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Arquivo de agosto de 2013

Sexta Sem Dúvida: currículo x curriculum

Por Toda Letra em 30 de agosto de 2013

A dúvida desta sexta-feira é da Fernanda Reigota. Ela conta: “Dou aula de empregabilidade e nesta semana um aluno me fez uma pergunta que me deixou confusa: o correto é escrever ‘curriculum’ ou ‘currículo’? Existe uma regra?”.

Creio que todos já se depararam com os dois termos e se fizeram a mesma pergunta em algum momento. “Currículo”, no entanto, nada mais é do que a forma aportuguesada da palavra em latim “curriculum”.

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Sendo assim, dá pra usar as duas, mas atenção: nada de misturas! Ou escreve “currículo” ou “curriculum vitae”. ;)

Esclarecido?

Se tiver alguma dúvida, mande pra gente no Facebook.

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, Diretora Geral da Toda Letra e Consultora de Língua Portuguesa.

Perder pode ser bom!

Por Toda Letra em 19 de agosto de 2013

Meu apartamento está bem cru. Não tem sequer o básico de móveis. Então, em uma tentativa de preencher um pouco o vazio, hoje de manhã fui plantar umas sementes (que ganhei de um casal de alunos) em um vaso que já existia na sacada. O vento forte atrapalhava um pouco. Peguei o pacotinho plástico com as 4 sementes e derrubei uma em minha mão, pensando em deixar as outras para mais tarde, quando visse que vingaria. O vento arrancou o saquinho de minha mão. Ele saiu voando. Perdi 3 sementes, e só a que estava na minha mão ficou. Plantei com carinho e cuidado (como procuro fazer com tudo na vida).

Fiquei refletindo sobre a perda. Não aprendi a perder. Detesto perder coisas, mas principalmente amores e amizades. A morte não é algo com que lido facilmente. O abandono me é uma sensação terrível.

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Mas, apesar de tudo, com o tempo consigo lidar com tudo isso. O querido e maravilhoso tempo (tão temido por sua fatalidade) me ajuda a sentir menos dor.

Porém, há algo que não consigo lidar MESMO: o não concretizado.

Sabe quando você conhece alguém muito bacana e percebe que pode sair dali uma GRANDE amizade ou até mesmo algo maior? Mas, então, algo atrapalha. Um mal entendido, um instante errado e tudo se perde. Sempre tento recuperar, pedir desculpas, tentar conversar. A dor maior é quando percebo que a outra pessoa também sente o mesmo, porém não admite novos contatos. Daí eu tenho que aprender com o vento de hoje. Ele leva de forma abrupta as possíveis flores. Só me resta ter esperança de que caia em solo fértil e que nasçam mais flores de carinhos e cuidados.

É. Perder não é tão ruim assim. Mas ainda tenho muito a aprender.

Sejam felizes! Amem! E digam aos outros que os amam. Se eles não lhe amam e não lhe querem, o problema não é seu. Mas se deixa de dizer o que sente, ficará com isto guardado. E, guardado, acabará apodrecendo e morrendo em vez de possibilitar outros nascimentos.

Disperse seu amor. Vale a pena!

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

Sexta Sem Dúvida: que x quê

Por Toda Letra em 16 de agosto de 2013

Hoje, esclareço a segunda dúvida da Jéssica Carvalho. Agora, ela questiona o acento na palavra QUE.

A palavra QUE, na língua portuguesa, pode, algumas vezes, aparecer acentuada. Isso acontece quando está no fim do texto. A explicação para isso se deve ao fato de que a nossa fala tem tonicidade na parte final de nossas frases, ou seja, o acento, o ritmo da nossa fala é mais evidente no final de nossas sentenças. É por isso que o QUE e também o POR QUÊ aparecem acentuados nessas condições.

Veja os exemplos:

Perguntei o motivo da briga mas ele não explicou por quê.
Ele apenas se questionou: brigara para quê?

E aí, esclarecido?Então, já sabe: se tiver alguma dúvida, manda pra gente no Facebook!

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, Diretora Geral da Toda Letra e Consultora de Língua Portuguesa.

Sexta Sem Dúvida: depois de dois pontos, a letra é maiúscula?

Por Toda Letra em 9 de agosto de 2013

A dúvida de hoje é da Jéssica Carvalho. Ela pergunta: “Tenho visto em alguns veículos de comunicação o uso da letra maiúscula depois de dois pontos, como na capa da TPM abaixo. Está incorreto, certo?”.

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Certo! Dois pontos não encerram frase. As únicas pontuações capazes de encerrar uma frase no português são ponto final, reticências, exclamação e interrogação. Portanto, depois de dois pontos, o correto é usar letra minúscula.

Exemplo:

- Pensei na seguinte maneira de resolver essa situação: comprar um carro novo.

Há alguma exceção? Sim! Quando a informação depois dos pontos for uma citação entre aspas, esta começará com letra maiúscula.

No início de citação:

- Deputado acusa: “O governo não governa.”

- Já dizia Machado de Assis: “Ao vencedor, as batatas.”

Se depois dos dois pontos vier um mero desdobramento da frase (e não citação textual) ou uma enumeração, a palavra começará com minúscula:

- Comerciantes alertam: faltarão brinquedos no Natal.

- A Prefeitura definiu as prioridades do orçamento: metrô, pavimentação e obras na periferia.

(Fonte: Manual de Redação O Estado de São Paulo)

Você também tem alguma dúvida? Mande pra gente lá no Facebook!

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, Diretora Geral da Toda Letra e Consultora de Língua Portuguesa.

Sobre o fim da Bravo!, o perfil do leitor contemporâneo e coisas que devemos relembrar

Por Toda Letra em 5 de agosto de 2013

Na semana passada, a Editora Abril anunciou o fim de algumas de suas publicações impressas. Entre elas, a Revista Bravo!, que desde 1997 se dedicava às pautas sobre produção artística – sobretudo literatura.

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Folheando seus exemplares ou navegando pelo seu site, fica clara a sua identidade. Há uma série de textos longos, analíticos e muitas vezes críticos, características que nem sempre vão de encontro às exigências da massa de leitores contemporâneos, que procura pelo conciso e objetivo, conforme orienta a academia.

Tal argumento poderia justificar sua extinção. Talvez não haja espaço para publicações tão densas no mercado editorial brasileiro dos anos 2000. Contudo, não podemos ignorar a ironia que cerca essa afirmação.

A classe artística e amantes da arte em geral reclamam com frequência da ausência de crítica de arte na grande imprensa. A Bravo!, uma das poucas publicações que dedicou sua vida a este exercício, teve seu prazo de validade expirado.

Com isso, aumenta ainda mais essa carência no segmento – e também os questionamentos. Será que a procura existe, mas é insuficiente? Será que vivemos na cultura do desinteresse?

Existem centenas de variáveis e nenhuma delas se mostra conclusiva neste momento.

Como fato, podemos dizer que boas críticas e reportagens estamparam as páginas da Bravo! ao longo desses dezesseis anos.

Relembremos quatro delas:

1. Em 2008, a Bravo! conversou com Millôr Fernandes, cuja personalidade dispensa apresentações. Na entrevista, que foi conduzida com maestria por Sérgio Rodrigues, o escritor fez afirmações polêmicas, dignas de releitura.

Bravo!: A cultura escrita está perdendo prestígio no mundo inteiro. Isso é ruim?

Millôr: O volume de escritos está numericamente maior e percentualmente menor. Com a internet, cada um tem seu blog, e, quando há um volume muito grande de gente praticando, tudo se abastarda. Quando se deliberou que não haveria mais métrica e rima na poesia, toda senhora de 50 anos começou a fazer poesia. Hoje o marketing é violento. Quando o cara consegue explodir, como o Paulo Coelho, está feito: nada faz mais sucesso que o sucesso. Eu só li um livro dele, um com nome árabe [O Zahir]. Outro dia ele disse que não liga para o que os tradutores fazem com seus livros. Pô, o tradutor só pode melhorar aquilo! Mas vai melhorar o Guimarães Rosa…

Leia mais aqui.

2. Em 2010, João Barile conversou com Ferreira Gullar, que tinha acabado de ganhar um Prêmio Camões por Em Alguma Parte Alguma, livro que marcou o fim dos 10 anos que passou sem publicar. Durante a entrevista, o escritor falou sobre os momentos de sua vida que inspiraram seus poemas.

“Enquanto te enterravam no cemitério judeu
De S. Francisco Xavier
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção de Botafogo
E as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós.”

- “Na Vertigem do Dia”, do livro “Toda Poesia”, de 1980

Ferreira Gullar: ”Esse poema foi escrito no em dia que Clarice [Lispector] morreu. Estava em casa, me preparando para viajar para São Paulo, quando tocou o telefone, dizendo que ela tinha acabado de morrer. Fiquei chocado porque tinha tentado ir visitá-la no hospital. E ela me mandara um recado para que eu aguardasse e voltasse depois. Achei estranho porque a informação era a de que era duvidoso que ela voltasse para casa, já que seu estado era grave. Pouco depois, recebi a notícia de sua morte. O carro que me pegou para levar ao aeroporto foi pela lagoa Rodrigo de Freitas. Estava um dia lindo: sol e árvores balançando com a brisa. Achei chocante, um contraste. Eu triste com a morte dela e a natureza pouco ligando. (ri) O poema é isto: enquanto morremos, a natureza não tem nada a ver conosco. Ela está na dela.”

Leia mais aqui.

3. De Homero a Machado de Assis. De García Marquez a Shakespeare. Um pouco mais de Shakespeare, mas também Pirandello. Para a Bravo!, é assim que se faz uma lista com os 100 livros essenciais da literatura mundial.

Confira a lista completa.

 4. Em 2009, no novembro em que O Seminarista chegaria às livrarias, Tiago Petrik, Malu Porto e João Gabriel de Lima assinaram em conjunto o perfil que estampou a capa da Bravo! daquele mês. Na ocasião, falaram sobre um Rubem Fonseca pouco conhecido: o da vida real.

Trecho do texto: “Será que tudo o que um escritor tem a dizer sobre si próprio está em sua obra, como costuma dizer José Rubem quando quer se esquivar de uma entrevista? Trata-se de uma boa frase de efeito – que, como toda frase de efeito, é apenas meia verdade. Conhecer a biografia do autor é, sim, importante para compreender o que ele escreve. Não as fofocas e os mexericos, mas as experiências que contribuíram para a formação de seu universo literário. De acordo com os críticos, a obra de José Rubem se destaca no panorama da literatura brasileira justamente por conta desse universo.”

Saiba mais sobre a história de Rubem Fonseca.

O óculos x os óculos

Por Toda Letra em 2 de agosto de 2013

Há alguns dias, recebemos o seguinte recado da Carla Del Valle no Facebook: “Ultimamente tenho visto muito o uso ‘o óculos’ e, quando eu estive na escola, a regra culta mandava tratarmos ‘óculos’ como um plural. Quem está certo – eu ou o resto do mundo?”.

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Boa observação, não acham? Trata-se de um erro bastante frequente. Quem nunca ouviu alguém dizendo “pega o meu óculos”, por exemplo? É comum.

No entanto, quem está certa é a Carla. Óculos devem estar no plural, porque, apesar de a palavra semanticamente indicar singular, morfologicamente ela é considerada plural. E o que vale para o uso do artigo é a questão morfológica.

Ou seja, não se esqueçam: OS óculos. Sempre.

Mais alguma dúvida? Contem com a gente! Mandem suas perguntas por mensagem lá no Facebook!