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Arquivo de abril de 2013

Aproveite o feriado de 1º de maio para visitar diferentes exposições

Por Toda Letra em 29 de abril de 2013

No feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, museus da Secretaria de Estado da Cultura estarão abertos para visitação. Exposições no Museu Oscar Niemeyer, Casa Andrade Muricy e Museu Alfredo Andersen, e as mostras itinerantes em Morretes, no Instituto Mirtillo Trombini e na Casa Rocha Pombo, estarão disponíveis ao público.

Exposição “Apresentação | Representação”, na Casa Andrade Muricy

O Museu Oscar Niemeyer (MON) abriga atualmente exposições de sucesso entre o público, como “A Magia de Escher”, que vem quebrando recordes de visitação, “Leda Catunda – Pinturas Recentes”, “O Brasil de Marc Ferrez – Fotografias do acervo do Instituto Moreira Salles”, “Ione Saldanha: o tempo e a cor”, “PR/BR – Produção da imagem simbólica do Paraná na cultura visual brasileira”, “Museu em construção”, “Múltiplo Leminski” e “Acervo MON – Aquisições 2011/2012”. O museu fica aberto na quarta-feira, das 10h às 18h. Porém, até às 20h é possível visitar a exposição com obras do artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher. O ingresso custa R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia).

Colagens, pinturas, desenhos e fotografias de artistas brasileiros e alemães fazem parte das três novas exposições que estão em cartaz na Casa Andrade Muricy (CAM), em Curitiba. As mostras “Ocidentes e Orientes”, “Under Construction” e “Apresentação | Representação” têm entrada gratuita.  No feriado, é possível visitar a CAM das 10h às 16h.

O Museu Alfredo Andersen apresenta as exposições “Álbum de Família”, de Suzana Bianchini, e a mostra de Attila Wensersky. A primeira é fruto da pesquisa que a artista realiza há anos, na qual tenta extrair personagens, muitas vezes desconhecidos, das fotos de álbuns antigos e esquecidos nas gavetas. Já Attila Wensersky apresenta pinturas com planos bidimensionais de cor. As manchas e pinceladas soltas foram sendo contidas até se tornarem numa geometria caótica e orgânica. A visitação pode ser feita das 10h às 16h, também com entrada gratuita.

Em Morretes, as duas mostras que integram o programa de exposições itinerantes Museus Paraná estarão disponíveis para visitação no feriado de quarta-feira. “Jesus Santoro, a revelação de um mestre” e “Nego Miranda no acervo do Museu Alfredo Andersen” estão expostas no Instituto Mirtillo Trombini (10h às 16h) e na Casa Rocha Pombo (10 às 22h), respectivamente. A entrada de ambos é gratuita.

O Museu de Arte Contemporânea estará fechado para montagem de exposição. O Museu do Expedicionário e o Museu Paranaense estarão fechados para dedetização.

 

Serviço:

Exposição “Nego Miranda no acervo do Museu Alfredo Andersen”

Local: Casa Rocha Pombo (Largo Dr. José Pereira, 43. Morretes)
Período expositivo: até 2 de junho de 2013.
Horário de visitação: de 27 de abril a 5 de maio, das 10h às 22h. De 6 de maio a 2 de junho, das 8h às 17h.
Entrada gratuita.

Exposição mostra “Jesus Santoro, a revelação de um mestre”
Local: Instituto Mirtillo Trombini (Alameda João de Almeida, 20. Morretes).
Período expositivo: até 2 de junho de 2013.
Horário de visitação: de 3ª a domingo, das 10h às 16h.
Entrada gratuita.

Exposições “Ocidentes e Orientes”, “Under Construction” e “Apresentação | Representação”
Local: Casa Andrade Muricy (Alameda Dr. Muricy, 915 – Centro. Curitiba)

Visitação: de terça a sexta-feira, das 10 às 19h, sábado e domingo, das 10 às 16h.
Entrada gratuita. 

“Álbum de Família”, de Suzana Bianchini, e mostra de Attila Wensersky.
As mostras permanecem até 12 de maio de 2013.
Local: Museu Alfredo Andersen (Rua Mateus Leme, 336. Curitiba)

Visitação: terça a sexta-feira, das 9h às 18h. Sábado, domingo e feriado, das 10h às 16h.
Entrada gratuita.

“A Magia de Escher”, “Leda Catunda – Pinturas Recentes”, “O Brasil de Marc Ferrez – Fotografias do acervo do Instituto Moreira Salles”, “Ione Saldanha: o tempo e a cor”, “PR/BR – Produção da imagem simbólica do Paraná na cultura visual brasileira”, “Museu em construção”, “Múltiplo Leminski” e “Acervo MON – Aquisições 2011/2012”

Local: Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999. Curitiba)

Visitação: terça a domingo, das 10 às 18h. Exposição do Escher até 20h.

Entrada: R$ 6,00 e R$3,00. Venda de ingressos até 17h30.

No primeiro domingo do mês a entrada é gratuita.

 

Educação ou ensino?

Por Toda Letra em 29 de abril de 2013

por Susan Blum*

Ontem, dia 28 de abril, foi o dia mundial da Educação.

Gostaria de aproveitar este dia para fazer algumas reflexões. Primeira questão: há diferença entre os conceitos das duas palavras do título?

Segundo alguns estudiosos do assunto (não tenho estudo específico sobre educação e por isso busquei na internet) “Educação é o processo de transferência e aquisição de valores enquanto Ensino é o processo de transferência e aquisição de conhecimentos.  Conhecimentos é o conjunto de saberes cientificamente comprovados.” (sic)

Gostaria de pensar um pouco sobre estas colocações.

Sou professora há pouco mais de 30 anos (comecei com 17 anos, dando aula em Jardim de Infância), eu ensino – principalmente – as pessoas a escreverem. Mas não só isso. Sempre inseri nestes ensinamentos (desde o Jardim, até hoje) a educação. Ou seja, através de leituras e escritos, sempre busquei que os alunos PENSASSEM sobre as coisas. Que QUESTIONASSEM tudo que lhes é passado. Uso muito o poema VERDADE, de Drummond, para iniciar os alunos nestes pensamentos, reflexões e argumentações. PRECISO que o aluno PENSE sobre o que falo. Que faça, por conta, as devidas conexões de todo o material que vou repassando, conseguindo promover diálogos entre paráfrase, paródia, ideologias, charges, pontos de vista, questionamentos, metáforas, metonímias, argumentações, paradigmas, empatia, etc. Que o aluno busque mais conhecimentos na internet, nos livros, em artigos acadêmicos.

Ou seja, dissociar ensino de educação me parece um pouco frágil. Claro que a família repassa a maior parte dos valores; mas não será função de um Mestre abrir os olhos dos discípulos para que percebam outras possibilidades e façam suas escolhas por si mesmos?

Sabemos, por experiência, que reprimir os jovens só traz problemas futuros. Que temos que prepará-los para as dificuldades e tentar mostrar que todos eles têm potencial. Mas também mostrar que o uso e desenvolvimento deste potencial só cabe a eles. Não interessa se o aluno está em uma Universidade Federal ou na X ou Y. Não interessa se tem os melhores professores. É O aluno que faz a sua formação! Mas sim, ajuda ter professores que dialoguem, argumentem, contestem, escutem. Isto fará com que o aluno tenha mais vontade de aprender e crescer. E tudo isso com respeito.

Aliás, coisa que falta muito hoje em dia. Vemos alunos desrespeitando professores, filhos desrespeitando pais, pessoas violentas nas ruas, discutindo e brigando por qualquer coisa. Relacionamentos baseados em discórdias. Pessoas que não conseguem ter bom convívio, que se tornam sociopatas, fugindo da sociedade (com poucos ou nenhum amigo).

A sanidade mental, intelectual, sentimental corre – hoje em dia – um grande risco. O que falta? Educação? Ensino? Ou amor?

Dias atrás recebi diversas mensagens pelo facebook. Muitas delas considero relevantes e por isso associo a esta “crônica”. Afinal, é com a rede de conhecimentos, diálogos e possibilidades de reflexão que podemos nos tornar pessoas melhores. Considero importante a troca de ideias e de pensamentos.

Vou linkar por partes:

1. Caso Yoani. Sou filhote da ditadura. Não vivi os anos 60 com consciência, pois era uma criança (que só queria fugir da realidade dura da casa, subindo em árvores com um livro e seu gato, para não ter que ver ou pensar sobre a violência). Então,  independente de não viver a realidade da ditadura, vivi a realidade doméstica. Assim, não compreendo pessoas não permitirem a liberdade de expressão de outros (não deixar o outro falar é algo que me abala profundamente). Sempre recordo de uma fala de uma professora, que tive na 4ª série: “Minha liberdade termina onde começa a do outro”. Respeito acima de tudo. O que faltou para estas “pessoas” que tentaram calar a voz de Yoani à força? Educação? Ensino?

2. Nativos digitais. A notícia é antiga: novembro de 2012. Mas fiquei fascinada em ver como a curiosidade levou, sem orientação, crianças de comunidades isoladas na Etiópia a aprenderem a manejar tablets e a se alfabetizarem sozinhas. O que sobra nestas crianças? Educação? Ensino?  Sei o que faltava: oportunidade.

3. Educação e Pirataria. Este assunto já é mais complexo porque gera mais discussão acalorada, então me limito a linkar 3 possibilidades de reflexão: Blog de Adonai.

(espero, sinceramente, que o José Padilha faça os filmes sobre pirataria e sobre a educação)

Meu blog, postagem sobre plágio.

Notícia recente: “Quanto menor a renda e a escolaridade, maior o respeito à lei, diz estudo da FGV” 

Quanto menor a renda e a escolaridade maior o respeito… qual será o real motivo? Medo? Recorrente impunidade aos ricos? Pessoas com maior renda e escolaridade se acham mais “espertos”? Ou a ética (valores) ainda prevalece nos mais pobres? Se for este o caso – de novo as perguntas. Por quê? Religião? Educação dada pela família (tipo: sou pobre, mas honesto?)

4. Mr. Hollywood e as crianças do lixão. Outra notícia que adorei. Novamente mostrando que basta dar oportunidade, que as crianças logo aproveitam bem. Esta história me fascinou principalmente pela “coragem” do Mr. Hollywood largar tudo que tinha para ajudar desconhecidos. Coisa que não vejo em muita gente. Principalmente em pessoas que vivem arrotando sobre as mazelas da educação, mas que nada fazem de concreto para mudar a situação (ou que se dizem cansadas do mundo e que pretendem fugir para o meio do mato, sozinhas).

Enfim. Novamente deixo aqui fios soltos. Cabe a cada um pegar o fio da meada e costurar novas realidades. Ou ao menos deixar, nos comentários, alguns quadrados de sua vida (como eu fiz aqui), para compor o PACHTWORK da educação e do ensino (por falar nisso, recomendo o filme Colcha de Retalhos).

E, assim, finalizo com um último link:

John Dewey – um exemplo que deveria ser seguido. Reparem QUANDO ele falou sobre educação e ensino. Até a próxima coluna!

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

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Nova edição do Cândido discute hegemonia do Romance entre os gêneros literários no século XXI

Por Toda Letra em 23 de abril de 2013

Gênero que teve seu ápice no século XIX, o romance atravessou os últimos 100 anos sob constante ameaça, primeiro com o advento do cinema, depois da TV, mas, após ter sua morte decretada inúmeras vezes, por críticos e escritores, o gênero chega ao século XXI mantendo seu status de mais popular estilo narrativo.


Em sua 21ª edição, o jornal Cândido ouviu leitores, acadêmicos e editores, que explicam essa aparente contradição do gênero que deu ao mundo obras-primas como Dom Quixote e Memórias póstumas de Brás Cubas.

Em ensaio sobre as origens do Romance, a professora de literatura da PUC- Rio, Daniela Beccaccia Versiani, fala sobre a importância de Dom Quixote, um dos marcos do gênero, e traça as principais mudanças que a longa narrativa adquiriu até a publicação de Ulisses, o livro escrito pelo irlandês James Joyce que provocou uma verdadeira cisão na literatura mundial. A relevância do Romance no atual cenário literário é discutida em uma longa reportagem feita por Marcio Renato dos Santos, que ouviu editores como Ivan Pinheiro Machado, da L&PM , e Vanessa Ferrari, da Companhia das Letras, além de escritores como Raimundo Carrero,

Na seção “Perfil do Leitor”, um dos mais importantes produtores musicais da cena curitibana, Cyro Ridal, revela suas preferências literárias, que vão de clássicos como Rainer Maria Rilke e Rimbaud a escritores mais próximos da contracultura, como Sam Shepard e Jack Kerouac. A controversa obra do escritor francês, Louis Ferdinand Céline,Viagem ao fim da noite é recontada  na seção “Making Of”.

Entre os inéditos, Luiz Andrioli vai “Em Busca de Curitiba” com o conto “Passagem marcada”, André de Leones publica trecho de seu romance Terra de casas vazias, previsto para ser lançado ainda neste mês. A 21ª edição do Cândido ainda traz o conto “Samba em dor maior”, do londrinense Rogério Ivano, e poemas do ex-crítico musical e vocalista da banda Maria Angélica não mora mais aqui, Fernando Naporano, que faz sua estreia literária.

Serviço:

Cândido tem tiragem mensal de dez mil exemplares e é distribuído gratuitamente na Biblioteca Pública do Paraná e em diversos pontos de cultura de Curitiba. Também é enviado, via correio, a diversas partes do Brasil. É possível ler a versão online do jornal no seguinte endereço: www.candido.bpp.pr.gov.br . O site também traz conteúdo exclusivo, como entrevistas e inéditos.

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Gibiteca da Biblioteca Pública do Paraná passa por reestruturação

Por Toda Letra em 22 de abril de 2013

Referência para os fãs de histórias quadrinhos em Curitiba, a Gibiteca da Biblioteca Pública do Paraná passa por um processo de reestruturação. Desde julho de 2012, a BPP iniciou uma parceria com o estúdio de quadrinhos UCM Comics, que trabalha na renovação e organização do acervo, para oferecer um espaço mais completo, dinâmico e agradável ao público.

(Foto: Divulgação/BPP).

O primeiro passo do projeto foi a catalogação do acervo, que facilitou o acesso e a visualização de todo o material disponível na Gibiteca, cujo espaço físico também vem sendo repensado. “Depois de organizarmos as prateleiras, começamos a catalogação, um trabalho bastante extenso. Antes de concluirmos essa parte, mais exemplares surgiram: alguns de origem da reserva técnica e outros seis mil que vieram de uma doação anônima”, explica Fernando Rubel, um dos responsáveis pelo trabalho.

Segundo Rubel, a parceria entre a UCM Comics e a BPP também busca transformar a Gibiteca em um espaço que disponibilize produções paranaenses. “A ideia é que, quando se falar em quadrinhos locais, os interessados sempre pensem primeiro na Biblioteca Pública”, explica.

Eventos

Outro objetivo do projeto é fazer da Gibiteca um espaço de convivência. Em 2012, foram realizados dois eventos para aproximar artistas e o público: um encontro entre a cartunista Priscila Vieira e a Coordenadora da Gibiteca de Curitiba, Maristela Garcia, e um bate-papo com o quadrinista Denilson Santtos e o escritor André Vianco., que falaram sobre a adaptação para os quadrinhos o livro O turno da noite, de Vianco.

Em 2013, acontece o projeto mensal “RPG na BPP”, uma tarde dedicada aos fãs do jogo. A primeira edição aconteceu em 16 de março e a segunda está marcada para o próximo dia 20 de abril. Para participar, os interessados devem imprimir um “passe livre”, disponível no site www.uccomics.com, que deve ser apresentado na portaria da BPP. Não é necessário saber jogar.

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Tesouro

Por Toda Letra em 15 de abril de 2013

Susan Blum*

Era uma hora precoce. Em uma noite idosa.  Um baú guardado no sótão me achou. Ele se sentia empoeirado e com a tranca enferrujada. Com uma miúda curiosidade, dormente, semi-animada, fui esfolando os dedos na ânsia de abrir o baú. Pela dificuldade, por causa da forte aderência que o tempo molestou, percebi que aos poucos a curiosidade ficou palpitante, mais viva. O sangue, a dor e o obstáculo aparentemente invencível, fizeram brotar uma teimosia há muito aplacada.

A diligência concebeu realizações. Um tranco forte e finalmente a tampa do baú quebrou-se. Um estrondo arrancou-me do chão, cruzando os ouvidos, rasgando os ossos, trincando o cérebro. Uma dor cruciante lacerou minha alma.

Ainda aturdida, senti como que chamas correndo pelos braços, em aclive pela pilastra vertebral. Uma calidez se instalou na mente. Esguichando miúdas bolhas de sabão multicores. As cores dançavam alegremente na superfície aquosa. Mas quando as peguei, elas não ribombavam. Eram feitas de um material ao mesmo tempo macio e leve quanto forte e maciço. E, a cada toque, ela usurpavam minha vida pacata e tranquila. A zona de conforto foi sendo solapada a cada leve toque delas.

Imagens pipocavam em fatias congeladas: no alto da árvore, lendo para o gato negro. Dentro do armário, vestida de Velho Oeste, sacudindo com a corrida da carruagem que era perseguida pelos índios. No alto da torre, vestida de princesa. Jaleco branco, na frente do microscópio, com pipetas e buretas, descobrindo a cura do câncer. O mesmo jaleco branco, escrevendo no quadro verde com giz branco, ensinando aos bonecos e cachorrinhos de pelúcia sobre minhocas cortadas ao meio. Sapatos e luvas da mãe, colar de pérolas, usando a longa piteira negra, óculos escuros – a La Audrey – uma escritora de sucesso. Malas prontas, em cima de camelos no deserto ou enfrentando leões na floresta ou velejando pelos sete mares. Roupas diferentes, dessa vez uma rainha do antigo Egito, aproveitando o busto de Nefertiti da casa. Uma túnica, o lápis de olho azul da mãe desenhando a lua crescente no meio dos olhos, sob as brumas de Avalon.

Brumas que vão se dissipando, a vida atual é um óculos que lhe tira a miopia de tufos coloridos, fabricando a “perfeição” dos detalhes. Os lanhos na madeira, os fios brancos, as mãos encrespadas, os refolhos dos olhos, as algias das juntas.

As lágrimas empurram, gota a gota os sonhos de volta ao baú. Cada um dos sonhos vão pingando para o interior profundo, inferindo que não mais voltarão para a luz do dia. Que foi a última vez que “feriram” a criança perdida dentro daquela jaula enrugada que logo fenecerá. A velha que em nada se transformou. Ela era rica e não sabia!

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

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Toda Letra promove curso de Aperfeiçoamento Gramatical

Por Toda Letra em 15 de abril de 2013

A Toda Letra está com vagas abertas para o curso de Aperfeiçoamento Gramatical, a ser realizado no dia 27 de abril, das 9h às 13h. O conteúdo contempla as regras mais usadas no dia a dia, além das novas normas ortográficas do último acordo que mudou o nosso vocabulário. O curso será ministrado pela diretora geral da Toda Letra e consultora em Língua Portuguesa, Ana Paula Mira.

 

*Ana Paula Mira é consultora de Língua Portuguesa, diretora geral da Toda Letra, jornalista, mestre em administração e marketing e professora de jornalismo. 

Será contemplado no curso:

  • Novas regras ortográficas;
  • Concordâncias verbal e nominal;
  • Uso de pronomes (este/esse/cujo, entre outros);
  • Pontuação;
  • Crase;
  • Coesão e coerência;
  • E muito mais!

Além disso, também trabalhamos a parte prática, para relembrar e fixar conhecimentos. Tem interesse? Então, anote aí:

Curso de Aperfeiçoamento Gramatical
Data: 27 de abril
Horário: 9h às 13h
Local: FAE (Rua 24 de Maio, 135)
Investimento: R$ 100,00*
*O valor dá direito a material digitalizado e certificado.

Para se inscrever, é fácil. Clique aqui, preencha seus dados e, no assunto da mensagem, escreva CURSO DE APERFEIÇOAMENTO GRAMATICAL ABRIL 2013. Assim que recebermos sua mensagem, enviaremos um e-mail com as informações para pagamento e com uma ficha de inscrição que deve ser preenchida. As vagas são limitadas e as inscrições vão até 18h do dia 26 de abril, sexta-feira!

 

*Acesse o formulário de inscrições escaneando o QR Code:

 

 

Inscrições abertas para oficina de poesia com Fabrício Corsaletti

Por Toda Letra em 10 de abril de 2013

Fabrício Corsaletti é o segundo convidado das Oficinas BPP de Criação Literária em 2013. Corsaletti fala sobre poesia entre 14 e 16 de maio. As inscrições estão abertas e se encerram em 8 de maio. Os interessados devem enviar um poema curto, de até duas laudas, e um breve currículo para o e-mail oficina@bpp.pr.gov.br. O escritor vai selecionar 15 pessoas.

Nascido em Santo Anastácio, no interior de São Paulo, em 1978, Corsaletti é graduado em Letras pela USP. Atualmente é colunista do jornal Folha de S. Paulo. Considerado uma das grandes promessas da poesia brasileira contemporânea, em 2010 publicou uma elogiada coletânea com 60 poemas, escritos entre 2006 e 2009, intituladaEsquimó. Escreveu ainda o livro de contos King Kong e cervejas (2008) e o romance Golpe de ar (2009).

O Projeto
As oficinas de criação literária promovidas pela BPP acontecem mensalmente e buscam aliar teoria e prática, colocando o público em contato com diversos gêneros. Ainda em 2013, outras seis oficinas de Criação Literária serão realizadas.

Programação 2013:

Poesia: Fabrício Corsaletti (14 a 16 de maio)

Infantouvenil: Ricardo Azevedo (11 a 14 de junho)

Crítica Literária: Luis Augusto Fischer (10 a 12 de julho)

Crônica: Antônio Torres (13 a 15 de agosto)

Narrativa experimental: Marcelino Freire (10 a 12 de setembro)

Jornalismo Cultural: Marcos Flamínio (9 a 11 de outubro)

Conto: Antonio Carlos Viana (12 a 14 novembro) 


Serviço:

Oficina BPP de Criação Literária (Poesia), com Fabrício Corsaletti
De 14 a 16 de maio
Inscrições abertas até 8 de maio pelo e-mail oficina@bpp.pr.gov.br
Informações: (41) 3221-4974

 

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'Feirão de Livros' da UFPR traz exemplares com 50% de desconto em Curitiba

Por Toda Letra em 9 de abril de 2013

Começou hoje (09) o 4º Feirão de Livros organizado pela Editora UFPR. Durante três dias serão colocados à venda obras editadas pela UFPR e editoras universitárias de todo País. O evento está sendo realizado no hall do prédio da Administração do Centro Politécnico, das 9 às 20 horas.

'Feirão' segue até quinta-feira, dia 11. (Foto: Rodrigo Juste Duarte / UFPR / Divulgação)

Entre as editoras participantes estão a Unesp, Champagnat, Eduel, Exitus, Edusp, UFMG, UEPG, Cosac Naify, Unicamp, Centauro, Vozes, Boitempo, Senac, Instituto Piaget, Companhia das Letras, L&PM Pockt e Fiocruz. A condição para as editoras participarem do Feirão é de que todos os exemplares tenham 50% de desconto, mas será possível encontrar publicações com descontos até maiores, em torno de 90%.

No estande da Editora UFPR é possível encontrar revistas como o Espaço Geográfico, por R$1,00 e a série escritores paranaenses por R$2,00 cada exemplar. Há ainda os três volumes de Anatomia da Melancolia, de uma série de quatro, por pouco mais de R$70,00. O clássico da literatura alemã “Aventuroso Simplicíssimo” é uma das obras muito procuradas também. Mesmo as obras lançadas nos últimos meses já estão sendo vendidas abaixo do preço. O movimento tem sido grande na feira desde a abertura. Estudantes, professores e profissionais de diversas áreas já procuraram a UFPR para adquirir livros.

Segundo Gilberto Castro, diretor da Editora UFPR, o Feirão é aberto a toda a comunidade, com entrada gratuita e visa oportunizar a compra de livros a um preço mais acessível.

4º Feirão de Livros
Data: de 9 a 11 de Abril de 2013
Horário: das 9 às 20 horas
Local: hall do prédio de Administração do Centro Politécnico, Jardim das Américas


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Curitiba surrealista

Por Toda Letra em 2 de abril de 2013

Susan Blum*

Dois anjinhos sorridentes passam por mim na altura da janela do Expresso.

Este fato me desperta o olhar. A curiosidade daquela menininha que perguntou ao pai o que o gato queria saber. Aquele. Cuja curiosidade o matou.

Percebo então que uma oncinha cruza com ursos polares, em um jardim multicolorido de rosas brancas, girassóis mais que amarelos, lilases, orquídeas, flores miúdas azuis. Este cruzar lento entre os animais, bem pacífico, intrigaria Darwin.

Variadas pizzas verdes, marrons, roxas – com ou sem a borda da catupiry – também rodopiam pelas ruas, fazendo inveja a qualquer político corrupto.

Já Kandinsky ficaria encantado com as bolinhas vermelhas, as listras azuis, os xadrezes verdes, os amarelos explosivos em tufos. Tudo em uma mistura geométrica desordenada.

Um ou outro preto ainda teima em aparecer. Funéreo, lúgubre, insalubre, fúnebre, para nos fazer lembrar da Curitiba provinciana.

Só não vi nenhum branco. Claro! Puro e virginal? Nos dias de hoje? Nem pensar!

Mas… espere! Quase isso. Olha lá! Sinto como se tivesse penetrado na tela de Meia-noite em Paris. Sim. Paris. Século XIX.

É. A chuva em Curitiba nunca mais será a mesma!

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

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Fundação Cultural lança edital para doação de livros para as Tubotecas

Por Toda Letra em 1 de abril de 2013

A Fundação Cultural de Curitiba lançou edital de chamamento público aos interessados em doar grande quantidade de livros para as Tubotecas. Os grandes doadores – pessoas físicas ou jurídicas – terão como contrapartida a divulgação publicitária de seus nomes ou logomarcas. Quem doar acima de mil exemplares terá o seu nome como patrocinador do projeto divulgado no site da Fundação Cultural de Curitiba, no link “Tuboteca”. Quem doar acima de cinco mil exemplares terá direito também a inserir o seu nome ou logomarca na parte interna da capa dos livros com a expressão “Apoio Cultural”.

Obras já estão disponíveis desde o aniversário de Curitiba para empréstimo; agora, é possível fazer doação de material. (Foto: Alice Rodrigues)

Serão aceitas doações de livros de contos, crônicas, romances, poesias, quadrinhos infantil e infanto-juvenil, similares e livros de difusão de ciência e história. Não serão aceitos livros didáticos, técnicos, religiosos, jornais e revistas de assuntos gerais ou de notícias, manuais, guias, enciclopédias, bem como qualquer material com teor ofensivo, discriminatório ou pornográfico. Os livros devem contemplar, preferencialmente, autores curitibanos e paranaenses, e devem estar em bom estado de conservação.

As propostas de doações poderão ser entregues até 15 de novembro de 2013. A análise das doações e a seleção dos livros serão feitas por uma equipe técnica da área de literatura da Fundação Cultural. O edital nº 041/2013, com as regras para doação e demais informações, está disponível neste site (clique aqui).

O projeto das “Tubotecas” consiste na instalação de uma pequena biblioteca no interior das estações-tubo, disponibilizando para os usuários do transporte coletivo de Curitiba livros que podem ser emprestados, sem custo e sem necessidade de fazer cadastro. A iniciativa da Prefeitura, desenvolvida pela Fundação Cultura de Curitiba, Ippuc e Urbs, tem o objetivo de incentivar o hábito da leitura. A primeira Tuboteca foi inaugurada pelo prefeito Gustavo Fruet na última quinta-feira (28), numa das estações-tubo da Praça Rui Barbosa. O projeto-piloto prevê a instalação de mais nove unidades.

As informações são da Fundação Cultural.