa confusão e debates

Por Toda Letra em 8 de janeiro de 2013

O Governo Federal decidiu adiar a implementação do Acordo Ortográfico no Brasil. Em decreto publicado no Diário Oficial no dia 28 de dezembro, a Presidente Dilma Rousseff estende o prazo de adaptação para 31 de dezembro de 2015. Até lá, coexistirão as duas ortografias. Anteriormente, o Acordo deveria ser colocado em prática já a partir de 1º de janeiro de 2013, mas por sugestão dos senadores Cyro Miranda (PSDB-GO) e a senadora Ana Amélia (PP-RS), o projeto de lei que pedia o adiamento das novas regras, foi apresentado no Senado no fim do ano passado.

Ana Paula Mira é diretora geral da Toda Letra, consultora de Língua Portuguesa, jornalista e professora universitária.

Para a consultora de Língua Portuguesa, Ana Paula Mira, não havia a necessidade de postergar o acordo. “O adiamento do novo acordo apenas atrasa algo que já está certo. Alguns países, como Brasil e Portugal, têm esperança de alterar alguns pontos do acordo, mas isso é bem complicado, tendo em vista que é necessária a aprovação de todos os países da Comunidade dos Países Falantes de Língua Portuguesa”, afirma Ana Mira, que também é professora universitária de Língua Portuguesa.

Adaptação
O período para adaptação em Portugal começou somente no ano passado e se estenderá até 2015, enquanto que os brasileiros tiveram, inicialmente, de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012 como prazo de adaptação. Segundo Ana Paula Mira, nenhum período apontado será “suficiente”. “Acredito que nenhum prazo que deem será suficiente para adaptação total, já que é muito difícil reaprender algo que já está tão intrínseco a cada um de nós. Mas é preciso estabelecer uma data e acredito que os quatro anos iniciais eram satisfatórios. No entanto, a extensão do prazo trouxe o assunto à tona novamente, o que faz as pessoas irem atrás dessa qualificação”, acredita Ana Mira.

Para saber mais sobre as mudanças do Acordo na ortografia brasileira, é possível acessar as postagens especiais da Toda Letra aquiEm 2013,  a Toda Letra irá ofertar novos cursos para quem quiser aprender (ou reaprender) as regras do Acordo Ortográfico.

 

 

Acordo Ortográfico: Acentuação

Por Toda Letra em 11 de dezembro de 2012

Em relação à acentuação, duas novas regras merecem atenção: a perda do acento agudo nos ditongos abertos (como ideia, assembleia e plateia) e a perda dos acentos diferenciais. Merecem atenção pelo fato de que há pequenas exceções nas duas situações. Em relação aos ditongos abertos, perdem o acento aqueles que aparecerem em palavras paroxítonas (quando a penúltima sílaba é mais forte). Em outras palavras, o acento se mantém, como em “chapéu” ou “dói”. É importante atentar para essa diferença para não tirarmos os acentos de todos os ditongos abertos -éu, -éi e ói que vemos pela frente!

Em relação aos acentos diferenciais, vale ressaltar que eles caíram nas formas PARA (verbo) e PARA (preposição). Agora, a seguinte frase será escrita assim: “Ele não para para pensar!” Também sumiu o acento que diferenciava PELO (de animal) de PELO (preposição). Outra frase curiosa com a mudança: “Nasceu pelo pelo corpo inteiro dele!”.

Mudanças simples

Por Toda Letra em 4 de dezembro de 2012

Hoje continuamos a série de posts especiais sobre o Acordo Ortográfico.

As duas mudanças mais simples no novo acordo ortográfico é o aumento no número de letras no alfabeto, que passou de 23 para 26, com a inclusão do k, w e y. Apesar de essas três letras já serem utilizadas na nossa língua, elas, eram, digamos, “ilegais”, não oficiais.

Outra mudança simples é a exclusão do trema. Palavras como sequência, linguiça, tranquilo, não têm mais trema. Muda a escrita, mas permanece a pronúncia. Aliás, nenhuma regra muda a pronúncia, apenas a escrita.

A única exceção para o uso do trema são os nomes próprios, que continuam com o acento. Shopping Müeller, por exemplo, vai continuar com trema, por ser um sobrenome. Já os nomes de lugares da cidade só foram (ou serão) mudados se a prefeitura local assim determinar. Em Curitiba, por exemplo, Parque Barigui, Parque Tingui, entre outros, já estão sem acento há pelo menos dois anos, quando a Prefeitura decidiu que, na capital paranaense, os nomes dos lugares seriam escritos de acordo com as novas regras.

Por que mudar?

Por Toda Letra em 23 de novembro de 2012

Falada por cerca de 220 milhões de pessoas no Brasil e no mundo — aproximadamente 190 milhões de brasileiros, outros 10,5 milhões de portugueses e demais falantes em países africanos e em comunidades na Ásia e América — a língua portuguesa figura entre as cinco primeiras posições das mais faladas do planeta.

No entanto, até 2009, era o único idioma ocidental a adotar duas grafias oficiais. O Novo Acordo das Regras Ortográficas da Língua Portuguesa surgiu justamente para unificar a grafia oficial. Ideia de um brasileiro – Antonio Houaiss – o processo levou quase 20 anos para ser finalizado. Para isso, era necessário que três países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) assinassem o acordo. Os primeiros foram Brasil e Cabo Verde, e em 2008 São Tomé e Príncipe concedeu a terceira assinatura, o que fez valerem definitivamente as novas regras.

As mudanças na língua portuguesa do Brasil passam pelas regras de acentuação, uso do hífen e número de letras do alfabeto. Já para os outros países (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe), essas mudanças estão mais restritas à grafia das palavras.