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Arquivo de agosto de 2011

Sexta sem Dúvida: Concordância entre gênero diferentes e concordância verbal

Por Toda Letra em 30 de agosto de 2011

Olá!

por Ana Paula Mira

Hoje vamos responder as dúvidas da Juliana Rosado e da Tamires Leal Gatti, que nos contataram via e-mail (contato@todaletra.com.br) e via facebook, respectivamente.

A Tamires pergunta como devemos nos referir a um grupo de pessoas em que a maioria é formada por mulheres, sendo que há apenas um ou dois homens na roda: é “meninos, prestem atenção” ou “meninas, prestem atenção”. Tamires, ainda que houvesse apenas um homem no meio de mil mulheres, o correto seria “meninos, prestem atenção”. Sim, a regra é machista! A presença de um elemento masculino já é suficiente para todo o coletivo ser colocado no masculino também. Essa norma está lá no capítulo de concordância nominal nas gramáticas (concordância entre gêneros diferentes).

Já a Juliana tem uma dúvida também de concordância, só que verbal. Ela pergunta qual frase está certa:

Fatores presentes nos contextos da Revolução Francesa e da Revolução Industrial são possíveis de ser observados na sociedade atual.

ou

Fatores presentes nos contextos da Revolução Francesa e da Revolução Industrial são possíveis de serem observados na sociedade atual.

Juliana, os dois casos estão certos. Quando usamos verbo no infinitivo depois de alguma preposição, a concordância com o sujeito é facultativa, pode ir para o plural ou ficar no singular mesmo. Isso também acontece nas frases “Eles estão prontos para atacar/atacarem”, “Temos muitos problemas a ser/serem resolvidos”. Ou seja, quem manda na concordância, nesses casos, é a presença da preposição.

E você também tem alguma dúvida de gramática? Mande pra gente! 

Sexta sem dúvida: Intermediar, pronomes oblíquos

Por Toda Letra em 26 de agosto de 2011

Olá! Todos bem? Hoje vamos tirar as dúvidas da Carla Faria (@carlotz) e da Giovanna Lima (@zizica), que entraram em contato com a gente pelo nosso twitter (@TodaLetra_ ou @anamiraa), e da Dayane Machado, que nos contatou via facebook (www.facebook.com/Todaletra).

A dúvida da Carla é sobre o verbo INTERMEDIAR, que tem uma conjugação bem particular, já que muitas vezes ela até parece errada aos nossos ouvidos e olhos. O verbo é da primeira conjugação (terminado em –ar ou -iar), mas é considerado irregular, ou seja, ele se altera em algumas conjugações. Por isso, quando ele é usado na primeira pessoa do presente, ele toma a forma INTERMEDEIO. Veja no exemplo: “Eu intermedeio a relação com o cliente”. Parece estranho, mas veja como acontece o mesmo com o verbo ODIAR (que tem a mesma conjugação e a mesma classificação) e para nós não parece errado: “Eu odeio ver televisão”. Ou seja, toda vez que tiver dúvidas na conjugação do verbo INTERMEDIAR, pense que ele é igualzinho ao verbo ODIAR e a outros mais utilizados, como ANSIAR, INCENDIAR e REMEDIAR. Então, se eu odeio, eu também intermedeio/ anseio, assim como ele odeia e intermedeia/anseia.

Já a Giovanna perguntou para a gente se a construção “Me tranquei no quarto” é errada de acordo com a norma culta. Giovanna, pelas gramáticas, é errada, sim! Pelo simples fato de que, na língua culta, os pronomes oblíquos (metelhe, entre outros) não podem iniciar frases. No entanto, na linguagem informal, do nosso dia a dia, essas construções são plenamente aceitas. A gente fala normalmente “me tranquei no quarto”, “te mandei um e-mail”, mas na escrita essas construções iniciadas com pronomes oblíquos devem ser evitadas. Porém, é fundamental atentar para um detalhe: a licença poética que existe na literatura, já que em textos literários é possível utilizar a linguagem informal como forma de determinar o estilo de cada escritor. Um bom exemplo são os textos de Rubem Fonseca , escritor brasileiro consagrado pelo seu texto rápido, objetivo e coloquial. Para exemplificar, segue um trecho do romance Feliz Ano Novo, um de seus livros mais famosos. “Subimos pelas escadas e voltamos para o meu apartamento. Abri o pacote. Armei primeiro a lata de goiabada e dei pro Zequinha segurar. Me amarro nessa máquina, tarratátátátá!, disse Zequinha.”

Por fim, a dúvida da Dayane. Ela quer saber como indicar datas em uma frase. O exemplo que ela dá aparece na seguinte frase: “Nesta terça, 23, acontece tal evento“. Ela questiona qual a forma correta de pontuar esse número - se deve ser colocado entre parênteses, vírgulas ou de alguma outra forma. Dayane, essa regra normalmente consta nos Manuais de Redação de empresas jornalísticas. No da Folha de São Paulo, por exemplo, a indicação é que se coloque a data entre parênteses. No Estado de São Paulo, a data aparece entre vírgulas. Na revista Carta Capital, como você mesma nos deu a dica, a data aparece sem nenhuma pontuação. Ou seja, para saber qual a melhor maneira, consulte sempre o Manual de Redação de onde você trabalha ou qual deve ser seguido. Particularmente, eu prefiro entre parênteses. ;)

Sexta Sem Dúvida: este, esse e conjunções em início de frase

Por Toda Letra em 19 de agosto de 2011

Hoje vamos responder as dúvidas enviadas via facebook pela Clarissa Ferreira e pelo Lucinir Feltrin.

por Ana Paula Mira (@anamiraa)

A Clarissa tem dúvida em relação ao uso do ESTE e do ESSE. A explicação que você vai ler serve para esses dois pronomes e para todos os seus derivados (deste, nisto, dessa etc), ok? Existem duas regras principais para usar essas palavras. A primeira é a regra da proximidade, que define que o ESTE é usado para o mais próximo, ESSE para algo intermediário e AQUELE para o que está mais longe da informação. No exemplo a seguir, você vai entender essa relação: “Fui a São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Nesta cidade, visitei a Praça dos Três Poderes; nessa, fui ao Cristo Redentor; e, naquela, visitei o MASP”. Os pronomes são utilizados para distinguir a quais cidades você está se referindo na frase. Essa regra, no entanto, não é muito utilizada no dia a dia de quem escreve. A mais comum é a Regra da Referência, que inclui a dúvida da Clarissa, do uso do binômio este/esse. Quando nos referimos a algo que já foi citado na frase, sempre usamos o ESSE.  Já quando algo vai ser citado posteriormente, usamos o ESTE. Veja o exemplo: “Muitos têm dúvidas no uso dos pronomes. Esse assunto será abordado em nossas aulas semana que vem”. O ESSE se refere a “uso dos pronomes”, que já foi citado na frase. Porém, no exemplo “Este é o plano: ir para a praia no feriado”, o plano ainda vai ser citado, por isso o uso do ESTE.

A outra dúvida, do Lucinir, é sobre as conjunções que podem ser usadas em início de frase. As conjunções são elementos que dão coesão ao texto, ou seja, “costuram” as ideias do texto. Mas nem sempre podemos utilizar qualquer conjunção em início de frases. Escolhi algumas para explicar aqui no blog porque, no português, há inúmeras conjunções! Algumas que não podem iniciar sentenças quando dão ideia de ligação à frase anterior: porque, pois, por isso. Veja o exemplo: “Todos os manifestantes foram presos porque invadiram uma área privada”. Existem exceções? Existem, sim! E a principal delas é quando a frase está na ordem indireta. No exemplo “Porque estava cansada, ela desistiu de ir à festa”, o PORQUE pode iniciar a frase porque ele está antes da informação principal, na ordem invertida da frase. Mas atente ao fato de que a continuação está lá, mesmo que no fim da frase. O que não pode acontecer é a ideia iniciada por PORQUE ficar sem nenhuma continuidade! Acho importante ressaltar o uso do MAS em início de frases: algumas gramáticas já consideram isso correto, tanto que vemos essa construção ser bastante utilizada pela mídia. No entanto, há algumas gramáticas que consideram o uso incorreto. Para resolver essa questão, sempre pergunte qual o padrão seguido no lugar em que você trabalha para que não erre. Se seu texto não for escrito para o trabalho, consulte as gramáticas para ter argumento caso alguém reclame da maneira como você escreveu, ok?

Na próxima coluna, vamos falar sobre o uso do SENÃO e do AFORA.

 

Você também tem dúvidas? Mande pra gente que ela estará aqui no blog semana que vem!

 

 

O correto que seria estranho

Por Toda Letra em 18 de agosto de 2011

Discussão constante entre os estudiosos da Língua Portuguesa é a versão aportuguesada de certas palavras estrangeiras. Por exemplo: twitter, tuíter ou tuítter? Será que iríamos nos adaptar à versão de algumas palavras como mause (mouse)?

Revista da Língua Portuguesa de maio de 2011 publicou uma tabela de como seriam as palavras estrangeiras que deveriam ser aportuguesadas levando em consideração as regras de ortografia e sintaxe. Confira abaixo algumas das versões aportuguesas trazidas pela revista:

Estátus       Habitate

Déficite      Corpus

Frissom (ou frissão)

Pretaportê        Misancene

Esperei         Iaquiçoba

Púdol         Internete

Uebe         Eslaide

Lepetope       Noutebuque

Ainda bem que a Língua Portuguesa não segue todas as regras ao pé da letra, não é mesmo?

 

Fonte: Revista Língua Portuguesa (mai/11)

 

Pontuação e seus dilemas

Por Toda Letra em 16 de agosto de 2011

“Você pontua do jeito que você respira”. Não ouvi isso nem uma, nem duas vezes. Já me deparei com essa afirmação em tantas situações que entendi ser necessário escrever sobre o tema. A pontuação figura sempre entre os problemas mais frequentes em um texto. Ideias ótimas, argumentação excelente, enredo fascinante: tudo isso se perde se o texto não tiver boa pontuação.

E a pergunta que sempre surge é como melhorar pontuação, como usar pontos, vírgulas e afins da maneira correta. A primeira dica que dou é ler bastante, sem passar por cima da real pontuação que está no texto. É muito comum lermos com a entonação e com o ritmo que nós mesmos damos ao texto, mas nem sempre nossas características de leitura são as mesmas de quem pontuou o texto que está sendo lido. Ou seja, respeite os sinais de pontuação escolhidos pelo autor.

Uma segunda informação importante: leia, de vez em quando, em voz alta. Apesar de não estar certa a afirmação de que pontuamos do jeito que respiramos, podemos, sim, balizar a pontuação pela nossa leitura. Quem tem hábito de ler em voz alta tem mais probabilidade de pontuar melhor um texto e de, também, saber falar melhor.

Um terceiro passo é consultar bibliografia especializada, mas só depois de se acostumar a fazer uma leitura mais atenta à pontuação. Sugiro livros curtos e rápidos, como A Pontuação Hoje, Pontuação: ponto por ponto e Só vírgula.

Sexta Sem Dúvida: se, novas regras, mal x mau

Por Toda Letra em 12 de agosto de 2011

Olá! Hoje vamos tirar as dúvidas da Alanna Rossi, Tiago Caroleski e Aline Azevedo! Eles postaram suas dúvidas semana passada, esperaram na “fila” e agora estão aqui  respondidas. Vamos a elas!

por Ana Paula Mira

A Alanna perguntou onde coloca o pronome SE: antes ou depois do verbo? Alanna, isso depende muito da gramática que você consulta. Algumas, por exemplo, acham uma “afronta” o SE ficar perdido dentro de uma frase, sem estar ligado ao verbo por um hífen, como na frase “A multidão se aglomerou na frente do prédio do governo”. No entanto, alguns gramáticos mais modernos consideram que essa estrutura faz parte da linguagem informal e pode ser usada, por isso os meios de comunicação aceitam muito bem essa colocação do pronome. Porém, há alguns casos em que o SE é obrigatório vir antes do verbo, quando há palavras chamadas atrativas (não, sempre, ele/eles/elas etc). No exemplo “Ele não se conformou com o fim do relacionamento”, é obrigatório que o SE venha antes do verbo, devido à palavra negativa. Mas, Alanna, há muitas regras em relação a isso. Legal é você sempre consultar uma gramática, lá na parte de “colocação pronominal”, para tirar outras dúvidas que surgirem.

O Tiago pediu para falar um pouco sobre as novas regras. Como ele não identificou uma dúvida específica, escolhi falar sobre algumas palavras que perderam hífen e outras que mantiveram. Na minha modesta opinião, acho que a parte de hífen tem sido a pior parte desse novo acordo, porque até mesmo os dicionários não têm um consenso em relação a algumas palavras. Destaco a grafia de algumas conforme o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), que é oficial! “Bem-vindo” e “público-alvo” continuam com hífen; já “mão de obra” e “dia a dia” perderam o traço. Agora, atenção: sempre que for escrever, escolha um dicionário ou vocabulário (veja a diferença no nosso post de ontem ) para seguir, pois existem divergências entre eles.

A Aline Azevedo disse que sempre se confunde com MAL e MAU. MAL é advérbio, ou seja, expressa um modo, um estado. Por exemplo: “Ele se sentiu mal durante a viagem”. Foi o modo como ele se sentiu. Agora, quando você quer qualificar (ou desqualificar), você usa o adjetivo MAU. “Ele é um mau rapaz”; “Naquele restaurante, prestam um mau atendimento”. E, para lembrar, sempre pense no antônimo: MAL/BEM; MAU/BOM.

Na próxima sexta, já estão na fila duas dúvidas: quando usar ESTE e ESSE, e quais conjunções não podem iniciar frases. E você também tem alguma dúvida? Mande pra gente via facebooktwitter ou para o email contato@todaletra.com.br.

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E o que eu acho disso?

Por Toda Letra em 9 de agosto de 2011

Com a internet, tornou-se muito mais fácil ficar ligado em tudo, absolutamente tudo, que acontece perto e longe da gente. E uma das questões que mais incomodam quem precisa expor sua opinião ou pelo menos tê-la bem formada é como aproveitar tudo que está ao nosso alcance para termos bons argumentos e uma visão de mundo definida.

Dou aqui dois exemplos recentes: a onda de violência em Londres , que tem espalhado pânico pela população londrinense, e as acusações a que Rafinha Bastos , do programa CQC, começou a responder em juízo ontem. São dois assuntos distantes, sem relação entre si, mas muito polêmicos, ambos, independente de sua natureza.

Como saber argumentar sobre esses assuntos? Como não cair no lugar comum? A palavra-chave é a informação! É essencial conhecer várias opiniões sobre o assunto – mesmo que algumas delas sejam totalmente incompatíveis com a sua! Isso significa procurar blogs especializados (que normalmente são desenvolvidos dentro de grandes portais de notícias), colunas em jornais e revistas, comentários, artigos e também editoriais (textos que abordam a opinião dos veículos de comunicação). Hoje, o que faz a diferença entre quem se informa e quem não se informa é a capacidade que você tem de ouvir várias opiniões diferentes e construir a sua. Só assim é possível argumentar com propriedade sobre determinado assunto.

Em tempo: Rafinha Bastos está sendo acusado de apologia ao crime por piada envolvendo o tema do estupro; em Londres, manifestantes (alguns dizem que são apenas oportunistas) têm destruído o subúrbio da cidade motivados pelo assassinato de um rapaz pela polícia.

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Sexta sem dúvida: convalescença, seção, sessão, ao direito de

Por Toda Letra em 5 de agosto de 2011

por Ana Paula Mira

Sexta é dia de eliminar dúvidas! Na nossa estreia, temos três valiosas colaborações: da Adriane Werner (via facebook), da Isa Mayer (@iisaMayer) e da Andrea Ribeiro (@_AndreaRibeiro).

Vamos às dúvidas dos nossos leitores?

A Adriane ficou em dúvida sobre qual a grafia correta: convalescença ou convalescência? Bom, consultei alguns dicionários, mas sempre confio no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), porque ele é oficial. Se está lá, é lei! Pelo VOLP (e também pelo Aurélio e pelo Houaiss), o correto é convalescença. Só para constar: a palavra vem do latim (convalescentia) e significa período de recuperação após um trauma, doença ou situação afim. Por isso dizemos que “alguém está convalescente”, o que é o mesmo que dizer que a pessoa está se recuperando lentamente de alguma enfermidade.

A Isa Mayer disse que sempre se confunde com as palavras seção, sessão etc. As palavras que geraram dúvida na Isa são classificadas como homófonas, ou seja, apresentam várias grafias (devido à origem diferente de cada significado), mas, ao serem faladas, elas não têm nenhuma diferença. Isso acontece também com viagem/viajem, acento/assento e mais várias outras na língua portuguesa. Para acabar com a dúvida, então:

Sessão é o mesmo que reunião (Hoje não haverá sessão na Câmara de Vereadores);

Seção ou secção (esta última grafia mais usada no português de Portugal) significa divisão (Você pode encontrar esse produto na seção de enlatados);

Cessão é o ato de ceder (Ele assinou um termo de cessão de direitos ao proprietário).

Sei que vocês vão até rir do que vou falar agora, mas sabem como eu gravei essas diferenças? Para sessão (=reunião), sempre penso que os vários “SS” da palavra são várias pessoas em uma reunião (ok, podem rir agora). Para seção (=divisão), sempre lembro a versão mais usada em Portugal, com “c” (secção), porque automaticamente me vem à cabeça a ideia de seccionar algo, cortar, dividir. Para cessão, lembro que a palavra ceder é com “c”, então não dá pra errar!

E vamos à nossa última dúvida, da Andrea. Ela pergunta o que está correto: “fulano se reserva ao direito de…”, “fulano se reserva o direito” ou “fulano reserva o direito de”. O verbo reservar-se, nesse sentido, significa resguardar-se, preservar-se. Quando usado dessa maneira, ele é transitivo direto e indireto pronominal. Mas o que significa esse gramatiquês todo? Primeiro, se é pronominal, sempre tem que ser usado com o “SE”, “ME” e outros pronomes adequados a cada pessoa utilizada no texto. Se ele é direto e indireto, significa que vai ter dois complementos: um com preposição e outro sem. Ou seja, o correto é “Fulano se reserva o direito de ficar calado”. No exemplo, “SE” é o pronome obrigatório, “o direito” é o complemento sem preposição e “de ficar calado” é o complemento com preposição.

Espero que ninguém mais tenha dúvidas sobre o que falamos hoje! Até a próxima!

Na próxima sexta, sua dúvida pode estar solucionada aqui! É só escrever paracontato@todaletra.com.br; tuitar para @TodaLetra_ ou postar lá no nosso facebook (www.facebook.com/TodaLetra).

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O queijo do ç

Por Toda Letra em 4 de agosto de 2011

Pense rápido: aquele queijo gostoso, fatiado, que geralmente usamos em sanduíches e pizza se escreve “mussarela”, certo? Errado!

A grafia correta do queijo italiano gerou polêmica no ano de 2008 quando jornais e revistas publicaram reportagens sobre a apreensão de queijos em Uberaba (Minas Gerais). Na época, os veículos de comunicação receberam cartas de leitores contestando a grafia adotada nos textos publicados.

Os veículos, na verdade, estavam e estão certos com base nos dicionários da Língua Portuguesa, que reconhecem três grafias corretas: mozarela, muçarela e muzarela.

Na sua próxima lista de compras, atente para esse detalhe: queijo muçarela só com ‘ç' ou 'z', nada de dois 's'!

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Exame da OAB tem erros grosseiros de português

Por Toda Letra em 3 de agosto de 2011

Uma notícia divulgada nesta semana no Destak Jornal mostra que os candidatos do exame da OAB (Ordem de Advogados do Brasil) cometeram erros gravíssimos de Português nas provas aplicadas neste ano. Entre os erros, estão pérolas como ”perca do praso” (perda do prazo), “prossedimento” (procedimento), “respaudo” (respaldo) e “inlícita” (ilícita).

No ano passado, nove em cada dez candidatos da OAB foram reprovados. A Ordem dos Advogados do Brasil utiliza os erros de língua portuguesa como justificativa para a manutenção da prova de habilitação para os futuros advogados, que pode ser extinta.

Discussão

A obrigatoriedade da prova para poder exercer a profissão de bacharel em direito gera discussão em todos os âmbitos da sociedade. A Toda Letra entrevistou três estudantes de Direito sobre o assunto. Lorian Bressan e Ruann Jovinski concordam com a obrigatoriedade da prova, no entanto, não acreditam que o exame em si seja instrumento hábil para testar os conhecimentos dos bacharéis em direito. “Apesar de a prova ter sua necessidade para formar melhores profissionais, os erros de português são inaceitáveis, principalmente pelo fato de serem erros básicos e que acabam afetando a crediblidade da prova”, afirma Ruann Jovinski, acadêmico do primeiro período.

Já para a acadêmica da 6ª fase, Marina Alves de Quadras, o exame é totalmente desnecessário, e os erros cometidos por candidatos na prova não chegam a preocupar. “Você estuda cinco anos para se formar e ainda precisa estudar muito para poder exercer de fato a profissão. Por que não existe um teste específico para as outras profissões como engenheiro, administrador ou até mesmo jornalista para 'provar' se eles realmente têm conhecimentos na área ou um bom português?”, questiona a estudante. Lorian Bressan concorda com a colega:  “Quanto aos erros de português, detectados nos exames, acredito que tais erros não são exclusivos dos bacharéis de direito e que eles podem ser detectados em profissionais de todas as áreas”, conclui.

Língua Portuguesa

Apesar de ser uma disciplina constante de praticamente a maioria das grades curriculares dos cursos de Direito do país, a carga horária é variável e nem sempre ela é considerada requisito obrigatório para cursar os tópicos das fases seguintes.

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