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Arquivo de setembro de 2011

Sexta sem Dúvida: mudanças no hífen

Por Toda Letra em 27 de setembro de 2011

Olá!

A dúvida de hoje é do @celsorg, que nos pediu um post sobre as mudanças no hífen, com o novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Como essas foram as mudanças mais significativas, não conseguimos em apenas um post falar sobre tudo. Então vamos abordar alguns casos que aparecem com frequência no nosso dia a dia.

Começamos justamente com essas expressões ligadas por preposição, como dia a dia, pé de moleque, mão de obra, entre outras. Antes elas eram ligadas por hífen, mas agora, no novo acordo, perderam essa característica. Outros exemplos para você guardar: pé de vento, pai de todos, fim de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa de força, cara de pau, olho de sogra.

Outra mudança (que muitos acham horrível!) é com o prefixo anti. Antes, as palavras anti-social, anti-semita, anti-rábica, eram escritas com hífen. Mas a regra nova diz que, se a palavra ligada ao prefixo anti começar com R ou S, ela deve se unir ao prefixo e dobrar a letra inicial, o que cria as formasantissocial, antissemita, antirrábica. A exceção só ocorre com palavras que começam com a mesma vogal final do ANTI (no caso, -I) ou com H, como nos vocábulos anti-inflamatório e anti-higiênico.

Também acho importante ressaltar que as palavras formadas com o prefixo bem continuam com hífen, como bem-vindo, bem-aventurado, bem-humorado.

Voltaremos a esse assunto. Se você tiver dúvidas com outros casos de hífen, mande pra gente! No próximo post sobre o assunto, sua dúvida poderá ser respondida!

 

Sexta sem dúvida #6: Ponto e vírgula

Por Toda Letra em 23 de setembro de 2011

Olá!

Na nossa sexta sem dúvidas de hoje, vamos falar sobre a dúvida da Izabella Mira, que nos pediu para comentar o uso do ponto e vírgula.

Muita gente deixa de usar essa pontuação pelo simples fato de não saber como e onde utilizá-la. O uso mais evidente é em listas, muito comuns em materiais publicitários e documentos legislativos, como no exemplo abaixo:

“Art. 2o  A assistência social tem por objetivos:

I – a proteção social, que visa à garantia da vida, à redução de danos e à prevenção da incidência de riscos, especialmente:

a) a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;

b) o amparo às crianças e aos adolescentes carentes;

(…)”

 

Mas há outro uso, dentro do texto corrido, que mais gera dúvida. A primeira questão importante é entender que o ponto e vírgula separa sempre duas orações completas, ou seja, duas frases com verbo e até com vírgulas internas. Também entendemos por orações completas aquelas que, isoladas, encerram uma ideia lógica. Veja os exemplos:

 

1.       Não esperava outra coisa; afinal, eu já havia sido avisado.

 

Percebam como as frases “não esperava outra coisa” e “afinal, eu já havia sido avisado” são frases compreensíveis se estivessem sozinhas em um texto, mas que se complementam quando colocadas ladoi a lado. Essa é uma das principais funções do ponto e vírgula: unir duas orações que se complementam.

 

2.       Os jogadores de futebol olímpico, com razão, reclamaram das constantes críticas do técnico; porém, o teimoso técnico ficou completamente indiferente aos apelos dos atletas.

 

No exemplo 2, também acontece essa ideia de complementaridade, mas há ainda outro ponto importante: as frases que se unem nesse período já têm uma pontuação particular, o que causaria confusão na leitura e geraria um período longo demais, com muitas vírgulas, se não usássemos o ponto e vírgula para separar as duas orações complementares.

 

Vale ressaltar que no exemplo 2 era perfeitamente possível usar um ponto final antes de “porém”. O uso do ponto e vírgula é uma questão de estilo.

 

Semana que vem, vamos falar do hífen na nova ortografia. Não perca!

Sexta sem Dúvida: Pego ou pegado?

Por Toda Letra em 20 de setembro de 2011

Olá!

Nosso último post, que falou sobre uso de particípio, deixou uma dúvida para a Clarissa Ferreira e para a Giovanna Lima, sobre o verbo PEGAR. Vamos a ele!

O verbo PEGAR não é classificado como abundante pelas gramáticas, ou seja, tem apenas um particípio – PEGADO. No entanto, a forma PEGO é largamente utilizada. Seu uso faz parte da evolução da língua, que é responsável por incluir palavras do dia a dia das pessoas nos dicionários e até por mudar a própria gramática. Portanto, o particípio de PEGAR é usado normalmente com os verbos TER e HAVER, como na frase seguinte: “O camisa 20 do Timão, que quase não tinha pegado na bola, foi até o banco e pediu para sair”. Já a forma PEGO é usada com os verbos SER e ESTAR – “Ele foi pego em flagrante”.

Nos Manuais de Redação da Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo, o uso do PEGO é recomendado com os verbos ser e estar, como se ele fosse abundante. Na gramática do Pasquale, está bem claro: “Pegar apresenta apenas o particípio regular: pegado”. No entanto, podemos considerar correto o uso da forma PEGO, já que ela aparece em dicionários e em boa parte da mídia, o que significa que seu uso já foi consagrado pela linguagem popular ou informal.

A Izabella Mira também nos mandou uma dúvida, mas como é muito longa a explicação, vou guardar para o post de sexta-feira. Trataremos sobre o uso do PONTO E VÍRGULA (que não tem mais hífen!).

E você também tem alguma dúvida para sexta? Comente! Mande pra gente!

Em 19 de setembro de 1851, Gustavo Flaubert concluía “Madame Bovary”

Por Toda Letra em 19 de setembro de 2011

Há 160 anos, em 19 de setembro de 1851, o autor francês Gustavo Flaubert concluía uma das obras mais clássicas da literatura mundial: “Madame Bovary”.  O romance seria publicado seis anos depois, em 1857. É considerado o primeiro romance realista da literatura. Flaubert inspirou autores como Eça de Queirós e Machado de Assis.

A personalidade literária de Flaubert, dotada de agudo senso crítico que o distanciou do exaltado gosto romântico da época, levou-o a tornar-se um dos maiores prosadores da França no século XIX. O romance “Madame Bovary” é a sua obra-prima. Baseado em fatos da vida real, o livro, que Flaubert levou cinco anos para escrever, causou forte impacto, a ponto de gerar o processo no qual o autor escapou de ser condenado à prisão, graças à habilidade da defesa, que transformou a acusação de imoralidade na proclamação das intenções morais e religiosas do autor. Nem moral, nem imoral, a narrativa é uma devastadora crítica das convenções burguesas do seu tempo.

A história

Madame Bovary conta a história de Emma, uma moça criada no campo mas com sonhos burgueses. Inspirada pelo que lê nos livros, Emma quer uma vida melhor, cheia de mimos e coisas que só os ricos podem comprar. Pensando que poderá alcançar o que tanto quer, Emma casa com Charles Bovary, um médico também do interior. Charles ama Emma apaixonadamente mas por ignorância não dá valor às coisas a que Emma dá, não vê a beleza como Emma vê e é, na visão da própria, extremamente entediante. Tentando suprir essa falta que o sonho de uma vida melhor faz, Emma procura em outros homens o alicerce para os seus desejos.

Sexta sem Dúvida: uso dos particípios regular e irregular dos verbos

Por Toda Letra em 16 de setembro de 2011

Hoje, quem deu a dica da dúvida foi a Anna Carolina Azevedo. Ela falou para comentarmos o uso dos particípios regular e irregular dos verbos. O particípio é uma forma nominal, normalmente terminada em –do (atendido, sonhado, enxergado, chegado).
Bom, antes de mais nada, acho importante explicar que nem todos os verbos têm esses dois particípios. Alguns têm apenas o particípio regular (como AMADO, de AMAR, o verbo mais regular de todos!); outros têm apenas o particípio irregular (como ESCRITO, de ESCREVER). E ainda há os verbos com os dois particípios, aos quais chamamos VERBOS ABUNDANTES (como MORRIDO e MORTO, de MORRER).
A dúvida bastante comum é quando usar um ou outro, no caso dos verbos abundantes. Então, vamos à regra. O particípio regular (aquele mais comprido, terminado em –DO) é utilizado com os verbos TER e HAVER. Veja o exemplo: “Ele tinha/havia acendido a luz, mas não conseguiu ver de quem era aquele vulto”. Já o particípio irregular é usado com os verbos SER e ESTAR, como na frase “Ele foi eleito com 100 mil votos/ Ele está eleito pela maioria”. Eu tenho um macetinho para não esquecer: sempre me lembro do verbo MORRER, pois com ele não tem erro! Sempre vai ser “HAVIA/TINHA morrido e ESTÁ/FOI morto”.
As gramáticas também trazem uma outra questão importante: os verbos “ do dinheiro” (pagar, gastar, ganhar), apesar de serem abundantes, podem usar apenas o particípio irregular (pago, gasto, ganho). Mas essa exceção acontece apenas com esses verbos!
E última questão importantíssima: o verbo chegar NÃO é abundante, ou seja, só existe o particípio regular CHEGADO. Está completamente errado dizer “ele tinha chego…”. Dá nervoso só de escrever isso, imagina falar!! Sempre vai ser “Eu ainda não tinha chegado quando ele me ligou”.

Sexta sem dúvida: Onde e Aonde

Por Toda Letra em 13 de setembro de 2011

Depois de uma semana sem tirar nenhuma dúvida (!), retornamos com a dúvida da Izabella Mira, sobre o uso de ONDE e AONDE.
O ONDE é um pronome relativo, ou seja, serve de referência em um texto. Sempre digo que a dúvida maior não é se deve ser usado com “A” ou não, mas sim o momento em que deve ser usado. Já cansei de ouvir frases de políticos como esta aqui: “Fizemos investimentos onde todos serão beneficiados”. Como assim?? Nessa construção, simplesmente não cabe usar ONDE, pois a palavra não está remetendo a lugar, mas sim a uma situação. O correto seria “Fizemos investimentos com os quais todos serão beneficiados”. Ou seja, mais que saber usar ONDE ou AONDE, temos que saber, antes de tudo, que tanto uma quanto outra palavra só podem ser usadas quando estiverem se remetendo a LUGAR.
Depois desse prelúdio, vamos à dúvida da Iza. Quando usamos AONDE, normalmente nos referimos a um verbo que exige preposição A, que são os chamados verbos “de movimento” – ir, chegar etc. Na frase “O nosso vendedor vai aonde está o consumidor”, o verbo IR é que indica o uso do AONDE (preposição A + ONDE), pois quem vai, vai A algum lugar.
Se usamos apenas o ONDE, significa que estamos completando a ideia de um verbo que não exige preposição A. No exemplo “Por anos, centenas de pessoas construíram suas casas onde isso não era permitido”, isso não era permitido EM algum lugar, ou seja, a preposição exigida é o EM, por isso uso do ONDE (já que não existe a junção do EM com o ONDE).
Basta olhar o verbo a quem o ONDE está se referindo e analisar se exige preposição A que não tem erro! Espero ter solucionado a dúvida da Iza e de muitas outras pessoas.

Quase 50% dos candidatos a vagas de estágio não têm domínio da Língua Portuguesa

Por Toda Letra em 7 de setembro de 2011

Quase a metade (48%) dos candidatos a uma vaga de estágio demonstra não ter domínio da língua portuguesa. A informação é do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube). O levantamento, que contou com 8.320 estudantes, apurou que os candidatos erram palavras como exceção, assiduidade, escasso, desajeitado, majestoso, seiscentos e assessoria, sendo que 6,3% deles erram mais da metade do teste de português, o que os exclui de qualquer vaga de estágio. 

 

 

Segundo o Nube, a nota de corte das empresas costuma variar de três a sete erros. Ainda de acordo com a pesquisa, o curso de Direito é o que obtém a maior porcentagem de candidatos que não erram nenhuma palavra, de acordo com o número de candidatos recebidos. Os engenheiros, por sua vez, são os que apresentam as melhores notas nos testes ortográficos, com 68,45% de aprovação. Em contrapartida, o curso de Administração tem apenas 38,09% de aprovados.

 

Em entrevista à Rádio Teia, a consultora em Língua Portuguesa e diretora geral da Toda Letra, Ana Paula Mira falou sobre a importância de se ter o domínio da Língua Portuguesa: “A comunicação é o que abre portas para você. É pela comunicação que as pessoas te conhecem, sabem quem você é, os seus valores. É como você se expressa que as pessoas percebem que você talvez domine determinadas coisas ou não”, afirma. “A  comunicação verbal-escrita mostra muito quem nós somos”, encerra.