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Arquivo de julho de 2013

Estado ou estado?

Por Toda Letra em 26 de julho de 2013

O jornalista Jeferson Nunes nos perguntou, via Facebook, quando a palavra “estado” deve ser escrita com inicial maiúscula. Confira a resposta da Ana Paula Mira, Consultora de Língua Portuguesa e Diretora Geral da Toda Letra:

“A grafia de Estado e estado não segue uma lógica unânime entre as gramáticas, especialmente depois dos Manuais de Redação elaborados por grandes jornais, como Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, O Globo etc.

Na gramática normativa, deve haver diferença na grafia. Quando Estado se refere a nação, deve ser grafado em letra maiúscula. “É dever do Estado garantir educação à população”. Algumas gramáticas também trazem como obrigatório quando se referem a unidades da federação, como na frase “Visitei o Estado da Bahia”. No entanto, em muitos manuais e na concepção mais moderna da escrita, que leva em consideração o uso mais difundido da língua, esta última explicação não cabe, por isso é comum vermos “O prefeito do estado da Bahia declarou estado de emergência”.

O que vale, então, é estar atento ao que ditam as normas do lugar onde se trabalha ou seguir a gramática nua e crua. Há justificativas para os dois usos.”

E aí, tem alguma dúvida? Manda pra gente lá no Facebook!

 

O amor forma uma mandala!

Por Toda Letra em 17 de julho de 2013

Estou um pouco atrasada na coluna. Aviso a todos que este mês de julho só terá uma postagem na coluna por falha pessoal e não do site. Julho: mês de “férias”, mas com muito trabalho.

Porém, entrando no clima de amor que está invadindo minha vida, com casa nova e (espero) vida nova, venho falar “dele”! O tão fatídico amor. Por mais que as pessoas digam que estão bem sozinhas, que amam viver sozinhas, não tem como negar que ao conhecer aquele casal que se dá muito bem, e que demonstra amor e carinho mesmo depois de anos de convívio, se gera uma certa expectativa.

“Será que há em algum lugar uma pessoa especial para mim?” (pensamos).

Claro que toda vez que conhecemos alguém bacana, que tem muitas coisas em comum e ainda traz química ficamos divididos em duas sensações diferentes: a certeza e a dúvida. “Puxa. Será que finalmente conheci a pessoa certa?”, “Será que esta pessoa não será mais uma decepção? Será que é mesmo a pessoa certa?”. Parece que, ao mesmo tempo que ficamos aliviados em conhecer uma pessoa maravilhosa, aquela magia que estava apenas “solta no ar” e que parece se concretizar, traz uma certa preocupação. Saudade, talvez? De não ficar mais com os pés pairando no ar, na espera. A possibilidade da certeza nos tira esta “espera”.

Sabotamos então as relações, tentando nos convencer que é melhor assim. “Antes quebrar a cara agora do que depois”. Mas sabemos que milagres não existem. Que perfeição não existe. Que as relações são inspiradas por paixões, mas que depois podem evoluir para o amor. Não precisamos estar apaixonados sempre. Temos direito ao cansaço, à solidão. Isso não significa que a pessoa não é importante.

Acredito no amor, sim. Acredito na possibilidade de construção de uma relação. Um amigo me disse uma vez que o amor não deveria ser “trabalhado”. Que deveria ser espontâneo. Será por acaso que todas as relações dele falharam e que ele está sempre só?

Vamos lá… sem “receitas”, mas com certezas: para o amor acontecer e cristalizar, é necessário ter cinco coisinhas básicas.

RESPEITO. ADMIRAÇÃO. TESÃO. SINCERIDADE. DIÁLOGO.

Se eu admiro meu par, consigo perceber as qualidades e defeitos. Consigo conviver com os defeitos porque as qualidades são mais importantes. E isso me dá mais tesão.

Se eu respeito meu par, consigo ter diálogo e ser sincera. Não vou mentir, pois sei o quanto isso pode magoar.

Enfim, tudo isso está intimamente relacionado. Como uma teia crochetada por estes cinco fios, o amor aparece. É fácil? Não. Mas é necessário caso se deseje uma boa relação. Com tudo isso o resto vem por consequência: consigo confiar, ser amiga, ter desejo, etc.

Por que estou escrevendo tudo isto?

Por causa de uma imagem do Facebook, mostrando a orbita de Vênus, como desenha uma linda mandala.

mandala

 

Não teve como não pensar nesta magia incrível, nesta beleza que somente percebemos ao nos afastar. Órbita do amor desenhando mandalas.

Acho importante que os amantes tenham seu tempo, seu espaço, suas coisas e afazeres. É na falta que percebemos o amor. É na saudade que se lembra do bem-querer. É na distância que vemos a beleza do nosso amor.

Orbitem ao redor de seus amados. Mas também ao redor de outros amores (trabalho, hobbies, etc).

Façam mandalas em suas vidas!

Bom resto de férias para todos.

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

Programe-se para a Flip!

Por Toda Letra em 2 de julho de 2013

Em 2013, a Festa Literária de Paraty (Flip) chega a sua 11ª edição. O evento, que neste ano tem Graciliano Ramos como homenageado, será realizado de 3 a 7 de julho e sua programação principal poderá ser acompanhada em tempo real pelo site oficial da Flip.

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Confira o programa principal atualizado:

3 de julho – quarta-feira

19h30 – Conferência de abertura “Graciliano Ramos: aspereza do mundo, concisão da linguagem”, com Milton Hatoum
21h30 – Show de abertura, com Gilberto Gil

4 de julho – quinta-feira

10h – Mesa 1: “O dia-a-dia debaixo d’água”, com Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques e Bruna Beber; mediação de Noemi Jaffe
12h – Mesa 2: “As medidas da história”, com Paul Goldberger e Eduardo Souto de Moura; mediação de Ángel Gurría-Quintana
14h30 – “Mesa Zé Kleber – Culturas locais e globais”, com Marina de Mello e Souza e Gilberto Gil; mediação de Alexandre Pimentel
17h15 – Mesa 3: “Formas da derrota”, com José Luiz Passos e Paulo Scott; mediação de João Gabriel de Lima
19h30 – Mesa 4: “Olhando de novo para Guernica, de Picasso”, com T. J. Clark; mediação de Paulo Sérgio Duarte

5 de julho – sexta-feira

10h – Mesa 5 : “Graciliano Ramos: ficha política”, com Randal Johnson, Sergio Miceli e Dênis de Moraes; mediação de José Luiz Passos
12h – Mesa 6: “O prazer do texto”, com Lila Azam Zanganeh e Francisco Bosco; mediação de Cassiano Elek Machado
15h – Mesa 7: “A vida moderna em Kafka e Baudelaire”, com Roberto Calasso e Jeanne-Marie Gagnebin; mediação de Manuel da Costa Pinto
17h15 – Mesa 8: “Ficção e confissão”, com Tobias Wolff e Karl Ove Knausgård; mediação de Ángel Gurría-Quintana
19h30 – Mesa 9: “Lendo Pessoa à beira-mar”, com Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli
21h30 – Mesa 10: “Uma vida no cinema”, com Nelson Pereira dos Santos e Miúcha; medição de Claudiney Ferreira

6 de julho – sábado

10h – Mesa 11: “Maus hábitos”, com Nicolas Behr e Zuca Sardan
12h – Mesa 12: “Encontro com Eduardo Coutinho”, mediação Eduardo Escorel
15h – Mesa 13: “O espelho da história”, com Aleksandar Hemon e Laurent Binet; mediação de Ángel Gurría-Quintana
17h15 – Mesa 14: “Os limites da prosa”, John Banville e Lydia Davis; mediação Samuel Titan Jr
19h30 – Mesa 15: “Da arquibancada à passeata, espetáculo e utopia”, com T. J. Clark, Tales Ab’Sáber e Vladimir Safatle

7 de julho – domingo

11h – Mesa 16: “Graciliano Ramos: políticas da escrita”, com Wander Melo Miranda, Lourival Holanda e Erwin Torralbo Gimenez; mediação de José Luiz Passos
13h – Mesa 17: “Tragédias no microscópio”, com Daniel Galera e Jérôme Ferrari
15h – Mesa 18: “Literatura e revolução”, com Tamim Al Barghoutti e Mamede Mustafa Jarouche; mediação de Arthur Dapieve
17h – Mesa 19: “A arte do ensaio”, com Geoff Dyer e John Jeremiah Sullivan; mediação de Paulo Roberto Pires
18h45 – Mesa 20: “Livro de cabeceira – Convidados da Flip leem e comentam trechos de seus autores favoritos”; mediação de Liz Calder