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Curitiba surrealista

Por Toda Letra em 2 de abril de 2013

Susan Blum*

Dois anjinhos sorridentes passam por mim na altura da janela do Expresso.

Este fato me desperta o olhar. A curiosidade daquela menininha que perguntou ao pai o que o gato queria saber. Aquele. Cuja curiosidade o matou.

Percebo então que uma oncinha cruza com ursos polares, em um jardim multicolorido de rosas brancas, girassóis mais que amarelos, lilases, orquídeas, flores miúdas azuis. Este cruzar lento entre os animais, bem pacífico, intrigaria Darwin.

Variadas pizzas verdes, marrons, roxas – com ou sem a borda da catupiry – também rodopiam pelas ruas, fazendo inveja a qualquer político corrupto.

Já Kandinsky ficaria encantado com as bolinhas vermelhas, as listras azuis, os xadrezes verdes, os amarelos explosivos em tufos. Tudo em uma mistura geométrica desordenada.

Um ou outro preto ainda teima em aparecer. Funéreo, lúgubre, insalubre, fúnebre, para nos fazer lembrar da Curitiba provinciana.

Só não vi nenhum branco. Claro! Puro e virginal? Nos dias de hoje? Nem pensar!

Mas… espere! Quase isso. Olha lá! Sinto como se tivesse penetrado na tela de Meia-noite em Paris. Sim. Paris. Século XIX.

É. A chuva em Curitiba nunca mais será a mesma!

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

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