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Arquivo de junho de 2013

Sexta Sem Dúvida: “proibido a entrada” x “proibida a entrada”

Por Toda Letra em 28 de junho de 2013

Um dia desses, o Jeferson Nunes enviou uma charge curiosa para a nossa página no Facebook. Nela, o Benett (chargista da Gazeta do Povo) coloca uma placa que diz: “Proibido a entrada de estranhos”. O questionamento era: será que ele cometeu algum erro de português? Nós respondemos que, sim, ele errou.

Justificativa:

Com a expressão “é proibido”, a concordância pode ser feita de duas maneiras: “É proibido entrada” ou “É proibida a entrada”. Isso porque a palavra “proibido” só concordará com o substantivo quando tiver artigo na frente, ou seja, se estiver definido. Na charge do Benett, a palavra “entrada” tem esse artigo na frente, portanto o correto seria “proibida”.

E aí, resta alguma dúvida? Mande para a nossa página no Facebook.

*As dúvidas são respondidas pela Ana Paula Mira, Diretora Geral da Toda Letra e Consultora de Língua Portuguesa. 

Inscrições para oficina de crítica literária da BPP vão até 4 de julho

Por Toda Letra em 26 de junho de 2013

O escritor e professor gaúcho Luís Augusto Fischer ministra, entre 11 e 13 de julho, oficina de crítica literária, na quarta edição das Oficinas BPP em 2013. As inscrições estão abertas até o dia 4 de julho. Para se inscrever, é preciso enviar um breve currículo e uma resenha, de no máximo duas laudas, sobre um livro de ficção da literatura nacional ou estrangeira. O material deve ser enviado para o endereço oficina@bpp.pr.gov.br. Serão selecionados pelo autor 15 participantes.

Quem é Luís Augusto Fischer?

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Foto: Divulgação/BPP

Nascido em Novo Hamburgo, em 1958, Fischer é hoje um dos principais críticos brasileiros. Autor de ensaios sobre Machado de Assis e Nelson Rodrigues, tem sido presença constante nas páginas dos jornais e revistas brasileiros, falando sobre a literatura contemporânea. Mestre e doutor em Letras pela UFRGS, leciona na universidade, no curso de Literatura Brasileira, desde 1985. Atualmente escreve para os jornais Zero Hora, Folha de S. Paulo e ABC Domingo, além de ser colaborador das revistas Bravo! e Superinteressante.

Como escritor, Fischer já publicou livros de contos, crônicas e ensaios. Entre suas obras, destacam-se Dicionário de Porto-Alegrês (1999) e o Dicionário de palavras e expressões estrangeiras (2004), livros que fizeram grande sucesso entre os leitores.

Qual será o conteúdo abordado durante a oficina?

Durante a Oficina na BPP, Fischer passará pelas história da crítica brasileira, traçando um panorama desde os antigos suplementos até as atuais cadernos de cultura. Também falará sobre as diversas perspectivas da crítica em relação a gêneros como conto, poesia e romance.

O Projeto

As oficinas de criação literária promovidas pela BPP acontecem mensalmente e buscam aliar teoria e prática, colocando o público em contato com diversos gêneros literários. Esta é a quarta Oficina BPP de Criação Literária de 2013. Este ano, os escritores José Castello (Romance), Fabrício Corsaletti (Poesia) e Ernani Ssó (Infantojuvenil) já ministraram oficinas. Até novembro, outros quatro cursos irão acontecer.

Serviço:

Oficina BPP de Criação Literária – Crítica Literária com Luís Augusto Fischer

De 11 a 13 de julho

Inscrições abertas até 04 de julho pelo e-mail oficina@bpp.pr.gov.br

Informações: (41) 3221-4974

BRASIL – verás que um filho teu não foge à luta!!

Por Toda Letra em 17 de junho de 2013

* por Susan Blum

Não tem como escrever uma crônica hoje em dia deixando de falar no assunto mais importante da história do Brasil dos últimos anos. O ano de 2013 fará páginas em futuros livros de história com fotos e textos que apenas posso supor hoje.

Nasci nos anos sessenta. Sou filhote da ditadura. Cresci escutando o famoso: “Os russos comem criancinhas” (não entendendo isso direito, apenas os associava ao lobo mau de Chapeuzinho Vermelho).

Passei a adolescência escutando que “Brasileiro engole tudo”, “Brasileiro é cordeirinho”, “Brasileiro aceita tudo”, “Brasileiro não faz nada para mudar a situação”.

Escuto as pessoas falando dos outros povos, como Grécia, Espanha, Turquia, que – estes sim – são politizados, são conscientes e reclamam. Vão para as ruas!

Sinceramente? Eu não achava que a geração Coca-Cola e Facebook fosse se mobilizar. Sei que tem vários que ainda ficam no Facebook. Apoiando ou criticando, mas muitos estão lá. Na rua, sob chuva de balas de borracha e na pontaria de spray de pimenta.

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Agora escuto críticas contrárias: “Mas este povo é baderneiro mesmo”, “Aposto que são fantoches de outro grupo político que os está comandando”, “Mas que absurdo! Tudo isso por centavos!”.

Não! Não é por centavos. Os centavos foram apenas a gota d’água de anos de corrupção, da colocação do Renan Calheiros na cúpula, do Feliciano nos Direitos Humanos, do PEC 37, da Lei do Nascituro, dos ataques homofóbicos ou racistas, dos estupros e assassinatos das mulheres, de um Carli que mata dois rapazes por dirigir bêbado e continua solto, por várias outras violências e PRINCIPALMENTE por uma saúde e educação mais que sucateada.

Escuto pessoas dizendo que há algum grupo político por trás. Que deve ser os próprios corruptos querendo confundir a população. Que isso tudo é orquestrado. Que não é o POVO se unindo.

Por favor, não tirem este prazer mínimo do povo que está sim se aproveitando das redes sociais (como fizemos quando Ratinho era o favorito aqui em Curitiba e conseguimos reverter), mas que está se revelando, sem partidos. O que posso dizer (apenas minha opinião) é que estamos sim aproveitando, por exemplo, os Anonymus.

Escuto as pessoas dizendo: “Este grupo deve ser da bandidagem, se usam máscaras”. Incrível! Há uma propaganda que diz que nem todos que usam máscaras são bandidos. Que super-heróis também usam máscaras. Mas no caso da “realidade”, logo são tachados de bandidos.

No Facebook achei um texto que infelizmente não encontrei mais devido à imensidão de comentários e postagens. Mas era de um ativista do grupo que pedia que os colegas conversassem com as irmãs, namoradas e esposas para que estas ficassem em casa, apoiando de forma virtual, pois os policiais estavam batendo em todos. Dizia que ver policial batendo em “marmanjo” não doía tanto nele, mas batendo nelas sim. Pedia desculpas para elas, dizendo que NÃO estava as chamando de sexo frágil, mas que nestas horas a violência era muita e que deviam se cuidar. Convocava os colegas com a frase “Verás que um filho teu não foge à luta!”

Pergunto: onde está o homem violento aqui? Eles pedem o tempo todo a não-violência!

Tem um texto da Marina Colasanti – “Eu sei, mas não devia” que fala da inércia. Desse “permanecer em zonas de conforto” (por mais que sejam desconfortáveis).

Pois bem. O brasileiro cansou. O gigante adormecido despertou. E, aos que estão criticando, pergunto:

O que devemos fazer então? Se não querem que saiamos para as ruas?

Abaixo-assinados? Fizeram vários. Nada aconteceu.

Passeatas só com gritos? Fizemos várias! Nada aconteceu (sequer na mídia sai).

Movimentos “passivos” de subversão como colar cartazes com os pedidos? Um exemplo: no blog de Adonai ele pediu que os alunos colassem cartazes pelas faculdades federais. Apenas eram retirados.

Não, pessoal! É de gota em gota que se extravasa. É de ver todos os dias gente morrendo nos hospitais por péssimo atendimento. É de ver professores sendo agredidos por alunos nas escolas, ou com péssimo ensino (professores que mal sabem escrever o português).

Pergunto de novo: isso tudo é orquestrado por alguém? Por quem?

Por favor! É o POVO, gente. Pessoas como eu e você.

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Tem alguns baderneiros que se infiltram? CLARO que tem. Sempre teve isso. Afirmo de novo: NÃO sou a favor da violência. Sou pacifista por natureza.

Mas… pergunto:

O que devemos fazer para chamar a atenção sobre a ENORME insatisfação da população que está cansada da falta de respeito? O QUE DEVEMOS FAZER?

Não esqueçam que há outros países apoiando o Brasil.

Para fechar, já que falei de literatura, falo também da música. Já que “caminhando e cantando e seguindo a canção” fez parte de minha vida, há uma música que acompanha a “brincadeira” de V de Vinagre.

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

Texto em Assessoria de Imprensa é o próximo curso promovido pela Toda Letra

Por Jess Carvalho em 10 de junho de 2013

A Toda Letra está com vagas abertas para o curso de Texto em Assessoria de Imprensa, a ser realizado no dia 22 de junho, das 9h às 13h. O conteúdo contempla a revisão de técnicas jornalísticas, o texto em releases, questões como concisão e objetividade, bem como dicas para identificação de valores-notícia.

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Além da parte teórica, também será abordada a prática, a partir de análise de releases enviados à imprensa.

O curso será ministrado pela consultora de língua portuguesa Ana Paula Mira, que é diretora geral da Toda Letra, jornalista, mestre em administração e marketing e professora de jornalismo.

Tem interesse? Então, anote aí:

Curso de Texto em Assessoria de Imprensa

Data: 22 de junho
Horário:
9h às 13h
Local:
FAE Centro Universitário (24 de Maio, 135)
Investimento:
R$ 100,00*

* O valor dá direito a material digitalizado e certificado

* Temos descontos especiais para grupos. Entre em contato para mais informações!

Para se inscrever, é fácil. Envie um e-mail com seu nome e telefone para contato@todaletra.com.br. No assunto, escreva CURSO TEXTO EM ASSESSORIA DE IMPRENSA JUNHO 2013. Assim que recebermos sua mensagem, enviaremos um e-mail com as informações para pagamento e com uma ficha de inscrição que deve ser preenchida. As vagas são limitadas e as inscrições vão até 18h do dia 20 de junho, quinta-feira!

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O Haiti NÃO é aqui!

Por Jess Carvalho em 3 de junho de 2013

Um dos meus sobrinhos é estagiário em uma construtora. Como sabem, recebemos em Curitiba diversos haitianos que se refugiaram aqui no Brasil. E eles vieram para vários campos de trabalho, sendo um deles a construção.

Meu sobrinho me relatou que cinco deles estão ali. No início eram rápidos, bons, espertos e fantásticos.

Foto: Focus Missions

Foto: Focus Missions

Porém, algumas saídas com os “brasileiros” da obra foram suficientes para que ficassem desleixados, relapsos e preguiçosos. O que aconteceu?

Os “colegas trabalhadores” os iniciaram na cultura brasileira: “Não precisa fazer tão bem!”, “Não seja tão rápido”, “Você ganha o mesmo de qualquer forma!”.

Ora, tenho falado bastante sobre a meritocracia para os professores.

Fez? Fez bem? Recebe melhor que outros que nada fazem ou fazem mal feito. Se assim fosse (em todo e qualquer emprego), os haitianos teriam mudado de comportamento?

Vejam outro exemplo baseado no que ouvi, tempos atrás, dentro do ônibus (em uma segunda-feira de manhã): uma mãe e uma filha estavam no Expresso Campo Comprido (que pego em média 4X ao dia).

- Pois é, mãe. Os vizinhos de baixo reclamaram do barulho que eu estava fazendo com meus colegas. Só porque era meia-noite.

- Mas filha, você tem que tomar cuidado! (e eu feliz em ouvir isso, pensando: a mãe vai ensinar a filha a ter respeito com os demais).

- Eu sei, mãe. É diferente do outro apartamento que eu tava, né? Lá eu ficava até tarde e ninguém ligava porque era ap pequeno, cheio de estudantes no prédio, que fazia barulho até tarde. Mas este é de “família”. Não dá.

- Então, filha. Faz silêncio! Você não pode perder este aluguel barato, com ap maior que o outro! (neste momento quase arregalo os olhos. Quer dizer que a mãe na verdade está pensando só na filha?). Ela continua: – Vai que alguém reclama para o dono do ap e ele para de alugar pra você?

E assim continua a conversa delas, mostrando claramente que a mãe pouco se importa com a filha fazendo barulho. Porque afinal, o risco é perder o apartamento. Logo, que os outros se lixem, desde que não atrapalhem a vida da filha. Que “belo” ensinamento esta mãe está dando para a filha!

É incrível como este comportamento de “se eu estou bem, o resto não me interessa” impera. Ando a pé e vejo muitos motoristas que correm pelas ruas nunca dando chance da gente atravessar; sobem nas calçadas com velocidade, sem cuidar com os pedestres; viram nas ruas sem fazer o sinal de luz que vão entrar. Lombadas elevadas? Acho que eles pensam que é “gangorra” e passam correndo.

Ou então os pedestres, usuários de ônibus: entram pela porta 3 e ali permanecem, mesmo sabendo que muitos outros tubos virão e que eles terão que descer pela dois ou quatro. Atrapalham a entrada de todos e ainda ficam reclamando de quem quer entrar porque viu que tem lugar (pelo menos um pouquinho) lá no início ou final do ônibus.

Gente que NÃO levanta para os idosos, e estão sentados no lugar marcado deles.

Outro exemplo são as benditas câmeras para ver os bandidos em ação. Achavam que isso intimidaria. Hoje já sabem que os bandidos estão cada vez mais ousados e violentos. Os bandidos se arrependem? Não. Só de terem sido pegos pela polícia.

Esta câmera deveria ser o olho interno da consciência. Não interessa se não há ninguém olhando. EU sei que não devo fazer tal coisa. Interessa que EU sei se estou errando ou acertando.

NÃO sou santa. Tenho meus defeitos. Por vezes não tenho paciência com minha mãe, tenho raiva de meu irmão, tenho mágoa de algum ex. Isso tudo EU tenho que trabalhar. Todos nós temos o poço de fundo de quintal, bem tampado com belos vasos de lindas e cheirosas flores, mas no qual jogamos os cadáveres putrefatos dos defeitos. Temos que nos auto-observar e mudar.

Voltando ao assunto do barulho com vizinhos, temos o caso recente do homem que matou o casal de vizinhos e se matou depois. Por causa de quê? Por causa de barulho!

Estamos presenciando uma geração de egos infantis. Pessoas que não têm resiliência alguma. Choramingam: “Eu quero isso e quero que me dê AGORA!”.

Uma geração de pessoas que até têm sonhos, mas que desistem rapidamente deles ao menor sinal de dificuldade. Que não correm atrás das coisas, que querem tudo na mão. Que não querem TRABALHAR pelas coisas.

E assim retornamos aos haitianos. Eles estão lutando por uma vida melhor. Mas o que estamos ensinando para eles?

Qual a cultura do brasileiro? Faça mal feito, faça devagar, ou nem faça. Seja egoísta. Só pense em você!

Incrível a diferença. Não. O Haiti NÃO é aqui. Porque se trabalhássemos como os haitianos, teríamos mais aprendizagem. No Haiti há um ditado: “Nou lèd, nou La!” – que significa “somos feias, mas estamos aqui”.

Mostrando a importância do ser humano independente de padrões de beleza. Uma pena que os brasileiros sejam MUITO feios por dentro, e que só se importem consigo mesmos. Teriam muito a aprender com os haitianos.

Espero que este texto truncado sirva como um mínimo de reflexão para os próximos 15 dias.

Um abraço, Susan.

*Para maior conhecimento recomendo a leitura do blog que fala da história do Haiti:

http://giramundo-cirandeira.blogspot.com.br/2010/01/haitianos-literatura-e-artes-plasticas.html

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

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