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Concerto em homenagem a Paulo Leminski abre Mês da Literatura

Por Toda Letra em 24 de agosto de 2016

Entre 24 de agosto e 25 de setembro de 2016 a Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) e a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) promovem o Mês da Literatura. Para abrir a programação do evento, a Orquestra Sinfônica do Paraná apresenta na próxima quarta-feira (24/08), às 20h30, no Guairão, o concerto “Paulo Leminski – Canções e Poemas”. A data de abertura homenageia o nascimento do poeta (24 de agosto). Já o encerramento das atividades coincide com o aniversário de 80 anos da Academia Paranaense de Letras, criada em setembro de 1936.

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Com regência do maestro Alessandro Sangiorgi, o concerto terá participações de Estrela Leminski, Téo Ruiz, Ná Ozzetti, Rogéria Holtz e Aurea Leminski. O programa abre com a declamação da poesia Sintonia para Pressa e Presságio e segue com as canções e poemas Verdura, Se houver céu, Hoje tá tão bonito, A você amigo, Navio, Filho de Santa Maria, Polonaises, Live with me, Xixi nas Estrelas, Luzes, e Valeu. Todas as composições são do Leminski ou têm participação do poeta. Como parte das comemorações, na ocasião será lançado o LP duplo Leminskanções.

 

Leminski experimentou diversas linguagens artísticas. Faleceu aos 45 anos e deixou um grande legado na literatura e na música. Produziu cerca de 100 músicas, entre canções e parcerias, catalogadas em um livro de partituras recém-lançado. Nos anos 1980 estas composições foram gravadas por Caetano Veloso, Blindagem, A Cor do Som, Ney Matogrosso, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, MPB4 e Ângela Maria.

 

Programação literária

No Mês da Literatura, 11 escritores paranaenses vão percorrer 25 municípios do interior do Estado. Cada autor visitará entre duas e três bibliotecas. Durante os encontros, os escritores, além de falar sobre suas próprias obras, também irão abordar assuntos como livro, leitura e formação de leitores.

 

As instituições selecionadas abrangem as mais variadas regiões do Estado – dos Campos Gerais ao Norte paranaense – e são referência entre as quase 500 bibliotecas cadastradas no Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Paraná, que é coordenado e administrado pela BPP. Nesta primeira edição participam: Alto Paraná, Ampére, Araucária, Castro, Colombo, Guaratuba, Ibiporã, Jaguariaíva, Lapa, Marechal Cândido Rondon, Maripá, Palmas, Paiçandu, Paraíso do Norte, Paranaguá, Peabiru, Quedas do Iguaçu, Quitandinha, Rio Azul, Santa Helena, Salto do Lontra, Santo Antônio da Platina, Santo Inácio, Telêmaco Borba e Tibagi.

 

Inserido no Plano Estadual do Livro, Leitura e Literatura (PELLL), o Mês da Literatura é uma ação que deve entrar para o calendário cultural do Estado. “Além de fomentar e valorizar a leitura, incentivar e difundir a produção literária paranaense, o projeto também descentraliza a cultura ao levar nossos autores a pequenos e médios municípios”, explica o secretário de Estado da Cultura, João Luiz Fiani.

 

Entre os autores convidados, estão romancistas (Cristovão Tezza e Miguel Sanches Neto), autores infantojuvenis (Cléo Busatto), poetas (Rodrigo Garcia Lopes e Karen Debértolis), críticos (José Castello) e jovens autores (Marcos Peres). Um recorte plural da cena literária paranaense.

 

A programação completa do Mês da Literatura estará disponível no site da Secretaria da Cultura: www.cultura.pr.gov.br.

 

Serviço

Abertura do “Mês da Literatura” com concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná “Paulo Leminski – Canções e Poemas”

Regência: Alessandro Sangiorgi

Participações especiais: Estrela Leminski, Téo Ruiz, Ná Ozzetti, Rogéria Holtz e Aurea Leminski

Dia 24 de agosto, às 20h30

Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto – Guairão

Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Classificação: maiores de 7 anos

 

Podcast Toda Letra – Especial Congregarh 2014

Por Toda Letra em 22 de setembro de 2014

Olá, confira o podcast que fizemos especialmente para você, que visitou nosso estande na Congregarh 2014.

Se quiser mais informações, é só nos contatar!

 

 

Que chique!

Por Toda Letra em 19 de julho de 2014

Por Susan Blum

Que chique.  Lacinhos rosados em cada tufo de pelo branco balançam junto com o rebolado da cauda lulupomerânica. Chique. Seu dono também desce do carro chique, com seu terno vinho sommelier e seus preciosos minutos sendo registrados pelo chique Patek Philippe Henry Graves. Passeavam ambos pela praça pequena próxima de minha casa.

Eu observei a cachorrinha chique ficar na posição que qualquer cão guapeca fica quando precisa “purgar”. O objeto que de lá sai também é igual ao de qualquer vira-lata e o cheiro idem. Chique. Muito chique.

O homem chique pega uma sacolinha do bolso (não deu para ver de qual loja chique que era). De forma chique ele catou o “objeto” e deu um laço chique nela.

Foram andando de forma chique até o carrão que apitou sozinho e abriu suas portas para o pulo lépido da chique cachorrinha.

Pensei: “pelo menos ele dá o exemplo e leva o cocô da sua cadela”.

Ele também entra no carro, põe a mão esquerda para fora com a sacolinha pendurada e liga o carro. Seu braço chique, abraçado pelo relógio chique, segurando o cocô de forma chique: com seu minguinho e anelar levantados e os 3 dedos segurando a embalagem na pontinha deles.

Penso: “Nossa! Ele é tão chique que sequer leva a sacola de cocô chique dentro do carro chique.”

Mal ele vira a esquina, vejo-o – de forma chique – deixar a sacola cair na rua, ainda com o dedinho levantado.

É. Ele era chique demais para o meu gosto.

Ele é um chique………..eiro.

Primeiros Passos

Por Toda Letra em 9 de maio de 2014

Por Susan Blum*

Foto: Chara Rial Blog

erste Schritte

Abro a porta e a vejo. Sentada no sofá. Ela me vê e ri.

Vejo que ela se levanta sozinha e vem andando até mim. Andando! Sozinha!

Os primeiros passos!

Os primeiros passos sem nenhum apoio!

Sem nenhuma ajuda.

Fico apreensiva, mas ao mesmo tempo MUITO surpresa e alegre!

Que delícia!

O sorriso dela corre até mim. Que felicidade.

Sinto um amor enorme por este serzinho frágil que tem uma relação de vidas comigo. Sinto muita ternura e muita felicidade. Vou até ela e a abraço forte.

O amor explode precipitando-se pelo ambiente.

Sinto o aligeirar de lembranças e recordações.

Depois de um mês difícil com altos e baixos. Após a cirurgia, as complicações, as visitas ao hospital, os cuidados extremos de todos da família.

Ah… os primeiros passos. Um símbolo da busca da independência.

Independência que é conquistada com tanta luta, esforço e sacrifício.

Assim, compreendo quando ela fica chateada quando queremos ajudá-la em tudo. Mas ela tem que entender que é uma espécie de retorno de amor.

Quero dar a ela – de forma mínima – um pouco de tudo que ela fez por mim.

As intermináveis noites e madrugadas, com a filha no colo, sem conseguir respirar por causa da maldita bronquite asmática. A mãe carregando a filha e andando pela casa, para ajudar a entrar o ar.

Como eu queria pegar ela no colo e sair por aí com ela, para lhe dar um pouco de novos ares.

Minha mãezinha querida está andando sem o andador!

Compreendo então porque quero tanto ajudá-la. Fico imaginando a alegria dela com os meus primeiros passos. E hoje, o pequeno grande milagre: os primeiros passos.

E o primeiro “passeio” que não foi para ir ao hospital ou a exames médicos. Ela me levou para a faculdade. E me senti como a Susi pequena que era levada pela mãe até o Grupo Escolar Tiradentes.

Quem é mãe? Quem é filha? Apenas conceitos. Somos eu, ela e minha irmã.

O clã feminino da família. O coração pulsante da base familiar! Meus amores.

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

Inscrições abertas para o Prêmio Paraná de Literatura 2014

Por Toda Letra em 1 de maio de 2014

Em sua terceira edição, o concurso da BPP vai selecionar livros inéditos de autores de todo o País nas categorias Romance, Contos e Poesia

A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) lançou em abril o Prêmio Paraná de Literatura 2014. Como nas edições anteriores, realizadas em 2012 e 2013, o concurso da Secretaria da Cultura do Paraná vai selecionar livros inéditos em três categorias que homenageiam escritores importantes da literatura paranaense: Romance (prêmio Manoel Carlos Karam), Contos (prêmio Newton Sampaio) e Poesia (prêmio Helena Kolody). No ano passado, mais de 800 obras foram inscritas por autores de todo o Brasil.

O vencedor de cada categoria receberá R$ 40 mil e terá sua obra publicada pela BPP, com tiragem de mil exemplares. Os premiados também receberão 100 cópias de seus livros e poderão, mais tarde, reeditar os trabalhos por outras editoras. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 30 de junho. As obras concorrentes serão avaliadas por uma comissão julgadora formada por um presidente e nove membros (três em cada categoria). O resultado será divulgado na primeira quinzena de dezembro.

Em 2013, os vencedores foram Jaci Palma (Meu primeiro morto, romance), Caetano Galindo (Ensaio sobre o entendimento humano, contos) e Adriane Garcia (Fábulas para adulto perder o sono, poesia). Os livros foram lançados e distribuídos pelo selo Biblioteca Paraná, que também edita autores paranaenses e resgata títulos relevantes que estejam esgotados ou fora de catálogo. No momento, os três autores negociam a reedição de suas obras por editoras comerciais.

“Após duas edições muito bem sucedidas, o Prêmio Paraná de Literatura se consolidou como uma das principais premiações do Brasil. Tenho certeza de que este ótimo início é fundamental para a permanência do concurso no calendário da literatura brasileira. Leitores e escritores só têm a ganhar com o fortalecimento dos prêmios em todo o País”, afirma Rogério Pereira, diretor da BPP e presidente do júri.

O edital do concurso pode ser visto aqui.
A ficha de inscrição está disponível aqui.

Esqueleto de alma

Por Toda Letra em 28 de abril de 2014

por Susan Blum*

Um pedacinho incrustado entre os dentes: um resmungo que queria sair aos 15 anos.

Uma unha encravada no pé direito, uma vontade de viajar que ficou presa.

No esqueleto da coluna, uma envergadura que não quebra: o pai paralítico.

No olho esquerdo um cisco teimoso, um choro engolido aos cinco anos.

O mijo que não existe mais foi o medo do olhar do pai.

Uma saudade escondida no canto esquerdo inferior do coração, o homem que ainda amo.

Um nozinho na garganta por não ter feito algumas coisas que desejava.

Uma cosquinha na ponta dos dedos, aquela história só pensada e esquecida.

Uma caspinha de ressentimento, o grande amigo da faculdade.

Um cheiro de infância que está solta no balão do pulmão.

A lágrima de alegria que se infiltrou naquela ruga mais seca.

Aquele filme e aquele livro que não li ou assisti, que abriram os espaços entre os neurônios.

Os pensamentos esquisitos e os outros (“antenados”) que se perderam atrás das caixas de memórias.

Os objetos dentro das caixas de lembranças, que foram se amontoando, esperando uma limpeza nunca feita.

Os sons de todas as músicas ouvidas, cantadas, dançadas e embaladas em outros corpos e que ficaram pirogravadas na bigorna dos ouvidos.

As poeiras dos desejos não satisfeitos ( e dos satisfeitos) que tecem cortinas nas meninas dos olhos.

Os amores e desamores que fluem nos refluxos do estômago junto com as borboletas.

Os passos dos medos e anseios que ecoam por dentro dos ossos.

Esta é a alma do meu esqueleto. Sou eu.

E você? Do que é feito?

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*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

Curso de Aperfeiçoamento Gramatical!

Por Toda Letra em 4 de abril de 2014

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A Toda Letra está com inscrições abertas para o primeiro curso de Aperfeiçoamento Gramatical de 2014. O curso será dia 12 de abril, das 9h às 13h. O conteúdo contempla as regras mais usadas no dia a dia, além das novas normas ortográficas – do último acordo que mudou o nosso vocabulário – e que passam a ser as únicas aceitas a partir de 2016! Confira o que você pode ver e relembrar:

Novas regras ortográficas
Concordâncias verbal e nominal
Uso de pronomes (este/esse/cujo, entre outros)
Pontuação
Coesão e coerência
E muito mais!

Além disso, também trabalhamos a parte prática, para relembrar e fixar conhecimentos.

Tem interesse? Então, anote aí:

Curso de Aperfeiçoamento Gramatical
Data: 12 de abril
Horário: 9h às 13h
Local: FAE Centro Universitário (Rua 24 de Maio, 135), sala 314
Investimento: R$ 100,00*

Para se inscrever, é fácil. Clique aqui, preencha seus dados e, no assunto da mensagem, escreva CURSO DE APERFEIÇOAMENTO GRAMATICAL ABRIL 2014. Assim que recebermos sua mensagem, enviaremos um e-mail com as informações para pagamento e com uma ficha de inscrição que deve ser preenchida. As vagas são limitadas e as inscrições vão até as 18h do dia 10/4, quinta-feira!

 

Não perca tempo, inscreva-se já!

VAGAS LIMITADAS

*O valor dá direito a certificado e material eletrônico.

Bandido bom é bandido morto

Por Toda Letra em 16 de março de 2014

por Susan Blum*

Desde pequena sempre escutei um “ditado”, seja pelos meus pais, seja na escola: “Não faça aos outros, o que não querem que te façam!”

Não quero ser traída, logo, não traio. Não quero que me batam, logo, não bato. Não quero que queimem minha casa, logo, não queimo a casa de ninguém.

Já falei sobre os atos de violência em uma postagem no meu blog, verás que um filho teu não foge à luta.  NÃO sou a favor da violência. NUNCA!

Já comentei também sobre Gentileza. Basta ler sobre MITO DE PROCUSTO

Mas parece que o ser humano está se transformando em animal, querendo matar, bater, “fazer justiça” com as próprias mãos. Não sou religiosa (tenho as MINHAS convicções), mas percebo que muitos “cristãos” são a favor desta “justiça”.

O meu receio é que cheguemos a tal ponto que: se antes tínhamos medo de ladrões e assassinos, se antes tínhamos medo da polícia (muitas vezes violenta), hoje devemos ter medo de TODA e qualquer pessoa. Pois podem me acusar de algum delito amanhã “É ela! Foi ela quem roubou meu carro!” e o povo me lincha em plena rua.

É esta barbárie que queremos para a humanidade?

Tenho que me corrigir. Sou humana, logo falho. Eu escrevi lá em cima que o ser humano está se transformando em animal. Perdoem-me, animais! Vocês estão dando belos exemplos que deveríamos seguir. Volta e meia vemos notícias de animais que adotam filhotes de outros, ou que ajudam outros animais. Um pequeno exemplo que vi hoje: Hipopótamos salvam gnu de jacaré.

Mas a questão é: “Bandido bom é bandido morto?” Você realmente acredita nisso?

Então temos que matar você. Cuidado! Pois quem aqui (e me incluo) NUNCA ficou com algo que não lhe pertencia? Com certeza algum dia, em algum momento, você já roubou algo! Desde pequenos objetos, até o tempo ou paciência de alguém.

Repense seus preconceitos!

Ah! Antes que venha alguém dizer: “se você gosta de bandido, leve para casa” (uma frase batida ridícula de quem não pensa sobre o está falando!). Sou a favor das baleias, dos animais abandonados, de salvar as florestas, enfim… de muitas causas. Mas óbvio, que não levo para casa baleias, cachorros e gatos abandonados, florestas. Por favor, saibam argumentar! Se você é a favor do título da postagem, me dê ARGUMENTOS para isso. Podemos então conversar neste espaço virtual.

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*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

Máquina do tempo

Por Toda Letra em 6 de fevereiro de 2014

Inventei a máquina do tempo!  E ela é movida a teias.

Teias de relações que me fizeram ir para a faculdade de Letras por causa de um ex-namorado que me fez ver a minha paixão por literatura. Faculdade que me fez conhecer, em uma disciplina, o Bruno, também apaixonado por fotografia-literatura. Que me apresentou o fotógrafo Dimas, no facebook. Que me levou ao grupo Espaço Fotógrafo, onde conheci a Goretti, que me levou ao Croquis Urbanos. Lá conheci o Mario Freitas, um dos coordenadores da Caminhada Observacional.

Mas o que isso tudo tem a ver com a máquina do tempo? Na verdade, tudo isso tem a ver com uma coisa que me levou a escrever a crônica: um TOMATE!

“Um tomate? – perguntará o inocente leitor – o que um tomate tem a ver com teias e como uma coisa como um tomate pode provocar um texto?” Eu poderia então falar sobre os textos poéticos de Francis Ponge (MARAVILHOSOS textos poéticos) em que ele se inspira em uma mimosa, ou uma caixa de engradado, ou um pedregulho. Objetos que permeiam o nosso cotidiano, mas que geralmente não são vistos com um olhar poético. CLARO que não estou me comparando a este grande poeta! Mas não vou falar sobre ele. Não é o objetivo aqui.

Para entender um pouco mais sobre o que pretendo trazer, preciso falar de hipertextos. Portanto, gostaria de citar Kristeva, que disse que todo hipertexto tem uma intertextualidade. Ela disse em 1969: “todo texto se constrói como um mosaico de citações, todo texto é a absorção e transformação de outro texto”.

Tudo começou quando o meu mais recente amigo, Mario Freitas, colocou no facebook um desenho de um tomate que ele fez. Já o admiro por muitas coisas, afinal, ele provoca e instiga a gente o tempo todo, nos ensinando sobre física, fenômenos, arquitetura e artes. Mas o fato de ele ter iniciado um curso de desenho utilizando uma técnica totalmente desconhecida (desenho com esferográfica) e já postar no face o resultado me surpreendeu. Este é o desenho postado por ele:

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Ou seja, tudo isso por causa do “Tomate Rasteiro”.  Segundo Mario Freitas, sua descrição é a que segue: “policromia de esferográfica sobre papel canson, só a projeção da sombra foi deixada para terminar em casa, complementando com a junção entre a sombra e base do tomate. Na composição do vermelho escuro não foi usada a caneta preta, mas a verde, por ser a cor complementar e proporcionar um tom mais apropriado. Um pouco de caneta amarela próximo do cabo sugere que ainda não está totalmente maduro. O longo tempo de aula para a aprendizagem das técnicas envolvidas nesse trabalho acabou deixando pendente para os próximos dias a finalização do curso: vou apresentar ao professor uma nova natureza morta, feita do início ao fim sem a sua intervenção, para só então ter um parecer da sua parte. Trabalho que resultou da oficina oferecida pelo prof. Eliezer Bueno”.

Ele vai dizer que é um desenho de amador, cru. Mas vocês devem convir comigo que é belíssimo. Acontece que este desenho trouxe o gosto caído nos olhos de jabuticaba da menininha Susan que brilharam sabores quentes. E me levaram a escrever o que segue (texto que transcrevo do facebook):

“A água gorda dos astecas. A fruta que todos acham que não é fruta. Verde, amarelada, vermelha. Tantas cores reunidas. Água gorda, brilhosa, saborosa, chamativa. Se ela desse em árvores, eu diria que foi ela o fruto ofertado para Eva. Serpente esperta, um dos animais mais inteligentes que Deus criou.

Dizem que no início esta fruta era somente usada como enfeite em jardins. Tão linda aquela bolinha vermelha reluzente. Depois passou a frequentar pratos culinários. Seu nome é praticamente o mesmo em diversos países. Mas tem outro na Itália e na Rússia.

Mas o que me importa neste texto é falar sobre a fruta não de forma científica ou histórica. Nem romantizada como pomo d’amore – fruta do amor (dizem que tem efeitos afrodisíacos, mas o que é oficial é que ela faz bem como preventivo ao câncer de próstata, em até 50%).

O que quero falar é sobre o desenho dela. Um novo amigo a desenhou. Uma policromia de esferográfica em papel canson. Uma canção em vermelho, com leves notas verdes e amarelas. Não imaginei que a caneta esferográfica pudesse ter traços tão leves… pianíssimo!

O jogo de luz e sombra, tal qual teclas de piano, trazendo a melodia de um molho profundo e denso. Não maduro (o tomate, não o desenho). Apesar de saber que o desenhista dirá o contrário. Mas o que é um desenho maduro? Na minha humilde opinião, é aquele desenho que provoca arrepios, reflexão ou desejos. E o desejo de um tomate ainda quente do sol – antes de ser bicado pelo passarinho, que eu roubava do pé no quintal, sem meu pai ver…  voltou. Eu levava para o fundo do quintal um pouquinho de sal, e me escondia embaixo da parreira, para devorar o tomate.

Ou seja, este tomate não é rasteiro … é profundo… é alto. Alcança estrelas, alcança memórias antigas. Fico surpresa com um desenho tão bom em tão poucas aulas. Isso me anima a tentar também. Obrigada por isto, Mario!”

Enfim. Esta é a crônica. Espero que o leitor mais atento tenha percebido o que eu pretendia. Que nada está desconectado aqui. Que as ligações, teias, conexões, são fios, linhas, gavinhas, elos, que ligam, interligam, conectam, enrolam, mesmo que NÓS não tenhamos a mínima ideia do que está acontecendo.

Que cada leitor faça seu próprio link.

E que este ano que se inicia possibilite mais e mais relações, hiperlinks, teias e mosaicos, para cada um de nós. Mesmo que enxerguemos tudo apenas longe, seja no tempo, seja no espaço.

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(Desenho: Mario Freitas. Foto: Susan Blum.)

Saudade do Futuro

Por Toda Letra em 6 de janeiro de 2014

Saudade do Futuro

No primeiro dia de 2014, e bateu uma saudade do futuro.

Talvez vocês, leitores, não entendam bem isso. Talvez nunca tenham sentido saudade do futuro.

E justo no dia primeiro também vi a foto de uma nova colega, no facebook, que me deu mais saudade ainda.

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Fiquei mirando e admirando a foto e acabou me surgindo uma pequena reflexão (ainda com espírito de final de ano 2013 – início de ano 2014).

Eu já fiz a retrospectiva 2013 (vide meu blog), e tenho que repetir que este foi um ano MUITO especial para mim, em vários sentidos. Mas principalmente porque aprendi e me transformei nestes últimos sete meses o que não aprendi e me mutacionei em toda uma vida.

Sei que esta passagem (Reveillon) é apenas como um ritual. Um símbolo. Nós não “jogamos” fora o que se passou, mas sim usamos como espelho (reflexo) para o caminho futuro.

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Garanto que renasci no dia 27 de agosto. Desde então estou morrendo um pouco. E isto é ótimo!

Percebi que plantei algumas flores ao longo de minha jornada de meio século. Mas que não se comparam às flores que pretendo plantar daqui por diante.

Percebi que é sempre bom relembrar do passado (sejam as coisas boas, sejam as ruins). Para continuar tendo forças (com as boas) e para não repetir os erros (com as ruins). Por isso o espelho retrovisor (dar uma espiada no que se passou, é necessário).

Pela primeira vez senti o que é o amor verdadeiro. E pretendo carregá-lo comigo para o resto de minha vida, dividindo-o sempre com os outros. Usei a palavra dividindo mas é um equívoco, pois pretendo doar tal qual chama que acende outras fogueirinhas e que nunca se apequena.

Prevejo um caminho LONGO e maravilhoso à minha frente e pretendo segui-lo com meu instinto mais afiado.

Meus pés estão prontos para percorrê-lo. Meu coração está pulsante em senti-lo.

Espero poder logo me abrir sobre ele, para todos.

Ele é florido. Florido de arco-íris, de olhares quentes, de sonhos leves, de pinceladas negras profundas.

Que em 2014 eu possa plantar as primeiras sementes desse sentimento. E que me sejam dadas asas para completar esta peregrinação!

Assim seja!  FENOMENAL 2014

(Agradeço as fotos, Marlyn Voigt e Magro Costa)

 

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.