Blog

Arquivo de março de 2013

José Castello coordena Oficina de Romance na BPP

Por Toda Letra em 28 de março de 2013

O escritor e crítico literário José Castello é o convidado da primeira edição de 2013 das Oficinas de Criação Literária da Biblioteca Pública do Paraná (BPP). Entre os dias 9 e 11 de abril, Castello falará sobre o romance, abordando e debatendo clássicos brasileiros desse gênero literário como Lavoura arcaica (Raduan Nassar), Água viva (Clarice Lispector) e Solidão continental (João Gilberto Noll).

O escritor e crítico literário José Castello é o convidado da primeira edição de 2013 das Oficinas de Criação Literária da Biblioteca Pública do Paraná. (Foto: Guilherme Pupo/Divulgação).

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 5 de abril, pelo e-mail oficina@bpp.pr.gpv.br. Os candidatos devem enviar um breve currículo e um texto de ficção (conto ou trecho de romance). Os escritores Fabrício Corsaletti (Poesia), Antônio Torres (Crônica) e Marcelino Freire (Narrativa Experimental) estão entre os próximos convidados das oficinas.

O escritor

Nascido no Rio de Janeiro, José Castello é graduado em Jornalismo. Um dos críticos mais respeitados do país, publicou em veículos como Jornal do Brasil, Istoé e O Estado de São Paulo. Vive em Curitiba desde 1994.

Como escritor, percorreu diversos estilos, da crônica ao ensaio biográfico. Recebeu o Prêmio Jabuti duas vezes — em 1994, pela biografia Vinicius de Moraes: O Poeta da Paixão, e em 2011, pelo romance Ribamar. Atualmente, Castello escreve para o jornal O Globo.

Oficina BPP de Criação Literária

Poesia: Fabrício Corsaletti (14 a 16 de maio)
Infantojuvenil: Ricardo Azevedo (11 a 14 de junho)
Crítica Literária: Luis Augusto Fischer (10 a 12 de julho)
Crônica: Antônio Torres (13 a 15 de agosto)
Narrativa experimental: Marcelino Freire (10 a 12 de setembro)
Jornalismo Cultural: Marcos Flamínio (9 a 11 de outubro)
Conto: Antonio Carlos Viana (12 a 14 novembro)

Serviço

Oficina BPP de Criação Literária – Romance, com José Castello.

Dias 9, 10 e 11 de abril, das 14h às 18h.

Inscrições: até 5 de abril, pelo e-mail oficina@bpp.pr.gov.br

Inscrições gratuitas. Vagas limitadas.


Um Escritor na Biblioteca recebe Ignácio de Loyola Brandão

Por Toda Letra em 26 de março de 2013

Personalidade influente da cultura brasileira, Ignácio de Loyola Brandão abre a temporada 2013 do projeto “Um Escritor na Biblioteca”. O encontro acontece no dia 3 de abril, a partir das 19 horas, no Auditório Paul Garfunkel, da Biblioteca Pública do Paraná. Ao longo do ano, a BPP receberá mais sete autores para o bate-papo. A entrada é franca.

Ignácio de Loyola Brandão é um dos mais prolíficos autores brasileiros (Foto: IMS)

A prosa de Loyola Brandão transita por diferentes estilos. Um dos mais prolíficos autores em atividade no Brasil, o escritor já publicou romances, contos, biografias e relatos sobre viagens, além de obras infantojuvenis. A conversa será mediada pelo escritor e jornalista Luís Henrique Pellanda.

Nascido em 1936, em Araraquara, Loyola Brandão publicou mais de 40 livros, entre os quais Não verás país nenhum,Zero e Bebel que a cidade comeu. O autor venceu o prêmio Jabuti duas vezes. Vários de seus livros foram traduzidos para outras línguas, entre elas o italiano, inglês e alemão. Atualmente, ele é cronista no jornal O Estado de S.Paulo.

O projeto

“Um Escritor na Biblioteca” é a reedição do projeto homônimo que aconteceu na década de 1980, no qual os convidados falam sobre leitura, trajetória literária e assuntos relacionados ao universo do livro. A proposta foi retomada em 2011 com o objetivo de reafirmar o importante papel da BPP na formação de novos leitores.

Em dois anos, quase duas dezenas de escritores passaram pelo auditório da BPP. Nomes como Milton Hatoum,Sérgio Sant’AnnaJoca Reiners TerronLuiz RuffatoReinaldo MoraesMarçal AquinoAntônio TorresElvira Vigna e João Gilberto Noll participaram do evento, falando de suas carreiras e obras e compartilhando com o público suas trajetórias como leitores.

As conversas também são transcritas, editadas e publicadas no Cândido, jornal de literatura da BPP. O segundo encontro de 2013, marcado para o dia 8 de maio, traz o escritor Roberto Gomes.

Agenda

“Um Escritor na Biblioteca” — Ignácio de Loyola Brandão
Data: 3 de abril
Horário: 19 horas
Local: Auditório Paul Garfunkel, no segundo andar da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133 — Centro — Curitiba/PR)
Mais informações: (41) 3221-4900 www.bpp.pr.gov.br
Entrada Franca.

Livro “Quilombos das Américas” é lançado em Brasília

Por Toda Letra em 25 de março de 2013

O livro Quilombos das Américas – Articulação de Comunidades Afrorrurais foi lançado no dia 20 de março, durante a programação da 3ª Conferência do Desenvolvimento (CODE), realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília. Na ocasião, também foi apresentado um vídeo com imagens e depoimentos gravados durante a pesquisa de campo que gerou a obra. A CODE aconteceu entre os dias 18 e 22 de março.

Livro Quilombos das Américas é lançado em Brasília
Obra é resultado do projeto com mesmo nome coordenado pela SEPPIR e traz experiências das comunidades de Empata Viagem em Maraú, na Bahia, Valle Del Chota-Salinas e La Concepción, no Equador; Garachiné, em Darién, no Panamá
A publicação traz uma síntese dos marcos legais internacionais de direitos humanos e de combate ao racismo e promoção da igualdade racial de comunidades afrurrurais do Brasil, Panamá e Equador, que desenvolvem o Projeto Quilombos das Américas, coordenado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

O objetivo do projeto é promover a soberania alimentar e a ampliação do acesso aos direitos econômicos, sociais e culturais de comunidades afrorrurais nas Américas e fomentar a construção de redes de cooperação interinstitucionais.

A apresentação do livro foi feita por Bárbara Oliveira, diretora de Programas da Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Rafael Osório, diretor de Estudos e Políticas Sociais e Josenilton Marques, pesquisador da Coordenação de Igualdade de Gênero e Raça, ambos do Ipea.

De acordo com Bárbara, o projeto possibilita diálogos, fortalece a articulação e a formação de redes entre os seus participantes e, portanto, a construção de uma rica experiência. “Percebemos também que há poucos avanças do ponto de vista do direito entre essas populações, que sofrem de severa vulnerabilidade socioeconômica, ao mesmo tempo em que os contextos políticos contrários se fortalecem”, diz.

Josenilton destacou a importância da formação de uma rede entre os participantes do projeto que termina servindo também para a denúncia da violação de direitos.   “Que o livro sirva de instrumento de reflexão e de luta”, afirmou.

A pesquisa de campo que gerou a obra foi realizada em 47 dias, entre outubro e dezembro de 2011, nas comunidades de Valle Del Chota-Salinas e La Concepción, no Equador; Garachiné, em Darién, no Panamá, Empata Viagem, em Maraú, na Bahia, no Brasil.

Parceiros – Além da SEPPIR , participam do Projeto Quilombos das Américas, a Embrapa, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, o Ipea, a Secretaria Geral Ibero-americana (Segib), o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), a ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres e o Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia.

O projeto conta ainda com apoio da Conaq, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Codae, Seen, a Federação das Comunidades Negras de Carthi e Imbabura, no Equador, a Associação dos Quilombos da Região de Empata Viagem e a Alcadia de Tchpigana no Panamá.

Você pode fazer o download do livro aqui.

As informações são da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. 

Caixa Cultural Curitiba lança publicação de literatura e arte

Por Toda Letra em 21 de março de 2013

A CAIXA Cultural Curitiba promove hoje o lançamento da revista de literatura e arte “Bólide”, publicação da Editora Medusa, editada por Eliana Borges, Joana Corona e Ricardo Corona, com distribuição nacional (em livrarias) feita pela Editora Iluminuras. O projeto conta com incentivo integral da Caixa Econômica Federal, pela Lei de Incentivo à Cultura.
A “Bólide”, que será publicada trimestralmente, com narrativas, poesias, imagens, ensaios e entrevistas, é uma revista pensada como um arquivo. Serão cinco publicações, cujas capas terão a participação de um artista visual diferente, sendo a primeira do curitibano Maikel da Maia. A primeira edição tem como proposta trabalhar com relações transversais entre narrativa, poesia e arte, pensando o procedimento da montagem como campo operatório do heterogêneo e do aberto.
Os colaboradores deste primeiro número são: Annita Costa Malufe (poeta), Carlos Henrique Schroeder (escritor), Fábio Morais (artista visual), Isabel Jasinski (pesquisadora), Laura Erber (artista visual e escritora), Maikel da Maia (artista visual), Marilá Dardot (artista visual), Mario Bellatin (escritor), Nylcéa Teresa Siqueira Pedra (tradutora), Ricardo Pedrosa Alves (poeta) e Roberto Echavarren (poeta).

Redações do ENEM apresentam erros de Língua Portuguesa, mas garantem notas altas

Por Toda Letra em 20 de março de 2013

As notícias de que redações do Exame Nacional do Ensino Médio com erros de Língua Portuguesa teriam garantido nota alta suscitaram polêmicas e discussões nas redes sociais nesta semana. Em um dos exemplos compartilhados pelos internautas, estava a indignação com a nota de um aluno que escreveu uma receita de como preparar macarrão instantâneo em três minutos no corpo do texto. Em outro, o hino do Palmeiras garantiu uma nota de 500 pontos. Por fim, reportagem publicada no jornal O Globo mostrou que redações que atingiram a nota máxima – 1.000 pontos – tinham erros graves de Língua Portuguesa. Segundo O Globo, havia erros como ‘enchergar’ e ‘trousse’.  Também foram percebidos problemas de concordância em algumas redações.

Em entrevista à Toda Letra, um corretor das provas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio comentou as recentes notícias e o critério de avaliação do Exame.

Em nota, o Ministério da Educação explicou que o texto é analisado como um todo, e o que importa mesmo é que candidato tenha um excelente domínio do português, mesmo que ele cometa pequenos desvios gramaticais.

Procuramos corretores das regiões Sul e Sudeste para comentar as últimas notícias do ENEM. Na opinião de um corretor ouvido pela Toda Letra, que não pode ser identificado por ter assinado termo de sigilo ao aceitar fazer o trabalho para o INEP, “os erros comprometem, mas, infelizmente, os critérios são permissivos demais”.  Segundo ele, há cinco competências analisadas, e a fuga ao tema é indicada apenas quando o candidato não faz nenhuma referência ao que foi pedido. “É fácil uma redação ganhar alguma nota, mesmo que contenha absurdos no meio do texto. Se a redação com a receita do miojo fosse zerada, com certeza o texto seria analisado por uma equipe que criticaria a anulação e cobraria isso do corretor responsável”, afirma.

Texto, conteúdo, erros

Perguntamos a um dos corretores o que importa mais nestes casos: a essência do texto, o conteúdo, ou os próprios erros? “É um misto de fatores”, explica um dos corretores ouvido pela Toda Letra. “Não dá para ignorar erros absurdos de ortografia, ainda que o texto seja claro e com boa argumentação. É claro que os erros por si só não devem anular a redação, mas a penalidade deveria ser maior. Ao não dar a devida importância a esses erros, estamos formando uma legião de jovens que acham que o mercado de trabalho também reage assim”, explica.  O corretor lembra que já ouviu muitas histórias de candidatos a vagas de trabalho que não passaram em testes de seleção devido a erros como os mostrados nas redações do ENEM.

O sistema de avaliação por competência do Exame Nacional do Ensino Médio, na opinião do corretor, é “muito tolerante”. “A pressão para não ‘pesar’ a mão na hora da correção é muito grande, tanto para corretores quanto para supervisores”, encerra.

 

 

Museu da Imagem e do Som do Paraná organiza mostra de cinema inspirada na obra de Nelson Rodrigues

Por Toda Letra em 19 de março de 2013

Considerado o mais importante autor teatral brasileiro e adaptado diversas vezes para o cinema, Nelson Rodrigues é o tema desta mostra de cinema organizada pelo Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR) que ocorre entre os dias 19 e 22 de março de 2013 no Auditório Brasílio Itiberê. A entrada é franca.

Quatro dos melhores filmes inspirados em peças do dramaturgo serão exibidos na mostra. Três obras são dirigidas por importantes diretores do nosso cinema: Arnaldo Jabor, Leon Hirzman e Bruno Barreto e a mais recente delas por um filho do autor, Jofre Rodrigues. Outro grande atrativo da Mostra são elencos compostos por grandes nomes dos nosso palcos e telas, como Fernanda Montenegro,

Marília Pêra, Paulo Gracindo, Ney Latorraca e Tarcísio Meira. Também em papéis de destaque aparecem as atrizes paranaenses Simone Spoladore e Letícia Sabatella.

Antes da sessão de abertura, no dia 19/03, o premiado diretor teatral e dramaturgo Edson Bueno vai falar sobre o filme “Toda Nudez Será Castigada” e o universo de Nelson Rodrigues, autor que Bueno encenou diversas vezes em Curitiba.

Classificação Indicativa: 16 anos

De 19 a 22/03, sempre às 20h

Local: Auditório Brasílio Itiberê (anexo à Secretaria de Estado da Cultura)

Rua Cruz Machado, 138, Centro. Curitiba. PR.

Entrada gratuita

PROGRAMAÇÃO

19/03 (terça) – Toda Nudez Será Castigada -  de Arnaldo Jabor, com Darlene Glória e Paulo Porto – apresentação de Edson Bueno

Em uma família tradicional, Herculano, um homem puritano que só tinha tido uma mulher na vida, prometeu para  seu filho, enquanto a esposa agonizava, que jamais teria outra mulher. Após se embebedar, Herculano vai a um bordel e encontra Geni. Passa a noite com ela e os dois se apaixonam. Herculano promete se casar com ela, mas para isto precisa fazer Serginho viajar.

20/03 (quarta)  – O Beijo no Asfalto – de Bruno Barreto, com Tarcísio Meira e Ney Latorraca

Um homem é atropelado e antes de morrer pede um beijo na boca a outro homem que o socorre. O fato vira notícia, desencadeando uma onda de repressão social e explosão de sentimentos e preconceitos até então reprimidos.

21/03 (quinta)  – A Falecida – de Leon Hirzman, com Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo

Zulmira, mulher pobre do subúrbio sonha com um funeral de luxo para compensar sua vida simples e miserável num subúrbio do Rio de Janeiro. Com interpretação notável de Fernanda Montenegro, em seu primeiro papel no cinema, o filme expõe a alienação da mulher que idealiza a própria morte como redenção para o vazio existencial.

22/03 (sexta) – Vestido de Noiva – de Jofre Rodrigues, com Marília Pêra e Simone Spoladore

Após ser atropelada, Alaíde sofre perda de memória. Durante uma operação ela começa a se recordar de sua vida desde o momento em que leu o diário da cafetina Madame Clessi, ao mudar-se para a casa que há cerca de 37 anos havia sido um bordel. Daí em diante, o que se vê é um jogo onde alucinação e realidade se misturam.

 

Coluna da Susan 2: Dando o Braço

Por Toda Letra em 18 de março de 2013

Susan Blum*

David e Alex. Linhas cruzadas na grande teia que é São Paulo.

Alex está saindo de casa, quase meia-noite, e dá um tchau rápido para a mãe que está deitada na cama, lendo um livro de Robert Louis Stevenson. Ela pede que ele se cuide, pois o perigo ronda lá fora. Alex pega seu carro e vai para uma festa, para se divertir com amigos e beber.

O tempo passa. O perigo ronda lá fora.

David acorda bem cedo, toma o café que a mãe lhe prepara. Enquanto falam de seus desenhos e do serviço que ele faz: limpa vidros. Para economizar, ele vai de bicicleta até o trabalho. A mãe de David lhe recorda de uma animação Disney que ele gostava muito quando criança: Pateta no trânsito.

O tempo passa. O perigo ronda lá fora.

Alex sai da casa noturna após três doses de vodka. Dá carona a um amigo e fica brincando no trânsito de final da madrugada. Passaram das quatro horas. Grita, atropela os cones da rua, provoca outros motoristas.

O tempo passa. O perigo ronda lá fora.

David vem com a bicicleta, entra na faixa de ciclismo e até chega a perceber o carro que vem rapidamente. Mas não tem tempo de desviar. Não lembra de mais nada.

Alex sabe o que fez. Mas não para para socorrer. Leva o amigo para casa. Ao ir para a sua, joga o braço (que poderia incriminá-lo) em um rio próximo. Chegando em casa, a mãe vê seu estado. Pede que ele se entregue.

Como pensa que já passou muito tempo, não terá vestígios do álcool. Vai na delegacia e se entrega. Mas se recusa a fazer o teste de bafômetro. Os policiais se informam do ciclista ainda vivo no hospital, porém sem o braço. Alex os acompanha no trajeto que fez, na “busca” do braço. Dá o braço a torcer e acaba confessando que havia jogado o mesmo no rio.

Apesar de uma busca feroz para correr contra o tempo. Tempo que passa, com perigo de perder o tempo hábil de reimplante, os bombeiros e policiais não encontram o braço.

David perde um braço. Alex perde o respeito de todos. Um limpador de vidros, um estudante de psicologia. Um ciclista, um motorista. Um trabalhador de família simples. Um estudante de família “boa”.

O tempo passa. O perigo ronda lá fora.

Um fugiu (dizendo que foi por medo de represálias). Um ficou (sem braço).

Um não teve ética. Outro teve ética por todos nós. Pois fez algo que eu ainda não consigo fazer… Ele perdoou Alex. Não sei se algum dia Alex se perdoará.

O tempo passa. O perigo ronda aqui dentro.

p.s. crônica baseada em fatos, mas com fios de conexão bem ficcionais. Caso queiram conhecer o vídeo citado: 

 

*Susan Blum Pessôa de Moura, formada em Psicologia (PUCPR – 86) e em Letras (UFPR – 2003). Mestre em estudos literários (UFPR – 2004). Possui publicações acadêmicas em revistas literárias como Fragmentos (UFSC), Letras (UFPR), Magma (USP) e Alpha (Unipam). Autora do livro de contos Novelos Nada Exemplares (2010) e participante da coletânea de contos (de autores paranaenses) Então, é isso? (2012). Professora da Universidade Positivo, pesquisadora no Grupo de Estudos sobre o espaço (UFPR) desde seu início, em 1999, ministra cursos de criação literária no CELIN da UFPR (desde 2008) e escreve mensalmente para a Toda Letra.

Sexta sem Dúvida: S com som de Z!

Por Toda Letra em 15 de março de 2013

Ana Paula Mira*

A Aline Lima nos perguntou via Facebook: Existe uma regra específica para as palavras em que o S não está entre duas vogais e mesmo assim faz som de Z? Por exemplo: Trânsito, transa, transação…

Oi, Aline! O S terá som de Z quando estiver entre duas vogais (asa, fase) ou quando for seguido de uma consoante chamada “vozeada“. Essas consoantes, em português, são “b, d, g, v, m, n, r, l” (mesmo, Israel, resvalar). Apesar dessas duas regras, não signfica que não há exceções, tanto que há várias palavras em que o S não está entre duas vogais e, mesmo assim, apresentam o som de Z, como as palavras “trânsito” e “transa”, por exemplo.

Se você tiver alguma dúvida de Língua Portuguesa, mande para nós! :)

*Ana Paula Mira é consultora de Língua Portuguesa, diretora geral da Toda Letra, jornalista, mestre em administração e marketing e professora de jornalismo. 

Celin está com as inscrições abertas para o curso de criação literária

Por Toda Letra em 12 de março de 2013

O Centro de Línguas e Interculturalidade (Celin) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está com as inscrições abertas para o curso extensivo de criação literária com ênfase em leitura e interpretação de textos. Com edições desde 2008, ministrado pela professora Susan Blum (mestre em estudos literários e autora do livro de contos “Novelos Nada Exemplares”),  o laboratório de texto se propõe a todos que desejam desenvolver a criação literária e melhorar a sua interpretação de textos.

Para Susan Blum, o texto pode ser melhorado sempre. “O processo de escrita é 90% transpiração e apenas 10% inspiração”, afirma.

A professora Susan Blum diz que se discutem os formatos e escolhas dos textos dos grandes escritores, mas que em suas oficinas busca fugir do padrão de trabalhar a leitura de romances, por seus alunos já se mostrarem “bons leitores”. “Procuro trabalhar mais a criatividade, buscando outros olhares, ou seja, uma visão diferenciada em cima do comum e corriqueiro”, afirma Susan.

Segundo Susan, dos vários alunos que participaram e participam do curso, muitos entraram na faculdade de Letras, outros ganharam concursos e até publicaram obras. “Desta vez o objetivo, além do mesmo de todas as edições que é criar – ou seja, ESCREVER textos ficcionais – é saber LER e interpretar textos de grandes autores”, antecipa.

Escrita sem segredos

“A troca entre os alunos sempre é rica e todos aprendem algo (mesmo que seja aprender a duvidar e pensar)”, conta Susan.

O curso se destina a toda e qualquer pessoa que goste de ler e que gostaria de escrever , é eminentemente prático (com tarefas de casa de escritas) e participativo (sugestões e críticas dos textos dos colegas).  ”Independente de a pessoa querer ser um escritor algum dia, poderá ter contato com textos literários, perceberá como se faz a escrita diferenciada de uma literatura de uma escrita qualquer (como uma lista de compras), terá uma interpretação redimensionada pelo olhar dos outros, compreenderá a necessidade de se saber criticar e receber críticas”, encerra.

As aulas acontecem sempre às quarta-feiras, das 19h às 22h, no Celin da Rua XV de Novembro (Centro), e as informações sobre matrícula e detalhes podem ser acessadas aqui.

Livro com histórias e relatos de vítimas da ditadura é relançado em congresso da Contag

Por Toda Letra em 11 de março de 2013

A segunda edição do livro Retrato da Repressão Política no Campo – Brasil 1962/1985 – Camponeses Torturados, Mortos e Desaparecidos foi relançada durante o Seminário Internacional sobre Violência no Campo, promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), em Brasília (DF).

Além dos relatos de trabalhadores e lideranças do campo agredidas ou de  testemunhas das arbitrariedades cometidas por agentes do Estado durante a ditadura, a obra conta com informações obtidas a partir da consulta a documentos do período feita pelas autoras, as pesquisadoras Ana Carneiro e Marta Cioccari, do Programa de Pós-Gradução em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A publicação está disponível na internet.

A segunda versão traz alguns acréscimos e atualizações às histórias reunidas na primeira edição do livro, publicada em 2010, pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A essência e o objetivo da obra, contudo, foi mantida: “contar a saga de homens e mulheres que ergueram a bandeira da reforma agrária e lutaram pelos direitos dos trabalhadores da terra, revelando um cenário de violência, censura e arbitrariedades ocorridas no meio rural durante a ditadura militar”, assinalam, na apresentação da obra, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Afonso Florence.

Os casos foram reunidos de acordo com a região geográfica onde ocorreram (os relatos das regiões Centro-Oeste e Norte foram reunidos em um único capítulo). O livro conta as perseguições, agressões e limitações impostas a personagens como o bispo emérito de São Félix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga. Após assumir a prelazia, em 1971, quando manifestou o desejo de construir “uma igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social”, Casaldáliga foi alvo de várias tentativas de expulsá-lo da região. Acusado de subversão, chegou a ser mantido em prisão domiciliar, como uma ameaça à segurança nacional.

Em 1976, ao tentar impedir, juntamente com o padre João Bosco Penido Burnier, que uma mulher fosse torturada na delegacia de Ribeirão Bonito (MT), Casaldáliga foi agredido por policiais enquanto Burnier tomou um tiro na cabeça, morrendo poucos dias depois. Em 2009, 33 anos após o assassinato, a Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu a responsabilidade do Estado pelo crime. Casaldáliga diz que o episódio foi o evento mais dramático de sua trajetória pessoal.

O coordenador do Projeto Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilney Viana, considera oportuno o relançamento do livro que coincide com o momento em que o Brasil acompanha os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, instituída em maio do ano passado para apurar as violações aos direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. De acordo com Viana, o livro é o primeiro documento com a chancela do Estado a tratar casos relatados como consequências da repressão política.

“Tudo isso vai ser entregue à Comissão Nacional da Verdade. O fato de eles serem citados nessa publicação reforça a possibilidade de essas pessoas serem reconhecidas [como vítimas da perseguição] e terem o direito à anistia, ou seja, à reparação moral e material, além do direito à memória”, afirmou Viana à Agência Brasil.

Segundo a vice-presidenta e secretária de Relações Internacionais da Contag, Alessandra Lunas, os problemas de violência no campo persistem até hoje e se agravaram em função da disputa por terras produtivas. Para debater esse tema, a Contag promove, como parte do 11º Congresso Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, o Seminário Internacional sobre a Violência no Campo, com a participação de representantes do Chile, da Colômbia, Guatemala, do Paraguai e da Nicarágua.

As informações são da Agência Brasil.